Anais
Resumo do trabalho
Estudos Organizacionais · Simbolismos, Culturas e Identidades
Título
O organizar das festas juninas sergipanas a partir de práticas organizativas cotidianas e do aprender a fazer experiencial
Palavras-chave
Aprendizagem Experiencial
Festas Juninas
Organizing
Agradecimento:
À Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (FACEPE) e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), instituições responsáveis pelo fomento à pesquisa das autoras.
Autores
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Amanda Santos MatosUNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)
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Joiciane Rodrigues de SousaUNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)
Resumo
Introdução
O organizing propõe compreender as organizações como processos em constante construção, marcados por práticas situadas, simbólicas e relacionais (Czarniawska, 2008). Logo, o termo organização deve ser interpretado como um verbo, e não como um substantivo (Weick, 1973). Nas festas juninas, evidenciam-se práticas organizativas executadas pelos sujeitos que fazem parte do contexto social, como enfeitar ruas com bandeirolas, preparar comidas típicas e a acensão de fogueiras (Chianca, 2013; Marques, 2018; Menezes, 2014). Tais práticas são atravessadas por saberes, experiências e vínculos coletivos.
Problema de Pesquisa e Objetivo
As ações do organizar não se limitam às organizações formais, mas encontram expressão em grupos informais (Duarte; Alcadipani, 2016), a exemplo do que acontece na organização de festas juninas (Marques, 2018). Logo, o objetivo do trabalho é analisar como as práticas organizativas das festas juninas consideradas Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial de Sergipe desvelam a experiência de organizar do São João. A escolha decorre do reconhecimento do valor simbólico das festividades, carregadas de significados identitários, afetivos e culturais (Câmara Municipal de Aracaju, 2018; Ramos, 2018).
Fundamentação Teórica
As práticas são ações humanas organizadas que se constituem por meio de compreensões compartilhadas sobre como realizá-las (Schatzki, 2005). A concepção naturalizada da organização como algo linear e estático dificulta a compreensão dos fenômenos organizacionais e do sentido do que constitui uma organização e suas práticas (Duarte; Alcadipani, 2016). Do mesmo modo, a aprendizagem é concebida como um processo contínuo, e não como a obtenção de resultados, em que as ideias não são estruturas fixas e imutáveis do pensamento, mas sim construções que acontecem a partir da experiência (Kolb, 1984).
Metodologia
A pesquisa adota como arcabouço metodológico uma abordagem qualitativa, natureza descritiva e básica, por meio de um estudo multicaso. A coleta de dados foi dividida em três fases: (a) levantamento documental e bibliográfico; (b) observação não participante, com a geração de registros visuais e audiovisuais; e (c) entrevistas semiestruturadas. A construção e análise do corpus da pesquisa foi conduzida por intermédio da técnica de história de vida. Outrossim, critérios de validade e confiabilidade aplicáveis às pesquisas qualitativas foram empregados, como múltiplas técnicas de coleta de dados.
Análise dos Resultados
As festas juninas sergipanas permitem que atores distintos articulem práticas, saberes e afetos. A aprendizagem ocorre de forma experiencial, pela participação ativa, observação e transmissão intergeracional de saberes, em que há hibridismo cultural entre tradição e inovação. O reconhecimento das festas como patrimônio imaterial promove uma estabilização simbólica e fortalece identidades locais, ao passo que gera tensões em torno da padronização, da mercantilização e da autonomia comunitária. Dessa forma, revelam formas alternativas e eficazes de organizar, aprender e preservar culturas vivas.
Conclusão
As festas juninas representam formas de organização social e de produção de saberes ancorados na experiência cotidiana dos sujeitos envolvidos. As práticas organizativas emergem de relações sociais, afetivas e materiais, caracterizando-se por sua fluidez, adaptabilidade e potencial de reinvenção. Portanto, a materialidade dos artefatos e as interações entre atores diversos constituem organizações complexas, muitas vezes não reconhecidas pelas lógicas institucionais convencionais. Mas, demonstram eficácia na mobilização de recursos, produção simbólica e na manutenção das identidades culturais.
Contribuição / Impacto
Este estudo oferece, como contribuição teórica, a análise da organização das festas juninas sergipanas a partir de abordagens processuais, integrando os referenciais do organizing e da aprendizagem experiencial. No âmbito prático, a pesquisa pode subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas ao setor cultural, de modo a considerar a fluidez de tais organizações culturais. Como contribuição social, ao compreender as organizações em sua dimensão processual e situada, o estudo colabora para a valorização das identidades, saberes e crenças dos sujeitos envolvidos nas festividades juninas.
Referências Bibliográficas
CHIANCA, L. São João na Cidade: ensaios e improvisos sobre as festas juninas. João Pessoa: Editora da UFPB, 2013.
CZARNIAWSKA, B. A theory of organizing. Cheltenham: Edward Elgar Press, 2008.
DUARTE, M. de F.; ALCADIPANI, R. Contribuições do organizar (organizing) para os estudos organizacionais. Organizações & Sociedade, Salvador, v. 23, p. 57-72, 2016.
KOLB, D. A. Experiential Learning: Experience as The Source of Learning and Development. 1. ed. New Jersey: Prentice-Hall, 1984.
WEICK, K. A psicologia social da organização. Editora Edgard Blucher Ltda., 1973.
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