Anais
Resumo do trabalho
Administração Pública · Ambiente, Territorialidades e Políticas Públicas
Título
O MELHOR DOS DOIS MUNDOS: os reflexos da produção desigual do espaço urbano de um condomínio de luxo entre Maringá e Sarandi (Paraná)
Palavras-chave
Segregação socioespacial.
Identidade simbólica.
Espaço urbano.
Autores
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Karina LippelUNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ (UEM)
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Priscilla Borgonhoni ChagasUNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ (UEM)
Resumo
Introdução
A produção do espaço urbano é atravessada por disputas sociais, econômicas e simbólicas. Este estudo parte da análise de um condomínio de luxo na divisa entre Maringá e Sarandi (PR) para discutir como a associação simbólica do empreendimento a Maringá, apesar de sua localização em Sarandi, revela estratégias de apropriação seletiva do território que reforçam distinções e aprofundam desigualdades urbanas. A pesquisa considera como o espaço é construído a partir de processos históricos de exclusão e hierarquização.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O objetivo do artigo é discutir os reflexos materiais e simbólicos da produção desigual do espaço urbano a partir da construção de um condomínio de luxo na divisa dos municípios de Maringá e Sarandi, localizados no estado do Paraná.
Fundamentação Teórica
A pesquisa se apoia em autores como Lefebvre (2006), Souza (2013) e Corrêa (2013), que concebem o espaço urbano como produto de relações sociais historicamente desiguais. O espaço torna-se território quando apropriado por agentes que disputam seu uso e sentido, estruturando hierarquias e exclusões. A produção desigual do espaço é compreendida como processo ativo de diferenciação, no qual estratégias simbólicas e materiais consolidam distinções sociais. No caso analisado, o território é moldado por relações de poder que legitimam a apropriação seletiva e reforçam fronteiras invisíveis.
Metodologia
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva. Foram utilizadas análise de documentos, redes sociais e anúncios imobiliários, com foco na construção simbólica do espaço. A investigação buscou compreender como diferentes agentes legitimam o uso seletivo do território reforçando o pertencimento simbólico a Maringá e invisibilizando a localização real em Sarandi, evidenciando dinâmicas de exclusão territorial.
Análise dos Resultados
O condomínio estudado exemplifica a produção desigual do espaço ao associar-se simbolicamente à cidade de Maringá, historicamente planejada para elites, enquanto se beneficia economicamente de estar localizado em Sarandi. Materiais promocionais, redes sociais e anúncios omitem a cidade real, reproduzindo estigmas territoriais. A lógica de distinção territorial é operada por agentes que reforçam fronteiras simbólicas, transformando o espaço urbano em instrumento de reprodução de privilégios.
Conclusão
O estudo revela que a produção desigual do espaço opera por meio da articulação entre estratégias simbólicas e materiais. A apropriação seletiva do território, legitimada por discursos de prestígio e status, reforça desigualdades históricas e consolida hierarquias espaciais. Ao privilegiar determinados grupos e territórios, o espaço urbano deixa de ser direito coletivo para se tornar ativo estratégico, aprofundando exclusões e consolidando fronteiras entre centro e periferia, visível e invisível, incluído e marginalizado.
Contribuição / Impacto
A pesquisa contribui ao aprofundar o debate sobre a produção desigual do espaço urbano, articulando elementos simbólicos, históricos e territoriais. Ao evidenciar como discursos e práticas organizacionais operam na distinção espacial, o artigo amplia a compreensão sobre o papel dos agentes na reprodução de desigualdades urbanas. O caso estudado propõe reflexões sobre como o território se transforma em ativo simbólico e político para legitimar exclusões e reforçar distinções sociais.
Referências Bibliográficas
CORRÊA, R. L. Sobre agentes sociais, escala e produção do espaço. In: CARLOS, A. F. A. et al. (Orgs.). A produção do espaço urbano. São Paulo: Contexto, 2013. p. 41-51.
LEFEBVRE, H. A produção social do espaço. Tradução Doralice Barros Pereira e Sérgio Martins, 2006.
SOUZA, M. L. A cidade, a palavra e o poder. In: CARLOS, A. F. A. et al. (Orgs.). A produção do espaço urbano. São Paulo: Contexto, 2013. p. 147-166.
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