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Anais

Resumo do trabalho

Estudos Organizacionais · Diversidade, Diferença e Inclusão nas Organizações

Título

SOFRIMENTO NO TRABALHO: VIVÊNCIAS DE TRABALHADORAS APÓS A LICENÇA-MATERNIDADE PELA PERSPECTIVA DA PSICODINÂMICA DO TRABALHO

Palavras-chave

Sofrimento no trabalho Maternidade Trabalho feminino

Autores

  • Naiara Tavares da Silva
    UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO (UFRRJ)
  • Ana Carolina de Gouvêa Dantas Motta
    UNIVERSIDADE DO GRANDE RIO PROFESSOR JOSÉ DE SOUZA HERDY (UNIGRANRIO)

Resumo

Introdução

A crise na saúde mental dos trabalhadores brasileiros, com o aumento das licenças médicas por ansiedade e depressão em 2024, impacta especialmente as mulheres. Além dos salários mais baixos e do desemprego elevado, elas enfrentam acúmulo de trabalho não remunerado, o que aumenta sua vulnerabilidade. Mesmo sustentando quase metade dos lares, lidam com sobrecarga emocional combinando múltiplas jornadas. O retorno ao trabalho após a licença-maternidade, geralmente sem apoio organizacional adequado, intensifica ainda mais o sofrimento físico e psicológico de dessas trabalhadoras.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Diante do exposto, o objetivo deste estudo consistiu em investigar a experiência de sofrimento no trabalho vivida por mulheres no retorno ao trabalho após a licença-maternidade, considerando múltiplas dimensões emocionais, aflições e fatores organizacionais que contribuem para o processo de sofrimento.

Fundamentação Teórica

A fundamentação teórica do estudo destaca que, embora existam leis de proteção à mulher no trabalho, como a licença-maternidade e dispositivos contra a discriminação, na prática, organizacional persistem demissões e falta de apoio ao retorno das mães. O estudo utiliza a psicodinâmica do trabalho de Christophe Dejours para analisar como a tensão entre trabalho prescrito e real, junto à ausência de reconhecimento, afeta a saúde mental das mães trabalhadoras.

Metodologia

A pesquisa qualitativa realizou-se com 72 mulheres selecionadas por conveniência e snowball, que retornaram ao trabalho até dois anos após a licença-maternidade. Os dados foram coletados por meio de formulário on-line com questões fechadas (para caracterização sociodemográfica) e abertas (para relatos sobre o retorno ao trabalho), analisadas pela técnica de Bardin. O estudo seguiu normas éticas e foi aprovado pelo Comitê de Ética (CEP).

Análise dos Resultados

A análise evidenciou que, mesmo que cumpram formalmente a legislação, as organizações geralmente não oferecem apoio real às mulheres que retornam após a licença-maternidade, resultando em sofrimento físico e emocional devido à ausência de condições adequadas para amamentação, sobrecarga de tarefas e falta de flexibilidade laboral. Os relatos destacam sentimentos de insatisfação, culpa, insegurança e exclusão, agravados pela pressão organizacional para atender às exigências do trabalho e da maternidade, tornando o retorno um período desafiador e penoso para essas profissionais.

Conclusão

Este estudo evidencia que o retorno ao trabalho após a licença-maternidade é um momento de grande vulnerabilidade para as mulheres, marcado por desafios e sofrimentos pouco acolhidos pelas práticas organizacionais que, limitadas ao cumprimento legal, muitas vezes desconsideram as reais necessidades maternas. Mesmo com garantias formais, a ausência de apoio efetivo e de uma cultura institucional acolhedora intensifica o sofrimento dessas trabalhadoras, mostrando que políticas adequadas, flexibilidade e suporte concreto são necessário para se promover bem-estar e equidade no ambiente laboral.

Contribuição / Impacto

A pesquisa mostra que, apesar das leis, a maioria das empresas não apoia efetivamente o retorno das mães ao trabalho, aumentando sofrimento físico e emocional. A solução vai além do cumprimento legal: é necessário acolhimento real, flexibilidade e reconhecimento das necessidades maternas para garantir o bem-estar dessas profissionais.

Referências Bibliográficas

DEJOURS, Christophe. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2015.
DEJOURS, Christophe. A sublimação, entre sofrimento e prazer no trabalho. Revista portuguesa de psicanálise, v. 33, n. 2, p. 9-28, 2013.
DEJOURS, Christophe. Le choix, souffrir au travail n’est pas une fatalité. Paris: Bayard, 2015.
DEJOURS, Christophe; ABDOUCHELI, Elisabeth; JAYET, Christian. Psicodinâmica do trabalho: contribuições da Escola Dejouriana à análise da relação prazer, sofrimento e trabalho. São Paulo: Atlas, 1994.

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