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Anais

Resumo do trabalho

Estratégia em Organizações · Economia de Empresas, Instituições e Organização Industrial

Título

O efeito do market share sobre o desempenho econômico-financeiro e a eficiência operacional de empresas listadas na B3 entre 2011 e 2024: uma análise multinível.

Palavras-chave

Market share Eficiência operacional Modelos hierárquicos
Agradecimento: Agradecemos à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelo apoio financeiro indispensável à realização deste estudo, o que reforça seu compromisso com o fortalecimento da pesquisa científica no Brasil.

Autores

  • Caio Henrique Vieira Barbosa
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)
  • Ana Paula Carvalho Mandu
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)
  • Juciara Nunes de Alcântara
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)

Resumo

Introdução

A relação entre market share e desempenho empresarial é essencial para compreender a competitividade no mercado brasileiro. A coexistência de empresas estatais e privadas em setores estratégicos torna o Brasil um cenário ideal para investigar como participação de mercado, aliada a fatores como tamanho, endividamento, concentração setorial e contexto macroeconômico, influencia o desempenho corporativo ao longo do tempo e entre setores.

Problema de Pesquisa e Objetivo

A investigação proposta por este estudo norteia-se pela seguinte questão: Qual é o efeito do market share sobre o desempenho econômico-financeiro e sobre a eficiência operacional de empresas estatais e privadas listadas na B3? Com o intuito de responder a esse questionamento, este estudo teve como objetivo analisar o efeito do market share sobre indicadores como ROA, ROE e IGA, testando se variáveis estruturais e macroeconômicas modificam os resultados nos modelos econométricos.

Fundamentação Teórica

O estudo se baseia no modelo Estrutura-Conduta-Desempenho (Bain, 1951), que sugere que maior concentração e participação de mercado resultam em melhor performance financeira. Bhattacharya, Morgan e Rego (2022) afirmam que o market share funciona como proxy de qualidade percebida, favorecendo poder de precificação e uso eficiente dos ativos. Boardman e Vining (1989), por sua vez, indicam que empresas estatais tendem a ser menos eficientes ao atenderem objetivos políticos e sociais, impactando negativamente a lucratividade.

Metodologia

Utilizou-se um painel desbalanceado com dados financeiros de 238 empresas brasileiras não financeiras listadas na B3 entre 2011 e 2024. Após tratamento rigoroso das bases da Economatica e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), foram aplicados modelos Hierarchical Linear Models (HLM), com interceptos e inclinações aleatórias para capturar variações por empresa e setor. Variáveis contínuas foram padronizadas em z-score e ROA, ROE e IGA winsorizadas a 1,5%. Incorporou-se controles como tamanho, endividamento, HHI e crescimento do PIB, além de interação entre market share e propriedade estatal.

Análise dos Resultados

Os modelos indicaram que o market share afetou positivamente ROA, ROE e fortemente o IGA (B = 1,4561; p < 0,001), evidenciando que empresas com maior presença setorial converteram ativos em receita de forma mais eficiente. Empresas maiores tiveram ROE mais elevado e eficiência operacional inferior, sugerindo efeitos ambíguos do tamanho. O endividamento apresentou impacto negativo sobre rentabilidade, mas positivo sobre eficiência. O crescimento do PIB influenciou positivamente todos os indicadores. O tipo de propriedade e o HHI não foram estatisticamente relevantes em nenhum dos modelos.

Conclusão

Os resultados evidenciaram que o market share exerceu influência positiva sobre a rentabilidade (ROA, ROE) e, principalmente, sobre a eficiência operacional (IGA), destacando-se como fator estratégico no desempenho empresarial. Fatores como tamanho, endividamento e crescimento econômico também impactaram significativamente os resultados. Embora a propriedade estatal não tenha apresentado efeito direto relevante, sua interação com o market share indica que diferentes estruturas societárias podem responder de modo distinto às dinâmicas de mercado.

Contribuição / Impacto

O estudo aprimora a compreensão sobre os determinantes da performance empresarial ao aplicar modelos hierárquicos, raramente utilizados na literatura nacional, captando variações setoriais e temporais. Além disso, oferece evidências empíricas sobre o papel estratégico do market share na lucratividade e eficiência, promovendo reflexões sobre gestão pública e privada e contribuindo para formulações de políticas de competitividade e orientações estratégicas para empresas de capital aberto no Brasil.

Referências Bibliográficas

BAIN, Joe S. Relation of profit rate to industry concentration: American manufacturing, 1936–1940. The Quarterly Journal of Economics, v. 65, n. 3, p. 293-324, 1951.
BHATTACHARYA, A.; MORGAN, N. A.; REGO, L. L. Examining why and when market share drives firm profit. Journal of Marketing, [s. l.], v. 86, n. 4, p. 73–94, 2022.
BOARDMAN, A. E.; VINING, A. R. Ownership and performance in competitive environments: a comparison of the performance of private, mixed, and state-owned enterprises. Journal of Law and Economics, [s. l.], v. 32, n. 1, p. 1–33, 1989.

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