Logo

Anais

Resumo do trabalho

Gestão de Pessoas · As faces da Diversidade

Título

PERCEPÇÕES SOBRE OS PAPEIS SOCIAIS DE GÊNERO E SUAS IMPLICAÇÕES NO TRABALHO DO CUIDADO

Palavras-chave

trabalho reprodutivo divisão sexual do trabalho trabalho doméstico não remunerado

Autores

  • Adriana Villanova de Almeida
    Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - ESALQ
  • Heliani Berlato
    UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP)

Resumo

Introdução

O trabalho do cuidado vem despertando o interesse dos estudos feministas e de gênero já a algumas décadas, esse campo extravasa a esfera privada e traz implicações sociais, ao questionar o trabalho doméstico não remunerado, os estudos feministas evidenciam a complexa relação entre trabalho produtivo e trabalho doméstico. (Sorj, 2021). O trabalho de reprodução da vida foi e permanece sendo compreendido como um dever feminino, realizado de forma gratuita, apesar de fundamental para a sociedade. (Fraser, 2019).

Problema de Pesquisa e Objetivo

Diante da importância evidenciada do trabalho do cuidado desenvolvido majoritariamente pelas mulheres, o estudo se propõe a responder a seguinte questão: Como as mulheres casadas compreendem seus papeis sociais na esfera do cuidado? O objetivo da pesquisa é identificar a percepção de mulheres sobre o trabalho do cuidado e suas influências nos papéis sociais.

Fundamentação Teórica

No espaço econômico, os papeis sociais desempenhados por homens e mulheres é desigual por não abordar o trabalho invisível desempenhado pelas mulheres, por essa razão o aporte teórico da economia feminista é necessário a fim de enxergar o trabalho de maneira abrangente considerando o trabalho doméstico e de cuidado, ignorado pela economia tradicional (Fernandez, 2019). O grande dilema das atividades do cuidado é que elas foram impostas as mulheres como uma característica da natureza feminina, portanto destinado a não ser considerado um trabalho, pelo fato de não ser remunerado (Federici, 2019)

Metodologia

O estudo buscou identificar a percepção de mulheres sobre o trabalho do cuidado e suas influências nos papéis sociais, para isso foi adotada uma abordagem qualitativa e construcionista. O tratamento dos dados se deu através da análise de conteúdo de Bardin (1977), na perspectiva de desvendar variáveis históricas e sociais buscando extrair informações adicionais do discurso por meio de uma leitura flutuante preliminar, explorando o material a partir dos seguintes eixos temáticos: trabalho reprodutivo, divisão sexual do trabalho e trabalho remunerado.

Análise dos Resultados

O discurso das entrevistadas revela o quanto as mulheres impõem-se a responsabilidade do cuidado, buscando cumprir normas sociais estabelecidas historicamente, em razão da construção do ato social de cuidar como um fato biológico. (Guedes e Daros, 2009).
“[...] Quando eu chego, eu já vou para o fogão, já quero fazer a comida. Porque eu acho que mulher já é mais prestativa mesmo, né? Deus acho que já colocou isso na gente já, mais prestativa com a família.” (Aline)
“[...] Sim a responsabilidade com as meninas é mais minha. Querendo ou não é mais a mãe né.” (Diana)

Conclusão

A pesquisa analisou as percepções de oito mulheres casadas, com filhos que exerciam atividades remuneradas e pertenciam a classe média baixa, sobre o trabalho do cuidado e suas influências nos papéis sociais. A partir da análise de conteúdo conduzida sob três eixos temáticos: trabalho reprodutivo, divisão sexual do trabalho e trabalho remunerado, foi possível observar que as mulheres de fato são as grandes responsáveis pelas tarefas do cuidado, apesar das transformações ocorridas nas últimas décadas nos arranjos familiares.

Contribuição / Impacto

Longe de se esgotar o debate sobre o tema, a pesquisa contribui para enfatizar a necessidade de continuar abordando a invisibilidade do trabalho feminino de cuidado na expectativa de que a temática extravase a esfera privada configurando-se como uma questão social que requer ações de múltiplos agentes a fim de uma verdadeira readequação dos papeis sociais com vistas a uma sociedade mais igualitária em termos de gênero.

Referências Bibliográficas

1. ARRUZZA, Cinzia; BHATTACHARYA, Tithi; FRASER, Nancy. Feminismo para os 99%: um manifesto. São Paulo: Boitempo Editorial, 2019.
17. FRASER, Nancy. Feminismo, capitalismo e a astúcia da história. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de (org.). Pensamento feminista: conceitos fundamentais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019. p. 25–48.
18. FRASER, Nancy. Contradições entre capital e cuidado. Princípios: Revista de Filosofia (UFRN), v. 27, n. 53, p. 261–288, 2020.
19. GOLDIN, Claudia. Carreira e família: a jornada de gerações de mulheres rumo à equidade. Tradução de Denise Bottmann. E-book

Navegação

Anterior Próximo