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Anais

Resumo do trabalho

Administração Pública · Gestão e Inovação em Políticas Públicas

Título

O PAPEL DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO ENFRENTAMENTO AOS CRIMES VIRTUAIS CONTRA MULHERES NO CONTEXTO LABORAL

Palavras-chave

Inteligência Artificial Violência Digital de Gênero Contexto Laboral
Agradecimento: Agradeço à CAPES pelo incentivo à pesquisa e apoio à formação acadêmica. Expresso minha gratidão à professora Anatalia Saraiva, pela orientação e incentivo contínuo ao desenvolvimento deste estudo. Agradeço também à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) pelo suporte institucional e estímulo à produção científica crítica e comprometida com a transformação social.

Autores

  • Clara Nascimento
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE (UFRN)
  • Anatália Saraiva Martins Ramos
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE (UFRN)

Resumo

Introdução

A violência digital de gênero, como o stalking contra mulheres no trabalho, tem crescido no Brasil, com 77.083 registros em 2023. Este estudo analisa criticamente a literatura sobre inteligência artificial (IA), gênero e trabalho, com foco em seu uso no enfrentamento aos crimes virtuais. A digitalização das relações laborais revela novas formas de violência, e a IA, entendida como sistemas que aprendem com dados, surge como ferramenta estratégica na detecção de linguagem ofensiva e no monitoramento de interações digitais.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Diante da escalada da violência digital de gênero no trabalho, o problema central é como a IA pode ser empregada no enfrentamento a esses crimes, questionando se ela reproduz ou supera desigualdades estruturais. O objetivo é analisar criticamente o papel da IA no combate a crimes virtuais contra mulheres no ambiente laboral, à luz da teoria marxista e estudos de gênero. Busca-se compreender a relação entre opressão de gênero e violência digital, identificar aplicações da IA, discutir seus limites e contradições, e apontar caminhos para seu uso emancipatório.

Fundamentação Teórica

A fundamentação teórica baseia-se na crítica marxista e nos estudos de gênero, abordando a opressão de gênero como estrutura funcional à acumulação de capital (Federici, Vogel). Integra interseccionalidade (Davis, Collins) e a divisão sexual do trabalho. Analisa como organizações reproduzem desigualdades (Acker, Scott, Tannen, Kanter). A violência de gênero no trabalho é vista como mecanismo de dominação capitalista (Federici, Marx, Bhattacharya), agravada pela cultura neoliberal (Fraser). A tecnologia não é neutra, reproduzindo estruturas de exploração.

Discussão

A análise revela que a violência digital de gênero no trabalho está em escalada. A IA possui potencial para combater essa violência, através de detecção de linguagem abusiva, monitoramento e denúncias anônimas. Contudo, a tecnologia não é neutra; sua produção e aplicação são marcadas pela lógica capitalista, reproduzindo e intensificando desigualdades históricas através de vieses algorítmicos e vigilância patronal. A eficácia da IA depende de políticas organizacionais amplas e de um engajamento político comprometido com a equidade e os direitos humanos

Conclusão

A inteligência artificial é estratégica no combate aos crimes virtuais de gênero, com potencial para ampliar denúncias e responsabilizar agressores. Sua eficácia depende de implementação crítica, transparente e participativa. Riscos como vieses algorítmicos e violação da privacidade exigem governança que assegure transparência, auditabilidade e participação democrática. A IA deve ser instrumento de proteção e emancipação, articulada a políticas públicas, e não de reforço da opressão.

Contribuição / Impacto

A principal contribuição do estudo é a análise crítica do papel da IA no enfrentamento à violência digital de gênero no trabalho, abordando seus limites, potencialidades e contradições. Aponta caminhos para um uso emancipatório da IA, que não reproduza desigualdades, mas promova ambientes laborais mais justos e inclusivos. O impacto reside em fomentar o debate sobre a governança algorítmica, a necessidade de políticas públicas interseccionais e a responsabilização institucional, visando a proteção dos direitos das mulheres trabalhadoras e a redução da impunidade.

Referências Bibliográficas

As referências bibliográficas são extensas e interdisciplinares, fundamentando o ensaio teórico com autores clássicos e contemporâneos. Incluem pesquisas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública para dados sobre violência digital, teóricas feministas como Silvia Federici, Angela Davis, Patricia Hill Collins, e autores da crítica marxista. Também abrange especialistas em tecnologia e ética da IA, como Kate Crawford, Timnit Gebru e Safiya Noble, e pesquisadores brasileiros. Algumas são: Davis (2016), Federici (2017), Fraser (2017), Collins (2000), Akotirene (2019), Gebru (2020), Hirata (2002).

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