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Anais

Resumo do trabalho

Turismo e Hospitalidade · Dimensões e Contextos do Turismo e da Hospitalidade

Título

RESSIGNIFICANDO A SUSTENTABILIDADE NO TURISMO: Uma Matriz Epistemológica Crítica e Plural

Palavras-chave

Epistemologia do turismo Sustentabilidade crítica Matriz epistemológica.

Autores

  • Karen Oliveira
    Universidade de São Paulo
  • Giovana Bueno
    Universidade de São Paulo

Resumo

Introdução

O turismo, prática social de impacto global, carece de teoria coesa, revelando dilemas epistemológicos decorrentes da fragmentação e interdisciplinaridade do campo. Neste contexto, propõe-se a sustentabilidade como matriz epistemológica crítica, não como teoria substitutiva, mas como organização conceitual capaz de articular ética, política, territorialidade e cognição. Fundamenta-se em epistemologias do Sul, justiça cognitiva e crítica à racionalidade técnico-instrumental, visando reposicionar o campo como prática reflexiva e descolonizadora.

Problema de Pesquisa e Objetivo

O turismo enfrenta um desafio epistemológico: a ausência de estrutura conceitual que articule suas dimensões críticas. A sustentabilidade, apesar de central, segue capturada por abordagens tecnocráticas. Este estudo tem como objetivo ressignificar a sustentabilidade como matriz epistemológica crítica no turismo, articulando ética, política, território e cognição. Propõe-se uma organização conceitual situada, fundamentada em epistemologias do

Fundamentação Teórica

A fundamentação discute a indisciplina epistemológica do turismo como potência metodológica (Tribe, 1997) e os limites dos modelos sistêmicos tradicionais, que priorizam visões funcionalistas. Abordagens críticas das ciências sociais (MacCannell, Smith, Cohen) introduzem debates sobre desigualdades, poder e territorialidades. O campo segue marcado pelo epistemicídio de saberes locais (Santos, 2007) e hegemonia eurocêntrica. A sustentabilidade, segundo Higgins-Desbiolles (2022), segue capturada por leituras tecnocráticas e exige abordagens ético-políticas e epistemológica críticas.

Discussão

A análise revela que o turismo permanece dominado por modelos epistemológicos eurocêntricos e abordagens tecnocráticas da sustentabilidade. A pesquisa contribui ao reposicionar a sustentabilidade como referencial epistemológico crítico, desafiando paradigmas normativos e favorecendo práticas baseadas em saberes locais e justiça cognitiva. A proposta reconhece a interdependência entre ética, política, territorialidade e cognição, problematizando modelos desenvolvimentistas e reforçando a necessidade de epistemologias plurais e situadas.

Conclusão

Esta investigação questiona a busca por uma teoria única no turismo e propõe a sustentabilidade como referencial epistemológico crítico, não prescritivo, articulado a princípios de justiça cognitiva e saberes situados. Mais que oferecer respostas definitivas, a proposta contribui para reposicionar o turismo como campo plural e relacional, sustentando que sua construção epistemológica deve ser coletiva, ética e aberta à diversidade de territórios e racionalidades.

Contribuição / Impacto

A pesquisa apresenta uma matriz epistemológica crítica da sustentabilidade como principal contribuição, estruturando eixos éticos, políticos, territoriais e epistêmicos articulados a dimensões mediadoras aplicáveis. A matriz atua como ferramenta reflexiva e prática, integrando saberes situados e epistemologias do Sul. Reposiciona o turismo como campo plural e insurgente, enfrentando desigualdades e desafios socioambientais contemporâneos.

Referências Bibliográficas

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