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Anais

Resumo do trabalho

Administração Pública · Memória Coletiva, Movimentos Sociais e Direitos Humanos

Título

ARQUIVOS VIVOS DE RESISTÊNCIA: Danças populares e as (In)Efetividades das Políticas Culturais

Palavras-chave

Memória coletiva Patrimônio cultural imaterial Políticas Culturais

Autores

  • Maria Paula Travassos Ramos
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ (UFPI)
  • Joyce Emanuelle Alves Vieira
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ (UFPI)
  • HEVELLY FERREIRA DA COSTA

Resumo

Introdução

As danças populares nordestinas – como a dança das lavadeiras, o bumba-meu-boi do Maranhão e as quadrilhas juninas – são manifestações culturais que operam como arquivos vivos de memória coletiva. Elas articulam resistência política, identidade e pertencimento, especialmente para comunidades historicamente marginalizadas. No entanto, lacunas nas políticas públicas culturais comprometem sua preservação e difusão, evidenciando contradições entre reconhecimento simbólico e efetivação do direito à cultura.

Problema de Pesquisa e Objetivo

O estudo busca responder: como as danças populares nordestinas revelam tensões entre memória coletiva, cultura popular e políticas públicas? O objetivo é analisar essas manifestações como territórios de resistência e discutir o papel da Administração Pública na efetivação do direito à cultura, considerando fragilidades na implementação de políticas voltadas ao patrimônio imaterial em contextos periféricos.

Fundamentação Teórica

A pesquisa articula conceitos como memória coletiva (Halbwachs, 1990; Jelin, 2002), patrimônio cultural (Nora, 1984), cultura popular e resistência (Cascudo, 1954; Santos, 2007), além do direito à cultura (Sen, 1999; UNESCO, 2005). A análise destaca as ambivalências das políticas culturais brasileiras, que muitas vezes não dialogam com os saberes e práticas das comunidades, e propõe uma abordagem crítica baseada na justiça cultural e na participação comunitária.

Discussão

As danças populares nordestinas, como a dança das lavadeiras, o bumba-meu-boi e as quadrilhas juninas, evidenciam a memória coletiva como força de resistência cultural. No entanto, há tensões entre o reconhecimento simbólico e a efetividade das políticas públicas. Embora avanços como o PNPI e a PNAB sejam relevantes, persistem lacunas na descentralização e participação comunitária, especialmente em territórios periféricos.

Conclusão

As manifestações culturais analisadas configuram-se como patrimônios vivos, reivindicando o direito à cultura e à cidadania. A efetivação desse direito exige políticas públicas participativas e sustentáveis, que fortaleçam as comunidades e rompam com práticas centralizadoras que invisibilizam saberes populares.

Contribuição / Impacto

O estudo contribui ao evidenciar o papel das manifestações culturais como dispositivos políticos de resistência e identidade. Destaca a necessidade de políticas públicas inclusivas e aponta caminhos para a co-gestão do patrimônio imaterial, ampliando debates sobre justiça cultural no Brasil.

Referências Bibliográficas

CASCUDO, Luís da Câmara. Folclore do Brasil. 8. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1954.
CORA, Maria Amélia Jundurian. Políticas públicas culturais no Brasil: dos patrimônios materiais aos imateriais. Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro, v. 48, n. 5, p. 1307‑1329, set./out. 2014.
HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Vértice, 1990.
ORNELAS, Gabriela V. B.; PEREIRA, Doralice B. Patrimônio cultural imaterial: contradições e reflexões no âmbito da cultura popular. Fórum Patrimônio, Belo Horizonte, v. 12, n. 1, p. 77‑93, 2017.
SANT’ANNA, Márcia. Patrimônio imaterial e políticas

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