Logo

Anais

Resumo do trabalho

Gestão Socioambiental · Sustentabilidade, Sociedade, Tecnologia e Inovação

Título

LACUNAS NAS COBERTURAS DE RISCOS CLIMÁTICOS: Uma análise das condições gerais das seguradoras Brasileiras

Palavras-chave

Risco Climático Cobertura Climática Seguro Climático

Autores

  • LUCAS VARELA DO AMARAL
    UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ (UNIVALI)
  • Anete Alberton
    UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ (UNIVALI)

Resumo

Introdução

A crescente frequência e intensidade de desastres relacionados ao clima têm exigido uma reavaliação urgente dos mecanismos de proteção e resiliência por parte de governos, empresas e comunidades. O setor de seguros, tradicionalmente focado na gestão e transferência de riscos, tornou-se central nas discussões sobre adaptação às mudanças climáticas. Estudos ressaltam a importância estratégica desse setor na mitigação das perdas socioeconômicas causadas por eventos extremos, como inundações, tempestades e incêndios florestais (Mills, 2009; Scholer & Schuermans, 2022; Lin et al., 2023)

Problema de Pesquisa e Objetivo

Lin et al. (2023) observaram que, apesar do crescimento nessa área, a pesquisa continua dominada por contribuições de países desenvolvidos. Há uma necessidade urgente de expandir os estudos em países em desenvolvimento para capturar a diversidade de experiências e contextos relacionados à adaptação climática.
Nesse cenário, o presente artigo investiga as lacunas de cobertura para riscos climáticos em contratos de seguros patrimoniais e agrícolas no Brasil, com foco no estado do Rio Grande do Sul em 2024.

Fundamentação Teórica

A lacuna de seguros é um dos principais desafios na gestão de riscos climáticos. O "seguro de risco climático" é um tipo de seguro concebido para mitigar perdas relacionadas com o clima e danos, incluindo perdas financeiras e outros riscos especialmente aqueles associados a eventos climáticos e meteorológicos extremos (Kousky, 2019). O mercado brasileiro ainda opera predominantemente com produtos tradicionais, seguros patrimoniais, agrícolas e comerciais que não se adaptam bem às novas dinâmicas de risco. Fatores como altos custos de prêmios, baixa alfabetização em seguros.

Metodologia

Esta pesquisa adotou uma abordagem qualitativa baseada em análise documental, com foco nos documentos normativos que regem os contratos de seguro no Brasil. As condições gerais são padronizadas e reguladas pela Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) e contêm as cláusulas que estabelecem os direitos e deveres entre segurados e seguradoras, incluindo as definições específicas de cobertura, exclusão e franquia dos produtos securitários. Por sua natureza normativa e oficial, esses documentos permitem a comparação direta e sistemática entre diferentes seguradoras que atuam sob o mesmo regime.

Análise dos Resultados

Os dados apresentados demonstram que, apesar da cobertura formal para diversos riscos climáticos, ainda existem lacunas significativas, indicando uma discrepância entre o risco real enfrentado e a proteção contratada. A frequente exclusão de riscos hidrológicos críticos, como inundações, principalmente nos setores residencial e comercial, é especialmente preocupante para o Rio Grande do Sul, que enfrenta regularmente eventos com impactos socioeconômicos substanciais.

Conclusão

Concluímos que, apesar da existência formal de cobertura para diversos riscos climáticos, como vendavais, furacões e granizo, ainda existem lacunas significativas, especialmente para riscos críticos como inundações, deslizamentos de terra e incêndios florestais. Esse cenário expõe um descompasso entre a realidade dos riscos enfrentados pelas populações e a proteção securitária efetivamente oferecida, o que reduz a capacidade do seguro de atuar como uma ferramenta eficaz para a adaptação climática.

Contribuição / Impacto

A exclusão securitária identificada tem implicações diretas para a justiça climática, pois as populações mais vulneráveis, particularmente aquelas situadas em áreas de alto risco e com menor capacidade contributiva, são as que possuem menos acesso a mecanismos formais de proteção. Essa situação perpetua desigualdades, aumentando a exposição e a vulnerabilidade dos grupos socialmente desfavorecidos diante de eventos extremos.
Outro ponto crítico apontado pela pesquisa é o marco regulatório brasileiro, que ainda não está totalmente alinhado às demandas impostas pelas mudanças climáticas.

Referências Bibliográficas

Mechler, R. et al. (2019). Science for Loss and Damage. Findings and Propositions. In: Mechler, R., Bouwer, L., Schinko, T., Surminski, S., Linnerooth-Bayer, J. (eds) Loss and Damage from Climate Change. Climate Risk Management, Policy and Governance. Springer, Cham. https://doi.org/10.1007/978-3-319-72026-5_1

Mills, E. (2009). A Global Review of Insurance Industry Responses to Climate Change. The Geneva Papers on Risk and Insurance, 34, 323–359. https://doi.org/10.1057/gpp.2009.14
Kousky, C., 2019. The role of natural disaster insurance in recovery and risk reduction. Ann. Rev. Res. Econo.

Navegação

Anterior Próximo