Anais
Resumo do trabalho
Estudos Organizacionais · Organizações Alternativas
Título
Territórios em disputa: violência e poder no contexto do MST nas publicações acadêmicas dos últimos 15 anos.
Palavras-chave
violência agrária
revisão temática integrativa
violência pró-capitalista
Agradecimento:
Agradecemos à CAPES pela oportunidade de nos dedicarmos à pesquisa e ao conhecimento, buscando promover e participar de discussões importantes para o desenvolvimento da sociedade e da ciência.\r\n
Autores
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Kellen Cristina de AbreuUNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)
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Jasmin Hristov
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José de Arimatéia Dias ValadãoUNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)
Resumo
Introdução
O MST luta por terra e reforma agrária no Brasil, enfrentando repressões desde sua criação por desafiar a primazia da propriedade privada no neoliberalismo. A violência agrária está ligada à expropriação de terras. Forças paramilitares, apoiadas por Estados e empresas, são usadas para remover populações rurais e favorecer o capital. Essa violência, conceituada neste artigo como violência pró-capitalista viabiliza a acumulação e sustenta o neoliberalismo via desapropriações e repressões no Sul Global.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Com essas considerações teóricas, o questionamento central desta revisão ganha forma: voltamo-nos para os tipos e as fontes de violência enfrentados pelas famílias camponesas vinculadas ao MST. Assim, a questão orientadora deste estudo é: o que a produção acadêmica tem discutido sobre violência no âmbito do MST? O objetivo, portanto, consiste em realizar uma revisão integrativa sobre a violência no contexto do MST, examinando suas formas de manifestação e os atores envolvidos, tomando por base teórica a violência pró-capitalista.
Fundamentação Teórica
A violência pró-capitalista (pro-capitalist violence), de Hristov (2021), é “um tipo de violência funcional para criar, facilitar ou restaurar condições para acumulação de capital” (Hristov; Bushra, 2022, p. 21). A violência pró-capitalista conduz à desapropriação de terras de comunidades indígenas, quilombolas e famílias camponesas em favor do agronegócio. Segundo o conceito, trata-se de um tipo de violência que “tem sido um instrumento essencial que permite a reestruturação agrária neoliberal dos países latinoamericanos através da desapropriação e da repressão” (Hristov, 2021, p. 130).
Discussão
Os artigos revisados neste estudo analisam o MST sob múltiplas perspectivas: sua luta pela terra, as violências sofridas (física e simbólica, estatal e paraestatal), sua resistência ao capitalismo e à colonialidade, e sua atuação na construção de memória coletiva. Destacam o impacto do movimento em áreas como educação, saúde e trabalho, e sua aposta em comunidades alternativas e saberes contra-hegemônicos. Também discutem estratégias como ocupações e mobilização jurídica, e o papel da União Democrática Ruralista (UDR) e do Estado na manutenção da violência e desigualdade no campo.
Conclusão
O MST desafia a lógica neoliberal ao lutar por terra e justiça social, sendo alvo de violências estruturais. A repressão contra o Movimento, como aponta a discussão à luz da violência pró-capitalista, não é mero desvio legal, mas parte de uma estratégia de acumulação de capital. Compreender a violência agrária como pró-capitalista permite revelar seus vínculos com o poder e a economia, desmistificando discursos que a associam exclusivamente ao crime organizado.
Contribuição / Impacto
Contribuímos para a discussão acadêmica da área de movimentos sociais e estudos organizacionais ao analisar a violência agrária como expressão da violência pró-capitalista, ampliando o entendimento sobre conflitos no campo. Ao evidenciar o papel de atores estatais e privados na expropriação de terras, propõe uma leitura crítica que conecta repressão, neoliberalismo e acumulação de capital, oferecendo subsídios teóricos para fortalecer lutas sociais e a justiça agrária no Sul Global.
Referências Bibliográficas
HRISTOV, Jasmin. Pro-Capitalist Violence and the Great Wave of Dispossession: Armed Actors and Agrarian Conflicts in Colombia, Mexico, and Honduras. Sociology of Development, v. 7, n. 2, p. 129-158, 2021.\r\n\r\nHRISTOV, Jasmin; BUSHRA, Laila. Theorizing non-state armed actors in the era of economic globalization: beyond the criminal and the terrorist. In: HRISTOV, Jasmin; SPRAGUE, Jeb; TAUSS, Aaron (Ed.). Paramilitary Groups and the State Under Globalization: Political Violence, Elites, and Security. Routledge, 2022.\r\n