Anais
Resumo do trabalho
Estudos Organizacionais · Simbolismos, Culturas e Identidades
Título
CÓDIGOS DA CONSPIRAÇÃO: CULTURA, COGNIÇÃO E A CONSTRUÇÃO DO SENTIDO
Palavras-chave
Crenças conspiratórias
Cultura
Cognição
Agradecimento:
Agradecemos ao Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de Pernambuco - PROPAD/UFPE e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq pelo investimento na pesquisa.
Autores
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Maria Izabel Ferreira AfonsoUNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)
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Antonio RoazziUNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)
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ANTONIO MASCARENHAS DA RESSURREIÇÃOUNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)
Resumo
Introdução
Ao longo de seu processo de transformação histórica, a cultura revela-se uma força ambivalente, operando simultaneamente como instrumento de dominação e de emancipação social (Eagleton, 2005). Essa ambiguidade revela-se especialmente pertinente ao se investigar o fenômeno das crenças conspiratórias, cuja disseminação, adesão e pervasividade têm sido abordadas majoritariamente sob enfoques psicológicos individuais, negligenciando o papel central da cultura como mediadora simbólica e estruturante desses discursos.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O presente artigo, constituído em um ensaio teórico, tem como objetivo central examinar os determinantes culturais que estimulam e sustentam a crença conspiracionista. Para tanto, problematiza-se o seguinte questionamento: Como os determinantes culturais moldam, sustentam e amplificam as crenças conspiracionistas?
Fundamentação Teórica
A aptidão para aceitar informações simbólicas transmitidas socialmente e tratá-las como reais constitui um dos pilares da evolução cultural (Harari, 2014) e está ligada a processos de cognição cultural mediados por símbolos e artefatos coletivos (Oyserman, 2019). As crenças conspiratórias, nesse sentido, revelam notável plasticidade cultural, adaptando-se a diferentes matrizes discursivas e espaços sociais, onde se articulam com a linguagem para conferir legitimidade a seus discursos (Forgas & Baumeister, 2019).
Discussão
As crenças conspiratórias detêm o poder de se enraizarem como vinhas, formando uma mentalidade conspiratória onde o endosso a uma teoria aumenta a propensão de aderir a outras, ainda que logicamente implausíveis (Forgas & Baumeister, 2019). Esse processo ganha ainda mais força diante do envolvimento de tradições culturais, posicionamentos religiosos, hibridismos culturais e, sobretudo, da conectividade digital proporcionada pelas redes sociais virtuais, que operam como vetores de disseminação e impregnação simbólica dessas crenças.
Conclusão
Crenças conspiratórias operam através da apropriação seletiva de códigos culturais, valores normativos e arquétipos religiosos, transformando-os em dispositivos de validação subjetiva e coesão grupal (Forgas & Baumeister, 2019). Nesse cenário, tais crenças não apenas se difundem com intensidade, mas, como observa Webb (2024), pulsam na cultura popular, sendo cada vez mais empregadas como base argumentativa em debates científicos, políticos e religiosos, domínios sensíveis nos quais seu potencial de desinformação e polarização se torna especialmente prejudicial.
Contribuição / Impacto
O texto oferece um ponto de partida valioso, iluminando a interface entre cultura e cognição, reafirmando a urgência de abordagens transdisciplinares que integrem análise crítica, escuta sociológica e sensibilidade simbólica. Espera-se, assim, que este trabalho inspire novas investigações, alimente debates plurais e contribua para o fortalecimento de uma cultura científica capaz de compreender, com profundidade e empatia, os caminhos pelos quais o ser humano busca sentido — mesmo quando esse sentido é tecido à sombra da conspiração.
Referências Bibliográficas
EAGLETON, T. A ideia de cultura. Unesp, 2005.
FORGAS, J.P., BAUMEISTER, R. (Eds.). The Social Psychology of Gullibility: Conspiracy Theories, Fake News and Irrational Beliefs. New York: Routledge, 2019.
HARARI, Y.N. Sapiens: A brief history of humankind. Random House, 2014.
OYSERMAN, D. Cultural fluency, mindlessness, and gullibility. In: FORGAS, J. P.; BAUMEISTER, R. F. (eds.), The social psychology of gullibility: Fake news, conspiracy theories, and irrational beliefs. New York: Routledge, 2019.
WEBB, J.B. (ed.). Conspiracy Theories: A Reference Handbook. New York: Bloomsbury Academic, 2024.
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WEBB, J.B. (ed.). Conspiracy Theories: A Reference Handbook. New York: Bloomsbury Academic, 2024.