Anais
Resumo do trabalho
Finanças · Decisões de Investimento Empresarial
Título
Análise da Influência da Propriedade Institucional sobre a Comunalidade na Liquidez
Palavras-chave
Comunalidade
Liquidez
Investidores Institucionais
Autores
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Cláudio Pilar da Silva JúniorUNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA (UFPB)
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Ivonaldo Vinícius de Melo FerreiraUNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA (UFPB)
Resumo
Introdução
A liquidez dos ativos é um pilar para a eficiência dos mercados financeiros. Um fenômeno relevante é a comunalidade na liquidez, a tendência de a liquidez de diferentes ações se mover de forma conjunta, muitas vezes por choques sistêmicos ou comportamento coletivo. Investidores institucionais, com seu grande volume de capital, podem influenciar essa dinâmica. Este estudo analisa a influência da propriedade institucional sobre a comunalidade na liquidez, preenchendo uma lacuna na literatura financeira brasileira.
Problema de Pesquisa e Objetivo
A questão de pesquisa é: qual a relação entre a propriedade institucional e a comunalidade na liquidez no mercado acionário brasileiro? O objetivo é analisar essa relação, partindo da suposição de que o comportamento coletivo de investidores institucionais, como o efeito manada, pode intensificar a correlação na liquidez dos ativos, tornando o mercado mais suscetível a choques sistêmicos e impactando as decisões de investimento e políticas regulatórias.
Fundamentação Teórica
A Teoria da Agência de Jensen e Meckling (1976) fundamenta o estudo, explicando os conflitos de interesse entre investidores (principais) e gestores de fundos (agentes). Esse desalinhamento pode levar a comportamentos como o efeito manada. A comunalidade, correlação na liquidez entre ativos, é influenciada por fatores macroeconômicos e pelo comportamento de investidores institucionais, que podem amplificar choques de liquidez, especialmente em mercados emergentes como o Brasil.
Metodologia
A amostra incluiu 238 ações listadas na B3 entre 2016 e 2023. Os dados foram coletados das bases da Thomson Reuters®, B3, CVM e ANBIMA. A comunalidade foi medida por um modelo de regressão em duas etapas. A influência institucional foi analisada via regressão em painel, usando a variável "Persistência" para capturar o efeito manada, controlando pelo valor de mercado e retorno dos ativos.
Análise dos Resultados
A comunalidade média no mercado brasileiro foi de 0,1899, superior à de mercados internacionais, indicando forte presença de fatores sistêmicos. O valor de mercado (VM) mostrou-se o preditor mais forte e positivo da comunalidade. A variável "Persistência", que mede o efeito manada institucional, apresentou um impacto negativo e estatisticamente significativo sobre a comunalidade, embora pequeno, sugerindo que o comportamento coletivo de venda pode reduzir a liquidez geral.
Conclusão
O estudo conclui que a comunalidade na liquidez é um fenômeno relevante no Brasil, superando níveis de mercados desenvolvidos. A propriedade institucional, medida pelo efeito manada, influencia de forma negativa, mas limitada, a comunalidade. Adicionalmente, constatou-se que o efeito manada de compra está associado à redução no impacto da comunalidade, enquanto o de venda indica aumento. Os achados indicam que o comportamento coletivo dos fundos, embora com impacto prático moderado, contribui para a formação de padrões de liquidez conjunta.
Contribuição / Impacto
O estudo avança na literatura ao investigar a relação entre propriedade institucional e comunalidade em um mercado emergente. Os achados deste estudo contribuem para a literatura ao evidenciar o papel dos investidores institucionais no mercado brasileiro e sua influência sobre a liquidez agregada. Também fornecem subsídios práticos para investidores e reguladores, reforçando a importância de monitorar a comunalidade da liquidez como indicador de risco e potencial instabilidade.
Referências Bibliográficas
Borges, E., & Martelanc, R. (2019). O impacto do investidor institucional no preço das ações.
Chordia, T., Roll, R., & Subrahmanyam, A. (2000). Commonality in Liquidity. Journal of Financial Economics.
Dasgupta, A., Prat, A., & Verardo, M. (2011). The price of conformity: Herding and feedback in institutional investment. Journal of Financial Economics.
Jensen, M. C., & Meckling, W. H. (1976). Theory of the firm: Managerial behavior, agency costs and ownership structure. Journal of Financial Economics.
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