Anais
Resumo do trabalho
Estudos Organizacionais · Aprendizagem nas Organizações
Título
A FACILIDADE DE USO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL GENERATIVA COMO PROMOTORA DA PROPENSÃO À APRENDIZAGEM SUPERSTICIOSA
Palavras-chave
Feedback tardio
Feedback ambíguo
Falta de reflexão
Agradecimento:
O primeiro autor é Bolsista do Fundo Mackenzie de Pesquisa e Inovação (Mackpesquisa). O segundo autor é Bolsista PQ do CNPq – Brasil.
Autores
-
Walter Shuiti KussanoUNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE (MACKENZIE)
-
Diógenes de Souza BidoUNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE (MACKENZIE)
Resumo
Introdução
O processo de letramento em IA envolve competências para avaliar criticamente a tecnologia, interagir e colaborar com a IA e utilizá-la no dia a dia, habilidades essenciais para se adaptar a um mundo influenciado pela IA. Entretanto, essas ferramentas, apresentam um alto nível de incerteza devido às suas capacidades abrangentes e à evolução exponencial, sendo necessária atenção na sua adoção e utilização, pois, nem toda aprendizagem leva ao aprimoramento desejado e em alguns casos, pode resultar em conclusões equivocadas, decisões ineficazes e resultados abaixo do esperado.
Problema de Pesquisa e Objetivo
A aprendizagem supersticiosa (AS) ocorre quando a “experiência subjetiva de aprendizado é convincente, mas as conexões que o indivíduo fez entre as causas e os efeitos não são corretas” (Levitt & March, 1988, p.355). Dada a impossibilidade de mensurar a AS em si, esse artigo tem o objetivo de definir a propensão à aprendizagem supersticiosa (PAS), operacionalizando-a como um construto multidimensional composto pelo: excesso de confiança, ilusão do controle, falta de reflexão, feedback ambíguo, feedback tardio, e facilidade de utilização das ferramentas de inteligência artificial generativas.
Fundamentação Teórica
O referencial teórico define os construtos, justifica e estabelece onze hipóteses, sendo destacadas as seguintes:
- A percepção de facilidade de uso das ferramentas de inteligência artificial generativas influencia positivamente a falta de reflexão, a ilusão de controle e o excesso de confiança (H4, H5, H6).
- A falta de reflexão, a ilusão de controle e o excesso de confiança influenciam negativamente o desempenho individual no trabalho (H9., H10, H11).
- A percepção de facilidade de uso das ferramentas de inteligência artificial generativas influencia positivamente a falta de reflexão, a ilusão de controle e o excesso de confiança (H4, H5, H6).
- A falta de reflexão, a ilusão de controle e o excesso de confiança influenciam negativamente o desempenho individual no trabalho (H9., H10, H11).
Metodologia
O método de pesquisa foi a quantitativa, utilizando dados coletados por meio de um instrumento elaborado no sistema Microsoft forms e analisados por meio do software SmartPLS 4. O instrumento de coleta de dados é composto por 59 itens. O perfil definido para a coleta de dados foi: profissionais com mais de 5 anos de experiência atuando preferencialmente como gestores, especialistas ou como empresários empreendedores e que utilizem no seu trabalho ferramentas de IA generativa (ChatGPT, Microsoft Copilot, Gemini). Foram coletados 95 questionários válidos.
Análise dos Resultados
As cinco dimensões da PAS apresentaram validade convergente, discriminante e confiabilidade adequadas. Das onze hipóteses, sete foram confirmadas, destacando-se: Apesar da ambiguidade e incerteza do ambiente aumentar a ambiguidade do feedback (H1, β = 0.586; p < 0.01, f² = 0.52) ela não apresentou relação significante com o feedback tardio (H2). O que pode ser interpretado como a necessidade de se decidir em determinando momento, com as informações que estiverem disponíveis, mesmo que sejam ambíguas.
Conclusão
Esses resultados são interessantes, porque, independente dos níveis de ilusão de controle e excesso de confiança de seus gestores, a organização pode tomar providências no sentido de melhorar seus feedbacks (aumentar sua tempestividade e diminuir a ambiguidade). Talvez com a promoção de discussões entre os gestores e sua equipe, aumente a probabilidade de se obter esses resultados, também promovendo a reflexão, de modo que o conjunto dessas ações minimize a ocorrência da aprendizagem supersticiosa e melhore o desempenho de todos os participantes.
Contribuição / Impacto
- Contribuição para a academia: O estudo definiu e operacionalizou o construto multidimensional “propensão à aprendizagem supersticiosa”.
- Contribuição gerencial: O instrumento desenvolvido nesta pesquisa pode ser usado para fins diagnósticos, para identificar situações em que há maior probabilidade de ocorrência da AS, mas também como uma diretriz para que a organização tome providências para melhorar seus feedbacks, promover discussões e reflexão entre os gestores e sua equipe, de modo que o conjunto dessas ações minimize a ocorrência da AS e melhore o desempenho de todos os participantes.
- Contribuição gerencial: O instrumento desenvolvido nesta pesquisa pode ser usado para fins diagnósticos, para identificar situações em que há maior probabilidade de ocorrência da AS, mas também como uma diretriz para que a organização tome providências para melhorar seus feedbacks, promover discussões e reflexão entre os gestores e sua equipe, de modo que o conjunto dessas ações minimize a ocorrência da AS e melhore o desempenho de todos os participantes.
Referências Bibliográficas
Heimeriks, K. H. (2010). Confident or Competent? How to Avoid Superstitious Learning in Alliance Portfolios. Long Range Planning, 43(1), 57–84.
Levitt, B. & March, J. G. (1988). Organizational learning. Annual Review of Sociology, 14, 319–340.
Rahmandad, H. & Gary, M. S. (2023). Delays Impair Learning and Can Drive Convergence to Inefficient Strategies. Organization Science, 34(6), 2392–2414.
Zollo, M. (2009). Superstitious learning with rare strategic decisions: Theory and evidence from corporate acquisitions. Organization Science, 20(5), 894–908.
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Zollo, M. (2009). Superstitious learning with rare strategic decisions: Theory and evidence from corporate acquisitions. Organization Science, 20(5), 894–908.