Anais
Resumo do trabalho
Gestão de Pessoas · Relações de Trabalho
Título
ENTRE GRADES E ESCRITÓRIOS: Análise do Filme 'Carandiru' e a Ideia de uma Institucionalidade Total Difusa
Palavras-chave
Cinema
Poder
Instituições Totais
Autores
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Marianna Docha TheóphiloUNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS (UNIMONTES)
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Felipe Fróes CoutoUNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS (UNIMONTES)
Resumo
Introdução
Este estudo analisa o filme Carandiru com base na teoria das instituições totais de Goffman, investigando como práticas prisionais — como vigilância, disciplina e mortificação do eu — também operam nas organizações capitalistas contemporâneas. A partir da análise fílmica, propõe-se o conceito de “institucionalidade total difusa”, em que o controle não depende de grades, mas atua de forma simbólica e internalizada, naturalizando a dominação sob discursos de mérito, cultura organizacional e produtividade.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O estudo parte da seguinte questão: de que modo práticas organizativas próprias das instituições totais, como aquelas retratadas no filme Carandiru, estão presentes em organizações capitalistas contemporâneas? O objetivo é realizar uma análise hermenêutica da obra cinematográfica com base na teoria de Goffman, buscando compreender como mecanismos de controle, disciplina e vigilância, antes associados a instituições fechadas, operam hoje de forma sutil, simbólica e naturalizada nas estruturas corporativas.
Fundamentação Teórica
O estudo utilizou o conceito de instituições totais de Erving Goffman, caracterizadas por ambientes fechados, controle rígido, padronização de condutas e mortificação do eu. De Michel Foucault, adotou-se a noção de poder disciplinar, vigilância constante, normatização de comportamentos e produção de verdades. De Pierre Bourdieu, incorporou-se o conceito de violência simbólica, entendida como dominação naturalizada por meio de símbolos, linguagem e práticas sociais, internalizada pelos próprios sujeitos.
Metodologia
A pesquisa é qualitativa, descritiva e documental, utilizando a análise fílmica como método principal. O objeto de estudo é o filme Carandiru (2003), analisado com base em categorias teóricas definidas previamente, inspiradas nos conceitos de Goffman e Foucault. Foram selecionadas cenas-chave e examinados seus elementos visuais e discursivos. A análise buscou identificar mecanismos de controle e disciplina no presídio e compará-los a práticas gerenciais contemporâneas, revelando paralelos simbólicos entre prisão e organização.
Análise dos Resultados
A análise do filme Carandiru evidenciou a presença de mecanismos de controle típicos de instituições totais em contextos organizacionais contemporâneos. Cenas-chave revelaram práticas como vigilância permanente, padronização de condutas, mortificação do eu, barreiras simbólicas e internalização de papéis subalternos. Essas dinâmicas, embora não explícitas, operam nas empresas por meio de discursos meritocráticos e de cultura organizacional. O estudo propõe o conceito de “institucionalidade total difusa” para descrever essa forma sutil, simbólica e internalizada de dominação corporativa.
Conclusão
O estudo conclui que práticas de controle, vigilância e padronização, antes associadas a instituições fechadas, manifestam-se de forma sutil e legitimada nas organizações contemporâneas. Através do conceito de institucionalidade total difusa, evidencia-se como a dominação opera sobre a subjetividade dos trabalhadores, naturalizando condutas e enfraquecendo a autonomia. O uso do cinema como método revelou essas dinâmicas simbólicas, contribuindo para os Estudos Organizacionais ao ampliar a compreensão crítica sobre o poder nas empresas e suas implicações para a saúde e identidade dos sujeitos.
Contribuição / Impacto
O artigo contribui ao campo dos Estudos Organizacionais ao propor o conceito de “institucionalidade total difusa”, ampliando a compreensão das formas contemporâneas de dominação simbólica nas empresas. Ao utilizar o cinema como recurso metodológico, a pesquisa inova ao revelar, de forma estética e analítica, práticas organizacionais que naturalizam o controle e a submissão. O estudo impacta por evidenciar como ambientes corporativos reproduzem lógicas disciplinares típicas de instituições totais, comprometendo a autonomia, a saúde mental e a identidade dos trabalhadores.
Referências Bibliográficas
FOUCAULT, M. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. 35. ed. Petrópolis: Vozes, 2008.
GOFFMAN, E. Manicômios, prisões e conventos. Tradução de Dante Moreira Leite. 7. ed. São Paulo: Perspectiva, 2001.
OLTRAMARI, A. P.; LOPES, F. T. Cinema, trabalho, organizações e sociedade: possibilidades e formação em Administração. In: Anais do Congresso Brasileiro de Estudos Organizacionais, 2016.
VARELLA, D. Estação Carandiru. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.
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