Anais
Resumo do trabalho
Empreendedorismo · Redes de Empreendedores, Desenvolvimento Regional e Microempreendedorismo
Título
“TEM QUE AJUDAR UMAS ÀS OUTRAS”: COLABORAÇÃO ENTRE MULHERES EMPREENDEDORAS RURAIS EM MIROLÂNDIA
Palavras-chave
Empreendedorismo Rural Feminino
Práticas Colaborativas
Economia Solidária
Autores
-
Alline LeônidasINSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO PIAUÍ (IFPI)
-
Luíza Chiarelli Barbosa FrançaUNIVERSIDADE POSITIVO (UP)
-
Aline dos Santos BarbosaInstituto de Desenvolvimento Educacional FGV/IDE
Resumo
Introdução
A cajucultura tem relevância socioeconômica no Nordeste brasileiro, mas o protagonismo feminino nesse setor ainda é subvalorizado. Este estudo analisa como mulheres empreendedoras da comunidade rural de Mirolândia (PI) constroem e sustentam seus negócios na cajucultura por meio de práticas colaborativas. Com base em abordagem qualitativa, identificaram-se três dimensões principais: divisão do trabalho, gestão do comércio e busca por segurança coletiva, destacando o papel das mulheres na sustentabilidade e inovação no meio rural.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Neste artigo, propõe-se analisar de que forma as mulheres empreendedoras da comunidade rural de Mirolândia, em Picos do Piauí, constroem e sustentam seus empreendimentos na cajucultura a partir de práticas colaborativas. A análise centra-se na compreensão do empreendedorismo feminino em contextos rurais como um fenômeno coletivo, territorializado e situado, onde a colaboração entre pares desempenha papel decisivo para o enfrentamento de vulnerabilidades, acesso a mercados e fortalecimento da sustentabilidade dos empreendimentos (Ferreira, Bohnenberger & Schmidt, 2022; Guedes et al., 2023).
Fundamentação Teórica
A cajucultura é vital no Nordeste, gerando renda, emprego e resistindo à escassez hídrica. No Piauí, destaca-se a produção em Picos. Apesar disso, o papel das mulheres no setor é pouco visível e subexplorado. Apenas 7% das Donas de Negócio atuam no agro, mas a liderança feminina rural cresce. Estudos apontam que a igualdade de gênero ampliaria a produtividade agrícola. O empreendedorismo feminino rural, pautado em redes de apoio, saberes tradicionais e práticas colaborativas, revela-se estratégico, mesmo diante da precariedade institucional e da invisibilidade histórica no campo.
Metodologia
A relevância deste estudo reside na possibilidade de dar visibilidade às estratégias de resistência, solidariedade e inovação protagonizadas por mulheres que historicamente foram excluídas do debate sobre desenvolvimento rural e empreendedorismo. Com base em uma abordagem qualitativa, foram utilizadas entrevistas semiestruturadas, observação direta e análise de documentos primários como fontes de dados, analisadas por meio de codificação, segundo o modelo de Yin (2016).
Análise dos Resultados
A triangulação das fontes – entrevistas, fotografias, vídeos, artefatos organizacionais e observações diretas – possibilitou uma visão mais abrangente e aprofundada do contexto, favorecendo a construção de um entendimento robusto sobre as dinâmicas de colaboração no empreendedorismo rural feminino. Assim, permitiu identificar três dimensões principais das práticas colaborativas desenvolvidas pelas empreendedoras: (i) a divisão do trabalho com complementação de renda; (ii) a gestão do comércio e atendimento ao cliente; e (iii) a busca por segurança coletiva.
Conclusão
Essa colaboração permite às empreendedoras atuar de forma coletiva diante de um ambiente competitivo e, por vezes, hostil, especialmente em função das vulnerabilidades estruturais enfrentadas por mulheres em contextos rurais. As três dimensões analisadas, divisão do trabalho com complementação de renda, gestão comercial e atendimento ao cliente, e segurança coletiva, revelam que as redes colaborativas fortalecem a economia local, consolidam o protagonismo feminino e promovem o desenvolvimento social da comunidade.
Contribuição / Impacto
As principais contribuições deste estudo consistem em destacar o protagonismo feminino no empreendedorismo rural brasileiro, especificamente no contexto do beneficiamento e comercialização da castanha de caju; identificar e caracterizar as dinâmicas colaborativas predominantes nesse cenário; e analisar os impactos sociais gerados por essa atividade econômica na comunidade de Mirolândia. Trata-se, portanto, de um modelo de organização produtiva enraizado em práticas de solidariedade, reciprocidade e pertencimento territorial.
Referências Bibliográficas
Araujo, A. L.; Fahd, P. G. (2022). A controladoria e as objeções em empreendimentos de economia solidária quanto a gestão: um estudo exploratório. Revista P2P e INOVAÇÃO, v. 9, n. 1, 2022.
Ferreira, K. R.; Bohnenberger, M. C.; Schmidt, S. (2022). A colaboração como alternativa para minimizar as barreiras encontradas pelas mulheres empreendedoras. XLVI Encontro da ANPAD - EnANPAD, 2022.
Guedes, A., Neto, E., Pacheco, C. S., Santos, M., Cocozza, F. (2023). Empreendedorismo rural feminino e agroecologia: Female rural entrepreneurship and agroecology. Revista Semiárido De Visu.
Ferreira, K. R.; Bohnenberger, M. C.; Schmidt, S. (2022). A colaboração como alternativa para minimizar as barreiras encontradas pelas mulheres empreendedoras. XLVI Encontro da ANPAD - EnANPAD, 2022.
Guedes, A., Neto, E., Pacheco, C. S., Santos, M., Cocozza, F. (2023). Empreendedorismo rural feminino e agroecologia: Female rural entrepreneurship and agroecology. Revista Semiárido De Visu.