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Anais

Resumo do trabalho

Estudos Organizacionais · Diversidade, Diferença e Inclusão nas Organizações

Título

Barateamento das vidas trans: o conceito de Vidas Baratas e a transfobia no Brasil

Palavras-chave

Vidas Baratas pessoas trans transfobia
Agradecimento: O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES)

Autores

  • ZERO DALMASO CARMONA
    UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA (UEL)

Resumo

Introdução

Moore e Patel (2018) destacam como o capitalismo, junto com as normas sociais e científicas, transforma elementos como natureza, trabalho e vidas em commodities, perpetuando desigualdades. A era do Capitaloceno evidencia essa interdependência entre exploração econômica, desigualdade social e destruição ambiental, e como as vidas trans são particularmente vulneráveis nesse contexto, sendo vistas como "descartáveis" por não se encaixarem nos padrões de gênero “tradicionais”, e gerando preconceito e violência.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Ao utilizar o conceito de Vidas Baratas de Jason Moore na discussão das violências contra pessoas trans no Brasil, buscou-se pensar: de que forma a violência registrada nos últimos anos contra pessoas trans se conecta com a estrutura de exploração e precarização de vidas segundo Jason Moore? O objetivo foi o de abordar como o barateamento da vida de pessoas trans as empurram para situações de risco e marginalização, e como essas condições precárias e a violência reforçam a percepção social de "vidas baratas" por meio da vulnerabilidade social e econômica.

Fundamentação Teórica

O capitalismo separa as pessoas/sociedade da natureza a ser explorada, utilizando de diferenças naturais para divulgar a ideia de que algumas pessoas são inferiores. Patel e Moore (2018) denominam como “Barato” um conjunto de estratégias utilizadas para controlar uma rede de vidas, as transformando em circuitos de produção e consumo, uma estratégia do capitalismo que reduz a valorização da vida humana para maximizar lucros. Essa lógica de barateamento contribui para crises sociais e ecológicas, perpetuando desigualdades e explorando populações marginalizadas.

Discussão

A ANTRA identificou, em 2023, 155 casos de assassinatos de pessoas trans no Brasil. Em 2024, o Brasil seguiu pelo 17º ano no topo desses assassinatos, com 30% dos casos globais (TGEU). As vidas trans, são socialmente deslegitimadas, patologizadas e marginalizadas, empurradas para situações de risco, violência e exclusão econômica, por uma lógica de valorização do lucro sobre a dignidade humana. Mundialmente a transfobia tem aumentado, impulsionada pelos discursos de ódio contra pessoas trans, agendas transfóbicas, e pelo despreparo das leis e políticas contra a violência de ódio.

Conclusão

O conceito de "vidas baratas" pode ser utilizado para entender a violência e a discriminação enfrentadas pelas pessoas trans no Brasil estão profundamente enraizadas em estruturas sociais e culturais que promovem a desvalorização da vida dessas pessoas, enquanto sustentam o capitalismo, o racismo, o patriarcado e a cisnormatividade. É fundamental reconhecer a interseccionalidade dessas opressões e a relação entre capitalismo, cultura machista e desigualdades para combater essas violências e promover uma sociedade mais justa e inclusiva.

Contribuição / Impacto

O conceito de "Vidas Baratas" permite uma análise crítica das estruturas que sustentam a violência e exclusão das pessoas trans, relacionando-as às dinâmicas do capitalismo e das desigualdades sociais. Ao mesmo tempo em que evidencia que as condições de risco e marginalização enfrentadas por pessoas trans não são isoladas, mas resultam de uma lógica estrutural de exploração e precarização impulsionada pelo capitalismo, que reforça estigmas e vulnerabilidades sociais e econômicas.

Referências Bibliográficas

BENEVIDES, B. G. (Org.). Dossiê assassinatos e violências contra travestis e transexuais brasileiras em 2023. Brasília: Distrito Drag, ANTRA, 2024.
PATEL, R.; MOORE, J. W. A História do Mundo em Sete Coisas Baratas: um guia sobre capitalismo, natureza e o futuro do planeta. Tradução por Alberto Gomes. Lisboa: Editorial Presença, 2018.
TERÁ o ciclo de violência alguma vez fim? O projeto de Monitorização de Homicídios Trans da TGEU ultrapassa 5.000 casos. TGEU, 13 nov. 2024.

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