Anais
Resumo do trabalho
Marketing · Comportamento do Consumidor
Título
DO ANALÓGICO AO DIGITAL: Significados e Transformações no Consumo da Fotografia Pessoal
Palavras-chave
Fotografia pessoal
Consumo
Significado simbólico
Agradecimento:
Projeto Lagoa Viva da Companhia de Desenvolvimento de Maricá- CODEMAR
Autores
-
Ana Lúcia Silva de Moraes RibeiroUNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (UFF)
-
Camila Braga Soares PintoFACC/UFJF e PPGAd/UFF
-
DEBORA BOGEA DA COSTA TAYT SONUNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (UFF)
Resumo
Introdução
A fotografia desempenha um papel importante na sociedade (Hand, 2012). O ato de fotografar vai além de uma atividade cotidiana (Niese; Libby; Eibach, 2024) estando vinculado a práticas que busquem construir e reafirmar identidades através da captura de momentos (Dijck, 2008). A transição do analógico para o digital envolve novidades (Hand, 2012) e a disseminação do uso de dispositivos digitais, em conjunto com a conectividade à internet, tem promovido alterações na estrutura da fotografia, em suas funções e nos significados que lhe são atribuídos no contexto cultural do consumo (Hand, 2012).
Problema de Pesquisa e Objetivo
A fotografia passou por intensas reformulações nas últimas décadas (Pérez, 2022), refletindo um contexto de mudanças culturais que influenciam o comportamento e o consumo, seja por desejo pessoal ou pressões culturais (Slater, 2002). Diante disso, busca-se com essa pesquisa responder a seguinte pergunta: como aqueles que acompanharam essas inovações percebem as transformações além do seu aspecto funcional, mas por meio de uma análise dos significados no consumo de ambas as tecnologias?
Fundamentação Teórica
O ato de consumir transcende a simples aquisição de produtos ou serviços (Levy, 1959). Um mesmo produto pode ser consumido de várias maneiras por diferentes grupos (Holt, 1995). A fotografia é consumida como informação visual que comunica significados e memórias (Belk, 2013). Mais que representação objetiva, a fotografia carrega conceitos, intenções e subjetividades do fotógrafo, funcionando como meio de expressão individual (Flusser, 2009). O consumo de fotografias é ativo e emocional, envolvendo práticas cotidianas, experiências e, por vezes, dimensões artísticas (Hand, 2012).
Metodologia
Trata-se de um estudo qualitativo de natureza interpretativista que visa compreender os significados simbólicos atribuídos ao consumo da fotografia pessoal, tanto analógica quanto digital. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas em profundidade com 10 respondentes (120 minutos, aproximadamente), com posterior análise temática (Braun & Clarke, 2006) para compreensão dos dados. Os participantes foram selecionados seguindo os critérios de idade (mais de 35 anos e que transicionaram da fotografia pessoal analógica para a digital), hábito de registro e preservação das imagens.
Análise dos Resultados
Como resultado, identificou-se que o consumo da fotografia pode ser separado em dois temas. O primeiro, “Manuseio e memórias”, refere-se a fotografia analógica sendo estruturado por subtemas como vivências pessoais, vestígios de formação, laços e pertencimento. Esses subtemas revelam significados relacionados, por exemplo, à nostalgia e lembranças. O segundo, “Conexões virtuais”, diz respeito à fotografia digital, com os subtemas narrativas em rede, construção virtual, olhar do outro e interações virtuais. Tais categorias evidenciam aspectos como banalização e idealização de si, por exemplo.
Conclusão
Esse estudo mostrou que a passagem do analógico ao digital não representou uma substituição linear ou um abandono de práticas anteriores. Em vez disso, observou-se a coexistência e a complementaridade de regimes de consumo fotográfico. As memórias dos entrevistados revelaram que a fotografia analógica continua sendo valorizada por atributos como materialidade, seletividade, raridade e carga afetiva. Em contraste, a fotografia digital democratizou o registro imagético, tornando-o instantâneo, acessível e amplamente compartilhável.
Contribuição / Impacto
O estudo também evidenciou tensionamentos e paradoxos nessa transição tecnológica. Apesar de celebrar a conveniência e a abundância das imagens digitais, os entrevistados expressaram incômodos com a sobrecarga informacional e a dificuldade de organizar, selecionar e rememorar suas memórias digitais. Outro achado relevante foi o papel afetivo da fotografia no fortalecimento de laços sociais e familiares. Por último, emergiram marcadores sociais — como classe e geração — que modulam o acesso, a apropriação e o valor atribuído às práticas fotográficas.
Referências Bibliográficas
BARTHES, R. A câmara clara: nota sobre fotografia. Tradução de Júlio Castañon Guimarães. Rio Janeiro: Nova Fronteira, 1984.
BELK, Russell W. Extended Self in a Digital World. Journal of Consumer Research, v. 40, n. 3, p. 477–500, 2013. JSTOR. DOI: https://doi.org/10.1086/67105
FLUSSER, Vilém. O mundo codificado: por uma filosofia do design e da comunicação. Organizado por Rafael Cardoso. Tradução de Raquel Abi-Sâmara. São Paulo: Cosac Naify, 2007.
HOLT, Douglas B. How consumers consume: A typology of consumption practices. Journal of consumer research, v. 22, n. 1, p. 1-16, 1995.
BELK, Russell W. Extended Self in a Digital World. Journal of Consumer Research, v. 40, n. 3, p. 477–500, 2013. JSTOR. DOI: https://doi.org/10.1086/67105
FLUSSER, Vilém. O mundo codificado: por uma filosofia do design e da comunicação. Organizado por Rafael Cardoso. Tradução de Raquel Abi-Sâmara. São Paulo: Cosac Naify, 2007.
HOLT, Douglas B. How consumers consume: A typology of consumption practices. Journal of consumer research, v. 22, n. 1, p. 1-16, 1995.