Anais
Resumo do trabalho
Administração Pública · Governança, Ação Pública e Políticas Públicas
Título
DESAFIOS DAS POLÍTICAS PÚBLICAS NA SAÚDE MATERNO-INFANTIL ENTRE MULHERES INDÍGENAS DO PARQUE DAS TRIBOS (MANAUS-AM)
Palavras-chave
Interculturalidade
Políticas públicas
Saúde indígena
Autores
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Ana Paula de Oliveira BenficaUNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS (UFAM)
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Sérgio Augusto Tôrres MendesUNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS (UFAM)
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Manoel Carlos de Oliveira JuniorUNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS (UFAM)
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KARINA MEDEIROS PIRANGY DE SOUZA
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HILMAR TADEU CHAVESUNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS (UFAM)
Resumo
Introdução
O estudo analisou os desafios no acesso à saúde materno-infantil entre mulheres indígenas do Parque das Tribos (Manaus-AM), avaliando a efetividade das políticas públicas entre 2016 e 2023. A pesquisa adota métodos mistos e fundamenta-se nas teorias da Dissonância Cognitiva e do Modelo de Resposta Hierárquica. Os dados revelam a escassez de profissionais, longas esperas, desrespeito às práticas culturais e falhas na execução dos PPAs. Como solução, propõe formação intercultural de profissionais, cogestão com participação comunitária e monitoramento por indicadores culturalmente sensíveis.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Em contextos de vulnerabilidade indígena urbana, quais são os desafios enfrentados pelas mulheres indígenas do Parque das Tribos no acesso à saúde materno-infantil, e como as políticas públicas têm respondido a essas demandas culturais e estruturais?
Esta pesquisa tem como objetivo avaliar os desafios no acesso à saúde materno-infantil entre mulheres indígenas do Parque das Tribos (Manaus-AM), com três focos principais: analisar o contexto cultural e social, avaliar a efetividade das políticas públicas (PPAs 2016-2023), e propor recomendações baseadas nas percepções das mulheres indígenas.
Esta pesquisa tem como objetivo avaliar os desafios no acesso à saúde materno-infantil entre mulheres indígenas do Parque das Tribos (Manaus-AM), com três focos principais: analisar o contexto cultural e social, avaliar a efetividade das políticas públicas (PPAs 2016-2023), e propor recomendações baseadas nas percepções das mulheres indígenas.
Fundamentação Teórica
A fundamentação teórica analisa os desafios da interculturalidade nas políticas públicas de saúde para comunidades indígenas, destacando a diversidade cultural e os modos distintos de organização social entre grupos como os Tikuna e Tuyuka. A crítica ao modelo biomédico é sustentada por autores como Cunha (2009) e Langdon & Diehl (2007), que apontam a desarticulação das práticas estatais com os saberes tradicionais. O estudo enfatiza a necessidade de superar a homogeneização das ações de saúde, promovendo diálogo, escuta ativa e respeito às epistemologias indígenas.
Metodologia
A pesquisa adota uma abordagem mista, combinando métodos qualitativos e quantitativos para avaliar os desafios da saúde materno-infantil entre mulheres indígenas do Parque das Tribos (Manaus-AM). Foram realizadas entrevistas com 15 mulheres indígenas em idade fértil, utilizando formulários estruturados com perguntas fechadas e abertas. A amostragem foi por conveniência. Os dados foram analisados por estatísticas descritivas e análise de conteúdo (Bardin, 2020), permitindo compreender tanto os aspectos objetivos quanto as percepções culturais das participantes sobre os serviços de saúde.
Análise dos Resultados
Os resultados revelam que 73,3% das mulheres indígenas do Parque das Tribos enfrentam dificuldades no acesso à saúde, com 33,3% aguardando mais de 3 horas por atendimento, apesar da presença da UBS. Apenas 26,7% se sentem culturalmente acolhidas. A avaliação da qualidade do serviço é predominantemente negativa e há desprezo pelas práticas tradicionais. As entrevistadas propõem maior integração entre saberes indígenas e biomédicos, formação intercultural de profissionais e inclusão comunitária na gestão. As metas dos PPAs não foram cumpridas, indicando a inefetividade das políticas públicas.
Conclusão
A pesquisa conclui que, apesar da presença da UBS no Parque das Tribos, mulheres indígenas enfrentam barreiras estruturais e culturais no acesso à saúde materno-infantil. A carência de profissionais, longas esperas e desvalorização dos saberes tradicionais revelam falhas nas políticas públicas. O estudo propõe três eixos para transformação: formação intercultural dos profissionais, cogestão comunitária e integração entre saberes biomédicos e indígenas. A fala "Precisamos de saúde que enxergue nossa humanidade" sintetiza a urgência de um sistema equitativo e culturalmente sensível.
Contribuição / Impacto
O estudo contribui ao evidenciar as barreiras que mulheres indígenas enfrentam na saúde materno-infantil em contexto urbano, revelando contradições entre políticas públicas e a realidade local. Sua principal contribuição é dar voz às mulheres do Parque das Tribos, demonstrando a urgência de práticas interculturais e gestão participativa. Os impactos incluem o fortalecimento do debate sobre equidade no SUS, a valorização dos saberes indígenas e a proposição de ações concretas para um sistema de saúde mais justo, plural e sensível às especificidades culturais.
Referências Bibliográficas
ALMEIDA, N. R. Produção científica sobre saúde indígena na Biblioteca Virtual em Saúde Brasil (BVS): um estudo bibliométrico. 2021.
BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2020.
CUNHA, M. C. Cultura com aspas e outros ensaios. São Paulo: Cosac Naify, 2009.
FESTINGER, L. A theory of cognitive dissonance. Stanford: Stanford University Press, 1957.
LANGDON, E. J.; DIEHL, E. E. Participação e autonomia nos espaços interculturais de saúde indígena: reflexões a partir do sul do Brasil. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 16, p. 19-36, 2007.
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