Anais
Resumo do trabalho
Gestão de Pessoas · Bem-Estar e Mal-Estar no Trabalho
Título
ÓCIOS DO OFÍCIO: REVISÃO SISTEMÁTICA E AGENDA DE PESQUISA SOBRE A SÍNDROME DE BOREOUT
Palavras-chave
Síndrome de Boreout
Saúde Ocupacional
Tédio no Trabalho
Autores
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Alline Vasconcelos de Moraes Mello Cavalcanti NegrinhoUNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ (UFPI)
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Thiago Assunção de MoraesUNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ (UESPI)
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Leonardo PinheiroUNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ (UFPI)
Resumo
Introdução
Em um contexto de alta valorização da produtividade, o Boreout é uma doença ocupacional negligenciada frente ao Burnout. Caracterizado pelo tédio crônico, falta de propósito e estagnação (Stock, 2015, 2016), este fenômeno organizacional gera prejuízos à saúde mental do trabalhador e à eficiência organizacional. Nesse contexto, os trabalhadores que sentem frustração e entendem que seus talentos são subutilizados (Jessurun et al., 2020). O Boreout tem sido debatido desde 2007 e manifesta-se tanto em organizações públicas quanto privadas (Ramírez; Gómez; Riaño, 2017).
Problema de Pesquisa e Objetivo
Apesar de ser um problema sério e real, o Boreout ainda é um assunto seminal, pouco abordado em pesquisas empíricas e está em seu estágio inicial de desenvolvimento (Stock, 2015, 2016; Abubakar et al., 2021; Karatepe; Kim, 2020). Assim, tem-se o seguinte problema de pesquisa: Como a literatura científica tem tratado a Síndrome de Boreout e quais lacunas permanecem em relação à sua definição, causas, consequências e estratégias de enfrentamento? Este estudo tem como objetivo sistematizar as pesquisas já realizadas acerca da Síndrome de Boreout.
Fundamentação Teórica
A Síndrome de Boreout, proposta por Rothlin e Werder (2007) e conceituada como doença ocupacional por Alvarado (2016), descreve um estado de tédio crônico, desmotivação e insatisfação no ambiente de trabalho. Diferentemente do Burnout, marcado pelo excesso de demandas, o Boreout decorre da falta de desafios, da ausência de significado e da estagnação profissional (Stock, 2015, 2016).
O Boreout manifesta-se em três dimensões: tédio, crise de significado e crise de crescimento no trabalho. Essa síndrome surge pela falta de desafios, gerando desmotivação, frustração e queda de produtividade.
O Boreout manifesta-se em três dimensões: tédio, crise de significado e crise de crescimento no trabalho. Essa síndrome surge pela falta de desafios, gerando desmotivação, frustração e queda de produtividade.
Discussão
A negligência em relação ao estudo dessa temática configura uma ameaça silenciosa tanto para os indivíduos, que sofrem com a desmotivação e o desinteresse pelo trabalho, quanto para as organizações, que enfrentam prejuízos em eficiência, produtividade e inovação. Há escassez de estudos empíricos e instrumentos validados. Predominam estudos em organizações privadas. Além disso, destaca-se que não foram encontrados artigos brasileiros nas principais bases de dados utilizadas nesta revisão de literatura. A literatura carece de pesquisas em setores públicos e contextos culturais diversos
Conclusão
Há uma necessidade de aprofundar investigações sobre o Boreout e expandir sua análise para diferentes setores e regiões. Esta pesquisa evidenciou uma quantidade baixa de estudos publicados sobre o assunto. Contudo, isto demonstra que sobre o Boreout ainda é um campo em grande parte inexplorado. Com base nessas perspectivas, evidencia-se a necessidade de realização de estudos adicionais que possibilitem uma análise mais aprofundada do fenômeno, proporcionando a profissionais e acadêmicos o acesso a estratégias e ferramentas robustas para para a compreensão, prevenção e mitigação do problema.
Contribuição / Impacto
Ampliar os estudos sobre o tema pode contribuir para o desenvolvimento de políticas organizacionais voltadas à valorização profissional, ao aprimoramento das condições laborais e à promoção de um ambiente de trabalho mais saudável, produtivo e inovador. Recomenda-se a realização de investigações adicionais para aprofundar o conhecimento sobre o Boreout, e validar cientificamente fenômenos que, em algumas circunstâncias, já se manifestam de forma empírica. Para isso, este estudo trouxe uma agenda com 08 propostas de pesquisas a serem desenvolvidas.
Referências Bibliográficas
STOCK, R. M. Is Boreout a Threat to Frontline Employees? Innovative Work Behavior. Journal of Product Innovation Management, v. 32, n. 4, p. 574-592, 2015; ROSADO-SERRANO, A.; PAUL, J.; DIKOVA, D. International franchising: A literature review and re¬search agenda. Journal of Business Research,[S.l.],v. 85, p. 238-257, 2018; ALVARADO, K. A. A. Construcción y propiedades psicométricas de la Escala del Síndrome de Boreout – ESB en colaboradores adultos de Trujillo. 2016. Tese (Doutorado em Psicologia) – Universidad César Vallejo, Trujillo, 2016.