Anais
Resumo do trabalho
Finanças · Estrutura de Capital, Dividendos e Fusões e Aquisições
Título
INFLUÊNCIA DE INDICADORES ESG NO CUSTO DE CAPITAL E DESEMPENHO DE EMPRESAS BRASILEIRAS
Palavras-chave
ISE.
ICO2.
Sustentabilidade empresarial.
Agradecimento:
O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001.
Autores
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Taís Rodrigues da CostaUNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)
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Ednilson Sebastião de ÁvilaUNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)
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José Willer do PradoUNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)
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Leandro Faria da SilvaUNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)
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Tiago Rodrigues da Costa
Resumo
Introdução
Nos últimos anos, foi possível perceber um aumento das preocupações mundiais com práticas ambientais, sociais e de governança (do inglês Environmental, social and governance, ou ESG). Diante do crescimento do uso do termo ESG, estudos começaram a ser desenvolvidos sobre a temática. Devido à perspectiva financeira muito associada ao ESG, estudos sobre temas de finanças corporativas foram desenvolvidos. Entre esses temas pode-se destacar temas relacionados à estrutura de capital e ao desempenho das organizações face ao ESG. No entanto, resultados mistos podem ser encontrados na literatura.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Diante disso, torna-se relevante que novos estudos envolvendo a temática de ESG e temas de finanças corporativas sejam desenvolvidos. Para preencher essa lacuna, o presente estudo pretende responder como indicadores de sustentabilidade influenciam no custo da dívida e no desempenho de empresas brasileiras não financeiras. Sendo assim, o objetivo do estudo foi de analisar a influência dos indicadores de sustentabilidade (ISE) e de eficiência de carbono (ICO2) da B3 no custo de capital e no desempenho financeiro de empresas brasileiras.
Fundamentação Teórica
Segundo a teoria da agência (Jensen; Meckling, 1976), a separação entre propriedade e controle gera assimetria de informações, uma vez que os gestores (ou insiders) têm informações sobre a empresa que os investidores podem não ter acesso. Nesse sentido, os investidores podem não priorizar a maximização de valor para os acionistas, o que leva aos conflitos de agência. Outra teoria que tem sido usada em estudos sobre o ESG é a teoria dos stakeholders, que apresentou uma uma nova visão, de que as organizações devem se preocupar com os interesses de seus diferentes stakeholders (Freeman,1994).
Metodologia
No estudo, utilizaram-se informações das demonstrações financeiras de empresas brasileiras com ações negociadas na B3. Os dados foram coletados por meio do banco de dados Economática. Para a análise, utilizou-se a regressão de dados em painel considerando o período de 2010 a 2024.
Análise dos Resultados
No que se refere ao custo da dívida, somente o índice ISE apresentou resultados significativos, mas com sinal positivo, indicando que o maior comprometimento das empresas com práticas sustentáveis impactam positivamente o custo da dívida. Tratando-se do desempenho financeiro, observou-se que não existe uma relação significativa dos indicadores ISE e ICO2. Esses resultados indicam que o comprometimento com práticas sustentáveis não é um determinante do desempenho financeiro de empresas brasileiras.
Conclusão
O estudo corrobora resultados anteriores que apontaram que o contexto institucional pode ser relevante para os efeitos do ESG no desempenho e custo de capital (Boccaletti; Gucciardi, 2025). Sendo assim, destaca-se que mais atenção seja dada às questões ESG no país, para que as empresas brasileiras não sejam desestimuladas a adotar essas práticas. Nesse sentido, destaca-se a necessidade de que formuladores de políticas públicas estejam atentos à esses resultados, para que políticas públicas de incentivo sejam adotadas, e as empresas estejam cada vez mais comprometidas com essas práticas.
Contribuição / Impacto
Quanto às implicações gerenciais, o maior entendimento de determinantes do desempenho financeiro e custo da dívida auxiliam os tomadores de decisão. Quanto às implicações sociais, o maior conhecimento sobre esses determinantes podem auxiliar as empresas a darem continuidade às operações, o que beneficia a sociedade. Quanto às implicações políticas, pode dar base para a determinação de políticas públicas adequadas para incentivar as empresas a comprometerem-se com práticas ESG. Quanto às implicações acadêmicas, o conhecimento sobre os efeitos do comprometimento com práticas ESG foi estendido.
Referências Bibliográficas
BOCCALETTI, S.; GUCCIARDI, G. ESG performance, institutional factors, and the cost of debt. Journal of Sustainable Finance and Investment, 2025.
FREEMAN, Edward. A Stakeholder Theory of the Modern Corporation. v. 4, p. 409–421, 1994.
JENSEN, Michael C.; MECKLING, William H. Theory of the firm: Managerial behavior, agency costs and ownership structure. Journal of Financial Economics, v. 3, n. 4, p. 305–360, 1976.
FREEMAN, Edward. A Stakeholder Theory of the Modern Corporation. v. 4, p. 409–421, 1994.
JENSEN, Michael C.; MECKLING, William H. Theory of the firm: Managerial behavior, agency costs and ownership structure. Journal of Financial Economics, v. 3, n. 4, p. 305–360, 1976.