Anais
Resumo do trabalho
Estudos Organizacionais · Comportamento Organizacional
Título
ENTRE A AUTONOMIA E A TELEPRESSÃO: O BEM-ESTAR NO TELETRABALHO DE SERVIDORES TÉCNICO-ADMINISTRATIVOS
Palavras-chave
Bem-estar no trabalho
Technostress
Trabalho remoto
Autores
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Marcela BertinUNIVERSIDADE DE BRASÍLIA (UNB)
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Tatiane PaschoalUNIVERSIDADE DE BRASÍLIA (UNB)
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Tatiane Alves de MeloINSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIENCIA E TECNOLOGIA DE BRASILIA (IFB)
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Francisco Antonio Coelho JuniorUNIVERSIDADE DE BRASÍLIA (UNB)
Resumo
Introdução
O teletrabalho tem provocado transformações significativas nas condições psicossociais do trabalho. Entre as variáveis que moldam essas experiências, destacam-se a autonomia e a telepressão. Apesar dos avanços teóricos, os efeitos simultâneos da autonomia e da telepressão sobre o bem-estar e as dinâmicas e particularidades por meio das quais essas variáveis influenciam o bem-estar no teletrabalho permanecem pouco explorados, especialmente em ambientes organizacionais complexos e hierarquizados, como o setor público.
Problema de Pesquisa e Objetivo
A investigação do tema proposto adquire especial relevância em instituições federais de ensino, com seus desafios quanto às práticas de gestão, à cultura organizacional e à mensuração do desempenho. Com base nas experiências de servidores técnico-administrativos em educação e com uma abordagem mista, os objetivos do estudo foram testar a influência da autonomia no trabalho no bem-estar no trabalho, testar a influência da telepressão sobre o bem-estar no trabalho e analisar as principais percepções quanto às relações entre autonomia e bem-estar no trabalho e telepressão e bem-estar no trabalho.
Fundamentação Teórica
A fundamentação teórica se ancorou nos campos do comportamento organizacional e da gestão de pessoas. Bem-estar no trabalho é conceituado com base em uma dimensão hedônica, ligada a emoções e humores, e uma dimensão cognitiva e eudaimônica, ligada à percepção de realização pessoal no trabalho. Para a autonomia no trabalho, foram consideradas as dimensões de autonomia de método, de cronograma e autonomia quanto ao critério. A telepressão consiste na pressão para responder rapidamente às mensagens relacionadas ao trabalho entregues por meio de tecnologias de informação e comunicação (TICs).
Metodologia
Esta é uma pesquisa de campo, do tipo survey, com uma abordagem mista (quali-quanti) e recorte transversal. Participaram 216 técnicos de universidades federais brasileiras em regime de teletrabalho. O questionário de aplicação online contou com medidas validadas das variáveis e duas questões abertas. O teste da influência da autonomia no trabalho e da telepressão sobre o bem-estar no trabalho foi conduzido por meio de regressão múltipla linear padrão. A análise das questões abertas foi conduzida por meio de análise de conteúdo categorial temática a posteriori.
Análise dos Resultados
A autonomia no trabalho influenciou positivamente o bem-estar dos teletrabalhadores e a telepressão influenciou negativamente. Os resultados qualitativos permitiram aprofundar a compreensão das relações identificadas nos testes estatísticos. Para entender o impacto da autonomia, verificaram-se categorias relacionadas às (des)vantagens do teletrabalho, à (i)maturidade na gestão e à desvalorização na carreira. Quanto à telepressão, os relatos revelaram o papel das TICs como aliadas, TICs como algozes e TICs e sua imposição de conectividade 24 horas nos 7 dias da semana.
Conclusão
Ao integrar dados quantitativos e qualitativos, o presente estudo avança na compreensão do bem-estar no teletrabalho, oferecendo evidências robustas de que a autonomia e a telepressão exercem papéis complementares e decisivos nas experiências dos trabalhadores. Juntas, essas variáveis ajudam a compreender a complexidade e as peculiaridades do bem-estar no teletrabalho. O teletrabalho requer mudanças de paradigmas gerenciais, aquisição de novas competências por parte de gestores e teletrabalhadores, além de mudanças mais profundas na própria cultura organizacional.
Contribuição / Impacto
O estudo contribui para o aprimoramento teórico de modelos explicativos sobre o bem-estar no teletrabalho. Destaca-se a originalidade do estudo ao situar as variáveis abordadas no contexto do setor público federal. O estudo também adota uma abordagem quali-quanti, que enriquece os achados quantitativos ao oferecer uma visão mais contextualizada e realista dos desafios enfrentados na gestão do teletrabalho. No âmbito aplicado, responde a mudanças recentes no setor público brasileiro e oferece subsídios para o desenho de políticas organizacionais mais equilibradas e sustentáveis.
Referências Bibliográficas
Demo, G., & Paschoal, T. (2016). Well-Being at Work Scale: Exploratory and Confirmatory Validation in the USA. Paidéia, 26(63).
Hendrikx, K., Van Ruysseveldt, J., Proost, K., & van der Lee, S. (2023). “Out of office”: Availability norms and feeling burned out during the COVID-19 pandemic: The mediating role of autonomy and telepressure. Frontiers in Psychology, 14.
ten Brummelhuis, L. L et al. (2021). Staying in the loop: Is constant connectivity to work good or bad for work performance? Journal of Vocational Behavior, 128, 103589.
Hendrikx, K., Van Ruysseveldt, J., Proost, K., & van der Lee, S. (2023). “Out of office”: Availability norms and feeling burned out during the COVID-19 pandemic: The mediating role of autonomy and telepressure. Frontiers in Psychology, 14.
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