Anais
Resumo do trabalho
Finanças · Finanças Quantitativas
Título
Evolução da eficiência financeira nas cooperativas de crédito: Lições de uma década de análise (2012–2023)
Palavras-chave
Eficiência
Evolução da Produtividade
Cooperativas de crédito
Agradecimento:
O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001
Autores
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Nayara Regina CavinatoUNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP)
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Daniel Henrique Dario CapitaniUNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP)
Resumo
Introdução
As cooperativas de crédito destacam-se pelo papel que desempenham na promoção da inclusão financeira e na democratização do acesso ao crédito. No entanto, sua atuação em regiões com menor diversificação econômica e junto a públicos de menor renda impõe desafios relevantes, tornando a eficiência um elemento central para a sustentabilidade dessas instituições.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Assim, avaliar a eficiência financeira das cooperativas de crédito ao longo do tempo é essencial para entender como essas instituições enfrentam desafios e asseguram sua sustentabilidade. Este estudo analisa a eficiência financeira e a evolução da produtividade das cooperativas brasileiras entre 2012 e 2023, discutindo três hipóteses relacionadas aos impactos da pandemia, à localização regional e à filiação a centrais cooperativistas.
Fundamentação Teórica
A literatura destaca a Análise Envoltória de Dados (DEA) como ferramenta eficaz para mensurar a eficiência de instituições financeiras, e o Índice de Malmquist para analisar a evolução da produtividade ao longo do tempo. Estudos como Abreu et al. (2018), Maia et al. (2020) e Ribeiro et al. (2024) indicam alta eficiência das cooperativas brasileiras, enquanto Amersdorffer et al. (2015) e Dia et al. (2022) apontam resultados semelhantes em contextos internacionais.
Metodologia
A pesquisa utilizou a Análise Envoltória de Dados (DEA) bootstrap (Simar & Wilson, 1998, 2000, 2007, 2011) para estimar a eficiência financeira de 349 cooperativas de crédito no período de 2012 a 2023. Também foi aplicado o Índice de Malmquist para mensurar a evolução da produtividade. Os dados foram obtidos junto ao Banco Central do Brasil, e as variáveis foram selecionadas com base em estudos prévios, assegurando validade empírica e rigor teórico.
Análise dos Resultados
Os resultados apontam elevados níveis de eficiência financeira, com média corrigida superior a 70% na maior parte da série. Em 2020, no auge da pandemia de COVID-19, observou-se a menor média de eficiência e maior dispersão entre as cooperativas. A filiação a centrais como SICOOB, SICREDI e CRESOL esteve associada a melhores desempenhos, assim como a localização em estados como Paraná e Rio Grande do Sul. A produtividade evoluiu de forma sutil, com ganhos concentrados no período pós-pandemia.
Conclusão
As três hipóteses foram corroboradas: (a) a pandemia impactou negativamente a eficiência financeira; (b) a localização geográfica influenciou o desempenho; e (c) a filiação a centrais cooperativistas esteve associada a maior eficiência. Os resultados indicam uma melhora na eficiência financeira das cooperativas de crédito ao longo do tempo, embora persistam desafios estruturais e regionais que ainda precisam ser superados.
Contribuição / Impacto
O presente estudo se destaca por analisar um período mais longo que as demais pesquisas nacionais. Outro diferencial é a aplicação da DEA bootstrap, que gera estimativas mais robustas. Assim, contribui para o avanço da literatura sobre eficiência financeira das cooperativas de crédito. Seus achados podem orientar gestores, formuladores de políticas públicas e dirigentes no aprimoramento da eficiência e expansão do cooperativismo de crédito no Brasil.
Referências Bibliográficas
Abreu et al. (2018), Amersdorffer et al. (2015), Dia et al. (2022), Maia et al. (2020), Ribeiro et al. (2024), Simar & Wilson (1998, 2000, 2007, 2011), Färe et al. (1992, 1994), Malmquist (1953), Cooper et al. (2007).