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Anais

Resumo do trabalho

Gestão de Pessoas · Bem-Estar e Mal-Estar no Trabalho

Título

“A CULTURA DO CAPITAL E OS MODELOS DE GESTÃO ": VIVÊNCIAS DE PRAZER E SOFRIMENTO NO TRABALHO DE TRABALHADORES NEURODIVERGENTES

Palavras-chave

neurodiversidade trabalhadores neuroatípicos psicodinâmica do trabalho

Autores

  • Isabelle Carla Marques Guedes
    UNIVERSIDADE DO GRANDE RIO PROFESSOR JOSÉ DE SOUZA HERDY (UNIGRANRIO)
  • Eduardo André Teixeira Ayrosa
    UNIVERSIDADE POSITIVO (UP)
  • Débora Vargas Ferreira Costa
    UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO (UFRRJ)

Resumo

Introdução

Diversos estudos acadêmicos, buscam compreender o trabalho como significante para os indivíduos. Além das simbologias intrínsecas pertencentes a subjetividade, há de se considerar que o social e o estar no mundo, perpassam o que o indivíduo é na sua produção de significado. Na especificidade de neuroatípicos, o significado do trabalho é atravessado pela complexidade de estar no mundo de forma “divergente”, sendo um assunto ainda pouco explorado.

Problema de Pesquisa e Objetivo

A pesquisa foi orientada pela busca de compreensão do tema abordado e da experiência de trabalho dos indivíduos neurodivergentes por meio da pergunta norteadora: “Como o modelo de gestão capitalista impacta na vivência de prazer e/ou sofrimento de trabalhadores neurodivergentes nas organizações?” Assim, este estudo objetiva abordar o quanto o sistema socioeconômico e os modelos de gestão implicam nas vivências de prazer e/ou sofrimento de trabalhadores neuroatípicos.

Fundamentação Teórica

A psicodinâmica do trabalho e a neurodivergência são as teorias abordadas e utilizadas como norteadoras ao estudo.
No que diz respeito ao prazer e sofrimento, para a psicodinâmica ambos são indissociáveis, sendo o trabalho o centralizador das emoções (Mendes, 2013).
A neurodivergência se apresenta como uma “conexão neurológica atípica”, que nada mais é que um cérebro que funciona de forma divergente aos padrões sociais (Ortega, 2008, p. 487).

Metodologia

Com uma abordagem qualitativa, por meio de entrevistas narrativas, foram abordados oito trabalhadores com diagnóstico médico e/ou psicanalítico de neurodivergência sob os laudos de Transtorno do Espectro do Autismo, Dislexia, Déficit de Atenção e Hiperatividade e Tourette.

Análise dos Resultados

Com base na psicodinâmica do trabalho, observou-se que, apesar das adversidades, o trabalho pode representar uma fonte significativa de prazer para indivíduos neurodivergentes, especialmente em razão do valor simbólico e identitário que esse espaço assume em suas vidas. Contudo, esse potencial positivo é frequentemente comprometido pela inadequação dos modelos de gestão frente à diversidade cognitiva, gerando frustração, sofrimento e desvalorização das capacidades desses sujeitos.

Conclusão

Os resultados apontam que modelos de gestão rígidos geram sofrimento a trabalhadores neurodivergentes, evidenciando despreparo organizacional e exclusão sutil. O trabalho, apesar de seu valor identitário, torna-se fonte de frustração diante da falta de inclusão efetiva.

Contribuição / Impacto

Os achados da pesquisa contribuem para o avanço teórico e prático na compreensão das vivências de prazer e sofrimento no trabalho entre pessoas neuroatípicas, evidenciando a urgência de transformações nos modelos de gestão que considerem efetivamente a diversidade neurocognitiva. As análises demonstram que a inclusão plena requer não apenas adaptações estruturais, mas uma revisão profunda das práticas, discursos e valores que sustentam o ambiente organizacional.

Referências Bibliográficas

ORTEGA, F.. O sujeito cerebral e o movimento da neurodiversidade. Mana, v. 14, n. 2, p. 477–509, out. 2008.
MENDES, A. M.. Prazer no Trabalho. In: Vieira FO, Mendes AM, Merlo ARC. (Org). Dicionário Crítico de Gestão e Psicodinâmica do Trabalho. Curitiba: Juruá Editora; 2013. p. 289-292.

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