Anais
Resumo do trabalho
Estudos Organizacionais · Simbolismos, Culturas e Identidades
Título
A PEDAGOGIA DA FINANCEIRIZAÇÃO: UM ESTUDO DO CANAL CLUBE DO VALOR
Palavras-chave
Financeirização
Influenciadores digitais
Cultura do investimento
Autores
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Bruno Barreto SoaresUNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (UFF)
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Suzanny Barreto da SilvaUNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (UFF)
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Sérgio MontalvãoUNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (UFF)
Resumo
Introdução
A financeirização no Brasil se desdobra como um fenômeno estrutural e cultural, marcado pela bancarização popular, desmonte de garantias sociais e estímulo à racionalidade técnica. Nesse cenário, influenciadores digitais promovem a cultura do investimento como estilo de vida e solução individual. O canal Clube do Valor é investigado como mediador simbólico da pedagogia financeira voltada à classe média.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Como a cultura do investimento é naturalizada por influenciadores digitais? O objetivo é analisar como o canal Clube do Valor contribui para difundir práticas e valores financeiros, observando os elementos discursivos que legitimam a autoridade do influenciador e os sentidos produzidos em torno do investimento como prática moral, racional e inevitável.
Fundamentação Teórica
A análise articula os conceitos de financeirização (Bruno, 2009; Dowbor, 2018), capital impaciente (Sennett, 2006) e racionalidade neoliberal (Bauman, 2008). Também incorpora estudos sobre cultura digital e personal branding (Patzlaff, 2024), e investigações recentes sobre influenciadores e educação financeira (Fernandes, 2025; Andrade & Moura, 2023), considerando a mediação simbólica como produtora de subjetividades econômicas.
Metodologia
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, baseada em estudo de caso único com abordagem netnográfica (Kozinets, 2010). Foram analisados dez vídeos do canal Clube do Valor, publicados entre 2021 e 2023. A seleção considerou densidade técnica, vocabulário especializado e performance pedagógica. A análise interpretativa gerou seis categorias discursivas, conectadas ao referencial crítico.
Análise dos Resultados
As estratégias discursivas observadas incluem: autoridade técnica, apelo à metodologia quantitativa, referências à literatura especializada, estímulo à autonomia financeira, desqualificação de concorrentes e mercantilização do conhecimento. Tais elementos constroem a imagem do influenciador como educador legítimo e moldam o sujeito investidor como responsável exclusivo por seu sucesso financeiro.
Conclusão
O Clube do Valor atua como vetor da pedagogia da financeirização, promovendo o investimento como prática racional, acessível e moralmente superior. A naturalização dessa cultura se dá pela construção discursiva de autoridade, simplificação técnica, mobilização de valores morais e promoção do investimento como estilo de vida, deslocando as causas estruturais da instabilidade econômica.
Contribuição / Impacto
O artigo contribui para o campo de Estudos Organizacionais ao revelar como discursos financeiros mediados por influenciadores operam na construção de subjetividades econômicas. Ao integrar finanças, cultura digital e simbolismo organizacional, oferece uma leitura crítica da racionalidade neoliberal difundida por canais educacionais, com implicações para políticas públicas e práticas pedagógicas.
Referências Bibliográficas
Bauman (2008), Bruno et al. (2011), Dowbor (2017), Sennett (2006), Patzlaff (2024), Fernandes (2025), Andrade & Moura (2023), Paraná (2018), Kozinets (2010), Lavinas et al. (2017), Soares & Stengel (2021).