Anais
Resumo do trabalho
Finanças · Gestão Financeira
Título
Pension Reform, Investor Storm: como os investidores reagiram à Reforma da Previdência?
Palavras-chave
Reforma da Previdência
Sentimentos do Investidor
Experimento
Autores
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Laryssa Cristhina Batista de FreitasEscola Paulista de Política, Economia e Negócios - Universidade Federal de São Paulo - EPPEN/Unifesp
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Anderson Dias BritoFaculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo - FEA
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João Vinícius de França CarvalhoFaculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo - FEA
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Eduardo Kazuo KayoFaculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo - FEA
Resumo
Introdução
As reformas previdenciárias são importantes decisões políticas que buscam equilíbrio atuarial e financeiro para o sistema, mas que geram diversas externalidades. No Brasil, a Emenda Constitucional n°103/2019 (EC103) trouxe mudanças em relação à idade mínima para aposentadoria, tempo de contribuição, cálculo do benefício, regras de transição. Isso impacta a demanda por produtos financeiros e a liquidez de fundos de previdência privada. Ademais, podem afetar o sentimento dos investidores, que pode ser definido como crenças em relação ao desempenho da firma que não são explicados por fundamentos.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Verificar se a reforma previdenciária no Brasil influenciou o sentimento dos investidores em relação às obrigações previdenciárias das companhias abertas que patrocinam planos de previdência estruturados sob a modalidade de Benefício Definido (BD). A hipótese central é que os investidores dessas empresas sofreram um impacto mais elevado, e negativo, em seu sentimento do que os investidores de empresas não-patrocinadoras, após a promulgação da EC103, ocorrida em 2019.
Fundamentação Teórica
Bottazzi et al. (2011) analisaram reformas na previdência italiana e concluíram que a redução da expectativa de benefícios futuros levou as famílias a investirem mais em ativos imobiliários e financeiros conservadores. Okumura e Usui (2014) identificaram que aumentos na idade mínima para aposentadoria no Japão geraram ansiedade nos indivíduos sobre suas rendas, incentivando a elevação da poupança. Se as mudanças na previdência alteram a forma como investidores avaliam riscos, o sentimento em relação a empresas patrocinadoras pode ser mais impactado do que o de empresas que não patrocinam.
Metodologia
Utilizou-se o método de diferenças-em-diferenças com matching para comparar o sentimento dos investidores entre empresas patrocinadoras e não patrocinadoras antes e depois da reforma da previdência. Os dados foram obtidos na Refinitiv Eikon para o período de 2013-2022. O Sentimento foi calculado em nível de firma com base na realização de uma análise de componentes principais de quatro métricas: medidas de força relativa, índice de linha psicológica, taxa de rotação ajustada e logaritmo do volume de negócios. A amostra final foi fixada em 56 empresas para cada um dos grupos, com seus pares.
Análise dos Resultados
Antes da reforma, o sentimento do investidor das empresas patrocinadoras apresentou tendências semelhantes às não patrocinadoras. Após a reforma, os grupos passaram a divergir. O estimador de diferenças-em-diferenças confirmou que após a EC 103, o sentimento dos investidores das patrocinadoras se deteriorou. Ainda, os testes de falseamento em períodos anteriores reforçam a robustez dos achados.
Conclusão
Com a ausência da reforma, as firmas dos grupos de tratamento e de controle apresentavam comportamentos parecidos. Com a introdução do choque, houve uma mudança neste cenário. Ou seja, após a reforma previdenciária, investidores de empresas patrocinadoras de planos previdenciários se tornaram mais pessimistas com relação à performance dessas firmas.
Contribuição / Impacto
Os achados contribuem para a literatura previdenciária ao evidenciar como alterações no sistema público de previdência social também podem gerar consequências no mercado privado. Considerando o caráter social da previdência e a sua relevância para as agendas de governos e formuladores de políticas, os resultados permitem uma interlocução entre as literaturas de finanças e de economia, ao mostrar como mecanismos de seguridade social podem impactar a agenda de corporações. Gestores poderão compreender melhor como o sentimento do investidor afeta decisões relacionadas à avaliação de planos BD.
Referências Bibliográficas
Baker, M., & Wurgler, J. (2006). Investor Sentiment and the Cross‐Section of Stock Returns. The Journal of Finance, 61(4), 1645–1680.
Bottazzi, R., Jappelli, T., & Padula, M. (2011). The portfolio effect of pension reforms: evidence from Italy. Journal of Pension Economics and Finance, 10(1), 75–97.
Okumura, T., & Usui, E. (2014). The effect of pension reform on pension-benefit expectations and savings decisions in Japan. Applied Economics, 46(14), 1677–1691
Bottazzi, R., Jappelli, T., & Padula, M. (2011). The portfolio effect of pension reforms: evidence from Italy. Journal of Pension Economics and Finance, 10(1), 75–97.
Okumura, T., & Usui, E. (2014). The effect of pension reform on pension-benefit expectations and savings decisions in Japan. Applied Economics, 46(14), 1677–1691