Anais
Resumo do trabalho
Administração Pública · Gestão e Inovação em Políticas Públicas
Título
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL COMO APOIO À AVALIAÇÃO DE PROPOSTAS EM AGÊNCIAS DE FOMENTO
Palavras-chave
fomento à pesquisa
Inteligência artificial
avaliação de projetos
Autores
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Débora Fernandes KubiczewskiUNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL (UFRGS)
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Natália Marroni BorgesUNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL (UFRGS)
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Fernanda Maciel ReichertUNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL (UFRGS)
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Raquel Janissek-MunizUNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL (UFRGS)
Resumo
Introdução
O aprimoramento da avaliação de propostas em agências de fomento exige rigor, transparência e alinhamento estratégico. A inteligência artificial (IA) desponta como ferramenta promissora para qualificar esse processo, ampliando a eficiência, reduzindo vieses e fortalecendo a tomada de decisão. Esta pesquisa analisa, por meio de métodos mistos, as percepções de avaliadores e coordenadores sobre o uso da IA nesse contexto, considerando benefícios, desafios e aspectos éticos na adoção dessa tecnologia.
Problema de Pesquisa e Objetivo
A avaliação por pares enfrenta críticas quanto à morosidade, sobrecarga e vieses (Bin et al., 2023; Lampert, 2000). A inteligência artificial (IA) tem sido debatida como ferramenta complementar capaz de ampliar a eficiência e a objetividade (Perlin et al., 2023; Freitas et al., 2025), desde que aplicada com ética e supervisão humana (Comba et al., 2024; Cunha & Ziviani, 2024). Diante disso, esta pesquisa objetiva analisar as percepções de avaliadores e coordenadores sobre o uso da IA na avaliação de propostas em agências de fomento.
Fundamentação Teórica
A avaliação de propostas em agências de fomento é estratégica para a alocação eficiente de recursos públicos e promoção da excelência científica (Telles & Costa, 2008; Lampert, 2000). A incorporação da inteligência artificial nesses processos tem ganhado destaque pelo potencial de ampliar a capacidade analítica, reduzir vieses e qualificar decisões (Perlin et al., 2023; Freitas et al., 2025). Janissek-Muniz et al. (2021) destacam que a gestão estruturada do conhecimento fortalece decisões mais eficazes. Assim, o tema torna-se atual e relevante para o aprimoramento das práticas avaliativas.
Metodologia
A incorporação da inteligência artificial (IA) nos processos de avaliação em agências de fomento tem se configurado como uma possibilidade promissora para ampliar a eficiência institucional, mitigar vieses e qualificar a tomada de decisão, desde que aplicada de forma ética e em complementaridade ao julgamento humano (Perlin et al., 2023; Cunha & Ziviani, 2024). Alinhada aos fundamentos da inteligência institucional, sua adoção demanda reflexão crítica, governança responsável e critérios transparentes, a fim de preservar a legitimidade e a qualidade das avaliações.
Análise dos Resultados
Os resultados indicam uma aceitação cautelosa da inteligência artificial (IA) como apoio à avaliação em agências de fomento. Os respondentes reconhecem o potencial para a eficiência e redução de tarefas operacionais, desde que mantida a centralidade do julgamento humano. A confiança fica condicionada à qualidade dos dados, à transparência dos critérios e à explicabilidade dos algoritmos. Destacam-se preocupações com vieses e ética, além da baixa familiaridade prática com a tecnologia. A adoção da IA depende menos de avanços técnicos e mais da construção de uma governança responsável.
Conclusão
A investigação demonstrou que a inteligência artificial (IA) é reconhecida como instrumento potencialmente qualificador dos processos avaliativos em agências de fomento, desde que integrada de forma ética, transparente e complementar ao julgamento humano. Observam-se desafios relacionados à capacitação técnica, à governança dos sistemas e à resistência institucional. Conclui-se que sua adoção demanda critérios rigorosos e alinhamento aos princípios de confiabilidade, equidade e legitimidade na alocação de recursos públicos.
Contribuição / Impacto
O estudo oferece subsídios relevantes para o aperfeiçoamento das práticas avaliativas em agências de fomento, ao indicar que a integração da inteligência artificial, quando orientada por princípios éticos, transparência e capacitação técnica, pode ampliar a eficiência, mitigar vieses e fortalecer a legitimidade das decisões. Os resultados reforçam o potencial de impacto no delineamento de políticas públicas e estratégias institucionais voltadas à modernização dos processos de avaliação.
Referências Bibliográficas
Bin et al. (2023). Alternativas à avaliação pelos pares em agências de fomento: uma agenda em debate. Jornal da Unicamp. Comba et al. (2024). Inteligência artificial na gestão pública: desafios e oportunidades. Pesquisa e Ensino em Ciências Exatas e da Natureza. Cunha et al. (2024). Análise bibliométrica em inteligência artificial. Múltiplos Olhares em Ciência da Informação. Freitas et al. (2025). Impacto da inteligência artificial na avaliação acadêmica. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação. Perlin et al. (2023). The determinants and impact of research grants.