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Anais

Resumo do trabalho

Administração Pública · Governança, Ação Pública e Políticas Públicas

Título

DETERMINANTES ECONÔMICOS E DESEMPENHO DA INDÚSTRIA DE ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS NO BRASIL: UMA ANÁLISE BASEADA NA RECEITA LÍQUIDA DE VENDAS (2016–2022)

Palavras-chave

Alimentos ultraprocessados Determinantes Comerciais da Saúde Economia Industrial

Autores

  • Anderson Cesar Gomes Teixeira Pellegrino
    UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP)
  • Leila Rocha Pellegrino
    UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE (MACKENZIE)

Resumo

Introdução

O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados (AUP) tem gerado preocupações em saúde pública; entretanto, os incentivos econômicos por trás de sua produção permanecem pouco explorados. Este estudo investiga a atratividade econômica da produção de AUP no Brasil por meio da análise do crescimento real da receita líquida de vendas da indústria de alimentos ultraprocessados.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Problema de pesquisa:
Como a evolução da receita líquida de vendas revela a atratividade econômica da produção de alimentos ultraprocessados no Brasil entre 2016 e 2022?
Objetivo:
Analisar a atratividade econômica da indústria de alimentos ultraprocessados no Brasil por meio da evolução da receita líquida de vendas de segmentos industriais selecionados, com base em dados da PIA-Empresa/IBGE e na classificação NOVA, contribuindo para a compreensão dos determinantes comerciais da saúde.

Fundamentação Teórica

A fundamentação apoia-se no modelo Estrutura-Conduta-Desempenho (ECD) da economia industrial e no conceito de Determinantes Comerciais da Saúde (CDOH). Esses referenciais permitem compreender como a estrutura concentrada da indústria alimentícia, aliada a estratégias corporativas orientadas à lucratividade, favorece a expansão dos alimentos ultraprocessados, mesmo frente a evidências científicas e ações regulatórias que apontam seus efeitos adversos à saúde pública.

Metodologia

Foi conduzida análise quantitativa com dados da PIA-Empresa/IBGE (2016–2022), envolvendo indústrias com 30+ empregados. O foco foram classes com predominância de ultraprocessados, segundo a taxonomia de Canella et al. e a classificação NOVA: chocolates e confeitos, biscoitos e refeições prontas. As receitas líquidas foram deflacionadas pelo IPP/IBGE da indústria de alimentos para medir o crescimento real. As tendências dos setores foram comparadas ao desempenho da indústria como um todo, a fim de avaliar a performance relativa dos AUP.

Análise dos Resultados

A análise revelou um desempenho heterogêneo entre os segmentos de AUP. Entre 2016 e 2022, a receita líquida real cresceu 8,23% para refeições prontas e 2,29% para produtos à base de cacau, chocolates e confeitos, enquanto o segmento de biscoitos e bolachas apresentou uma queda de 8,85%. Em comparação, o setor de fabricação de alimentos como um todo registrou um aumento real de 7,96% na receita líquida no mesmo período.

Conclusão

O crescimento real em setores-chave de AUP, como o de refeições prontas, sugere que sua produção é economicamente atrativa, o que incentiva sua expansão. No entanto, o desempenho divergente entre as categorias revela dinâmicas complexas. Esses achados reforçam os incentivos econômicos como determinantes comerciais da saúde (Gilmore et al.), demandando atenção por parte das políticas públicas.

Contribuição / Impacto

O estudo contribui ao evidenciar a atratividade econômica dos alimentos ultraprocessados no Brasil, mesmo diante de medidas regulatórias e críticas sanitárias. Ao articular dados econômicos com referenciais teóricos críticos, amplia a compreensão sobre os determinantes comerciais da saúde e fornece subsídios para políticas públicas mais eficazes no enfrentamento das doenças crônicas e na regulação do ambiente alimentar.

Referências Bibliográficas

GILMORE, A. B. et al. The commercial determinants of health. Lancet, 2023.
MONTEIRO, C. A. et al. NOVA classification: a new approach to food processing. Cadernos de Saúde Pública, 2010.
LOUZADA, M. L. et al. Consumo de ultraprocessados no Brasil: 2008–2018. Rev. Saúde Pública, 2023.
CANELLA, D. S. et al. Food additives and NOVA classification. Scientific Reports, 2023.
MARION, J. C. Análise das demonstrações contábeis. Atlas, 2023.

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