Anais
Resumo do trabalho
Estudos Organizacionais · Diversidade, Diferença e Inclusão nas Organizações
Título
Etarismo no serviço público: percepções de servidores administrativos de universidades estaduais brasileiras
Palavras-chave
etarismo
diversidade etária
serviço público
Autores
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Diogo ReattoUNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE (MACKENZIE)
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Patrícia Teixeira Maggi da SilvaUNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE (MACKENZIE)
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Werenna Fernnanda Garcia BatistaUNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE (MACKENZIE)
Resumo
Introdução
Com uma sociedade altamente estratificada em termos etários (GOLDANI, 2010a), o Brasil enfrentará desafios com o envelhecimento da população e da força de trabalho (LOTH; SILVEIRA, 2014). A pesquisa “Perfil Social, Racial e de Gênero das 1.100 Maiores Empresas do Brasil e Suas Ações Afirmativas 2023-2024”, realizada pelo Instituto Ethos (2024) destaca que 59,6% das empresas participantes do estudo afirmam que é necessário empreender políticas e ações afirmativas para igualdade de oportunidades e eliminação de barreiras e preconceitos com relação às pessoas de 45 anos ou mais.
Problema de Pesquisa e Objetivo
o objetivo geral deste estudo é compreender as atitudes etaristas no local de trabalho em relação a funcionários públicos administrativos em duas faculdades estaduais brasileiras. Para alcançar esse objetivo, tem-se como objetivos específicos: a) compreender o que é considerado trabalhador mais velho e quais suas características na percepção dos sujeitos; b) identificar sentimentos, estereótipos e tratamentos percebidos por funcionários públicos mais velhos; c) revelar se os sujeitos percebem a existência de normas de idade na organização e como reagem a elas.
Fundamentação Teórica
O preconceito por idade é a atitude negativa mais socialmente tolerada e institucionalizada do mundo (NELSON, 2002). O termo etarismo foi utilizado pela primeira vez por Butler (1980) em 1968 para referir-se a julgamentos avaliativos sobre pessoas mais velhas. De acordo com Kite e Wagner (2002), o etarismo se traduz em atitudes etaristas, que incorporando o conceito de atitude de Eagly e Chaiken (1998), devem conter estereótipos baseados somente baseados na idade de alguém; sentimentos em relação à idade dessa pessoa; e tratamento diferencial dado a pessoa com idade mais avançada.
Metodologia
Este estudo qualitativo está interessado em compreender como as pessoas interpretam suas experiências, como elas constroem seus mundos e quais significados atribuem a suas experiências (MERRIAM, 2002). Tem caráter construcionista, pois considera os contextos socioculturais e as condições estruturais que permitem que as ideias individuais sejam consideradas (BRAUN; CLARKE, 2006). É descritivo, uma vez que o interesse dos pesquisadores foi verificar como determinado fenômeno se manifesta nas atividades e interações sociais cotidianas (GODOY, 1995).
Análise dos Resultados
Os achados das entrevistas revelam que a compreensão do que é um trabalhador mais velho nas universidades estudadas, os seus sentimentos em relação à idade e as normas de idade nessas organizações podem ser explicados por meio de dois temas principais, e seus subtemas: Contexto Organizacional (Tarefas e demografia organizacional); e Percepções sobre a idade (tempo de serviço, etarismo cordial e experiência).
Conclusão
Os estereótipos de idade identificados nas entrevistas não chegam a efetivar suas consequências desastrosas aos trabalhadores mais velhos como queda da autoestima, danos à saúde mental e limitações das oportunidades laborais desses servidores. Este estudo corrobora os resultados encontrados por Perry e Parlamis (2006) de que não há diferença significativa entre o desempenho do trabalhador novo e do mais velho. Embora com o avanço na idade, possa haver prejuízo na velocidade de resposta e na memória, isso é compensado pela experiência.
Contribuição / Impacto
Esta pesquisa contribui para a literatura nos seguintes aspectos. O 1º relaciona-se a escassez de estudos no Brasil sobre etarismo em organizações públicas, considerando a perspectiva dos próprios servidores públicos mais velhos. O segundo relaciona-se aos resultados, uma vez que o etarismo em geral associa-se a uma avaliação negativa em relação ao trabalhador mais velho, e a análise das entrevistas revelou o contrário. Como contribuição prática, o desenvolvimento de estratégias alinhadas à realidade demográfica brasileira.
Referências Bibliográficas
BRAUN, V.; CLARKE, V. Using thematic analysis in psychology. Qualitative Research in Psychology, v. 3, n. 2. p. 77-101, 2006; GOLDANI, A. M. Desafio do Preconceito Etário no Brasil. Educação & Sociedade, v. 31, n. 111, p. 411-434, abr.-jun. 2010a; LOTH, G. B.; SILVEIRA, N. Etarismo nas organizações: um estudo dos estereótipos em trabalhadores envelhecentes. Revista de Ciências da Administração, v. 16, n. 39, p. 65-82, 2014; PERRY, E.L.; PARLAMIS, J. Age and ageism in organizations: a review and consideration of national culture. In: In: KONRAD, A.M.; PRASAD, P.; PRINGLE, J.