Anais
Resumo do trabalho
Marketing · Cultura e Consumo
Título
DINÂMICAS DE CONSUMO CULTURAL: AS TENSÕES E RELAÇÕES DE CONSUMO EM CENTROS CULTURAIS
Palavras-chave
Consumo Cultural
Apropriação
Espaços Culturais
Agradecimento:
Financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.
Autores
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Matheus Chaves LopesUNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ (UECE)
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Felipe GerhardUNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ (UECE)
Resumo
Introdução
Os espaços culturais desempenham papel fundamental na difusão da arte, na preservação do patrimônio e na formação identitária das cidades. Além de sua função social e educativa, esses espaços também têm impacto econômico e urbano. Contudo, suas práticas de gestão e relação com o público não estão isentas de contradições, muitas vezes reproduzindo desigualdades no acesso e no consumo da cultura, dando origem a tensões que desafiam seu papel democrático.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Apesar da expansão dos centros culturais, pouco se sabe sobre como os consumidores percebem e se relacionam com esses espaços, especialmente em contextos distintos. Diante disso, este trabalho tem como objetivo analisar como se configuram as dinâmicas de consumo e as tensões percebidas pelos consumidores em dois centros culturais públicos de Fortaleza, buscando compreender os fatores que aproximam ou afastam os sujeitos desses equipamentos culturais.
Fundamentação Teórica
A fundamentação teórica aborda o consumo cultural considerando desigualdades de acesso, preferências e estruturas de oferta (Bourdieu, 2011; Rössel, 2008). Destacam-se três tensões centrais: (1) entre oferta e demanda (Gerhards et al., 2013), (2) democratização versus democracia cultural (Mulcahy, 2006; Evrard, 1997) e (3) consumo cosmopolita versus local (Igarashi & Saito, 2014; Murtoniemi, 2020), refletindo os dilemas entre inclusão, identidade e mercado.
Metodologia
O estudo utilizou abordagem qualitativa com caráter exploratório, voltando-se à análise das relações entre consumidores e dois centros culturais em Fortaleza/CE: o Complexo Estação das Artes e o CUCA Jangurussu. Foram realizadas observações participantes com diários de campo e 17 entrevistas semiestruturadas. A análise seguiu a perspectiva da Análise do Discurso de Pêcheux (2011), buscando interpretar os sentidos produzidos pelos sujeitos a partir de suas vivências nos espaços culturais.
Análise dos Resultados
A discussão aponta diferenças na dinâmica de consumo entre os equipamentos analisados. Na Estação das Artes, prevalece uma lógica de consumo segmentado, com tensões entre democratização cultural e consumo de nicho. No CUCA, destaca-se a coprodução cultural pelos próprios usuários, mas há desafios na manutenção dessas oportunidades. Ambos revelam barreiras simbólicas e estruturais, exigindo estratégias para ampliar o acesso e incluir públicos diversos.
Conclusão
As considerações finais destacam que as relações entre consumidores e espaços culturais variam conforme dimensões utilitárias, hedônicas e simbólicas. A Estação das Artes apresenta consumo segmentado e baixa sensação de pertencimento. No CUCA, há forte apropriação comunitária e coprodução cultural, mas tensões com a gestão. Cada espaço expressa tensões distintas entre oferta e demanda, revelando desafios para a democratização do acesso e inclusão cultural.
Contribuição / Impacto
O estudo contribui para a literatura ao investigar centros culturais, espaços ainda pouco explorados nas pesquisas sobre consumo. A análise revela múltiplas formas de relação dos consumidores com esses equipamentos, da apropriação ativa à fruição pontual, com destaque para os vínculos comunitários construídos nos usos mais intensos. Identifica também tensões relativas à oferta cultural, democratização e segmentações de público. Os achados podem subsidiar estratégias mais assertivas de gestão nesses espaços e na promoção de políticas culturais.
Referências Bibliográficas
BOURDIEU, P. A distinção: crítica social do julgamento. 2a Ed. Porto Alegre: Zouk, 2011.
CAI, X. et al. Building rural public cultural spaces for enhanced well-being: evidence from China. Local environment, v. 29, n. 4, p. 540–564, 2024.
MULCAHY, K. Cultural policy: Definitions and theoretical approaches. The Journal of Arts Management Law and Society, v. 35, n. 4, p. 319–330, 2006.
PÊCHEUX, M. Análise de discurso. Campinas: Pontes, 2011.
RÖSSEL, J. Conditions for the explanatory power of life styles. European Sociological Review, v. 24, p. 231-241, 2008.
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