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Resumo do trabalho

Estudos Organizacionais · Simbolismos, Culturas e Identidades

Título

Construindo significados e legitimação: simbolismos e discursos midiáticos sobre a Cannabis medicinal no Brasil

Palavras-chave

Cannabis medicinal Legitimidade Mídia

Autores

  • Thais Fernanda Clemente de Sousa Nascimento
    UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA (UFPB)
  • DÉBORA KARYNE DA SILVA ABRANTES
    UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA (UFPB)

Resumo

Introdução

A Cannabis medicinal tem passado por um processo de mudança institucional no Brasil, deixando de ser vista como substância estigmatizada para ocupar lugar no campo da saúde pública. Este estudo investiga como a mídia contribui para esse processo por meio de discursos que constroem simbolicamente a legitimidade da prática. A pesquisa analisa reportagens dos anos de 2014 e 2024, explorando a relação entre linguagem, simbolismo e institucionalização.

Problema de Pesquisa e Objetivo

O problema que orienta esta pesquisa é: como a mídia contribui para a construção da legitimidade da Cannabis medicinal no Brasil? O objetivo é analisar comparativamente os discursos midiáticos dos anos de 2014 e 2024, identificando os simbolismos, enquadramentos narrativos e estratégias linguísticas que evidenciam a transição da Cannabis de uma prática estigmatizada para uma prática institucionalmente legitimada.

Fundamentação Teórica

O referencial teórico articula três eixos principais: (i) a teoria institucional, com foco na legitimação de práticas em campos estigmatizados (Meyer e Rowan, 1977; DiMaggio e Powell, 1983); (ii) os tipos e estados de legitimidade (Suchman, 1995; Siraz et al., 2023); e (iii) a linguagem como ferramenta institucional, considerando simbolismos, narrativas e retóricas na construção de significados (Phillips et al., 2004; Lounsbury e Glynn, 2001).

Metodologia

A pesquisa é qualitativa, de abordagem interpretativista, com base na Análise Crítica do Discurso (Fairclough, 2003). O corpus é composto por 89 reportagens publicadas nos portais G1, Folha de S.Paulo e Estadão nos anos de 2014 e 2024. As matérias foram selecionadas a partir de critérios temáticos e institucionais, e analisadas com base em categorias derivadas da teoria institucional, como legitimidade, simbolismo, vocabulário, narrativas e vozes sociais.

Análise dos Resultados

Os resultados mostram uma transição discursiva: em 2014, prevalecem narrativas emocionais, simbolismos de urgência e apelos morais; em 2024, o discurso se torna técnico, regulatório e institucional. A mudança no vocabulário, nas vozes privilegiadas e nas metáforas revela o deslocamento da Cannabis medicinal de um campo estigmatizado para uma prática legitimada, evidenciando o papel simbólico da linguagem na estabilização institucional.

Conclusão

Conclui-se que a mídia exerce papel ativo na legitimação da Cannabis medicinal ao transformar simbolicamente seus significados. A comparação entre 2014 e 2024 mostra um deslocamento discursivo da exceção para a normalização, marcado por novas vozes, vocabulários e enquadramentos. A linguagem, nesse contexto, atua como ferramenta institucional que contribui para estabilizar práticas antes estigmatizadas.

Contribuição / Impacto

A pesquisa contribui ao evidenciar como a linguagem midiática atua na legitimação simbólica da Cannabis medicinal, articulando discurso, simbolismo e teoria institucional. No plano prático, oferece subsídios para políticas públicas e estratégias comunicacionais em saúde, ao mostrar como narrativas e enquadramentos moldam percepções sociais e deslocam práticas estigmatizadas rumo à aceitação institucional.

Referências Bibliográficas

DI MAGGIO, P.; POWELL, W. (1983). SUCHMAN, M. C. (1995). MEYER, J.; ROWAN, B. (1977). GREENWOOD, R. et al. (2002). LAWRENCE, T.; SUDDABY, R. (2006). PHILLIPS, N. et al. (2004). SUDDABY, R.; GREENWOOD, R. (2005). LOUNSBURY, M.; GLYNN, M. A. (2001). FAIRCLOUGH, N. (2003). SALLES, C.; DELLAGNELO, A. (2019). SIRAZ, M. et al. (2023).

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