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Anais

Resumo do trabalho

Estudos Organizacionais · Epistemologias e Ontologias em Estudos Organizacionais

Título

GOVERNAR PELA AUTONOMIA: SUBJETIVAÇÃO NEOLIBERAL NO ENSINO SUPERIOR

Palavras-chave

Governamentalidade Subjetivação Neoliberal Análise Crítica do Discurso
Agradecimento: Este trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES)

Autores

  • Bruno Finamor
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)
  • Daniela Meirelles Andrade
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)

Resumo

Introdução

O artigo analisa criticamente uma disciplina de pós-graduação centrada em metodologias ativas e empreendedorismo, discutindo como práticas pedagógicas contemporâneas podem operar como dispositivos de subjetivação alinhados à racionalidade neoliberal. A proposta é investigar os efeitos normativos de tais práticas no campo da formação docente e universitária.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Como práticas educacionais baseadas na linguagem da inovação e do empreendedorismo, ainda que com fins formativos legítimos, podem funcionar como tecnologias de governo que moldam sujeitos autônomos, performáticos e responsivos? O objetivo é problematizar a formação docente no ensino superior a partir da perspectiva foucaultiana.

Fundamentação Teórica

O referencial articula Michel Foucault (governamentalidade, subjetivação, dispositivo), Dardot e Laval (neoliberalismo como razão do mundo), Stephen Ball (performatividade) e Veiga-Neto (pedagogia como tecnologia de poder), além de contrapontos críticos com Biesta, Freire e Giroux sobre formação emancipadora e educação democrática.

Metodologia

A abordagem é qualitativa, inspirada na genealogia foucaultiana e na análise crítica do discurso. O corpus inclui o plano de ensino da disciplina e 10 textos obrigatórios selecionados por critério temático. Foram examinados vocábulos, enunciados e pressupostos que articulam autonomia, inovação e performatividade à produção de subjetividades.

Análise dos Resultados

A análise mostra que a disciplina atua como dispositivo que mobiliza afetos e discursos para formar sujeitos empresariais, autogeridos e responsivos. Mesmo os textos críticos operam como diferenciações internas do regime neoliberal. A performatividade, a gamificação e a responsividade são naturalizadas como critérios formativos legítimos.

Conclusão

A disciplina, embora inovadora, reproduz de forma acrítica os imperativos neoliberais ao estruturar a formação como gestão de si. Propõe-se incluir módulos críticos que problematizem tais racionalidades. Ensinar empreendedorismo não é neutro: exige visibilizar os regimes de verdade que constituem a pedagogia gerencial contemporânea.

Contribuição / Impacto

O artigo contribui ao campo dos Estudos Organizacionais ao evidenciar como o ensino gerencial se insere na governamentalidade neoliberal. Propõe a incorporação de reflexão crítica no currículo da pós-graduação, favorecendo uma formação ética, plural e consciente dos efeitos políticos da linguagem educacional.

Referências Bibliográficas

FOUCAULT (2008); DARDOT; LAVAL (2016); BALL (2003); VEIGA-NETO (2003); BIESTA (2010); FREIRE (1996); PETRINI; WANDERER (2023); CAMPOS et al. (2020); SCHAEFER; MINELLO (2016); ISABELLE (2020); MURAD et al. (2020).

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