Anais
Resumo do trabalho
Marketing · Redes Sociais Mediadas, Ambientes e Dispositivos Digitais
Título
Dar, receber e retribuir na câmara de eco antivacina: uma análise à luz da teoria da dádiva
Palavras-chave
Câmara de Eco
Desinformação
Teoria da Dádiva
Agradecimento:
Este trabalho foi financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES.
Autores
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Bruna Scoralick QueirozEscola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM)
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Suzane StrehlauEscola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM)
Resumo
Introdução
A circulação de informações distorcidas e a fragmentação entre grupos sociais têm sido apontadas como aspectos relevantes no debate sobre os efeitos das redes digitais. Esses fatores impulsionam a formação de câmaras de eco, espaços onde conteúdos alinhados às crenças do grupo são intensamente compartilhados, enquanto visões contrárias são rejeitadas. Este artigo parte da teoria da dádiva para investigar como as trocas simbólicas sustentam vínculos e engajamento em comunidades antivacina.
Problema de Pesquisa e Objetivo
A literatura ainda explora pouco as relações simbólicas que mantêm os indivíduos engajados em câmaras de eco. O problema de pesquisa deste estudo é: como as obrigações de dar, receber e retribuir, previstas na teoria da dádiva, são incorporadas nas câmaras de eco antivacina? O objetivo foi compreender como as relações das trocas sociais de dar, receber e retribuir são incorporadas nas câmaras de eco antivacina."
Fundamentação Teórica
O referencial teórico articula câmaras de eco (Nguyen, 2018; Jamieson & Cappella, 2008), desordem informacional (Wardle & Derakhshan, 2017; Ruiz & Nilsson, 2022) e teoria da dádiva (Mauss, 2003; Godbout, 1997). As câmaras reforçam crenças comuns e rejeitam visões opostas. A desinformação circula com apelo emocional. A teoria da dádiva permite compreender as trocas simbólicas de dar, receber e retribuir como práticas que sustentam vínculos e coesão.
Metodologia
A pesquisa qualitativa, conduzida sob o paradigma interpretativista (Patton, 2002), utilizou netnografia para compreender os vínculos simbólicos em câmaras de eco antivacina. Foram acompanhados canais do Telegram e conteúdos antivacina na rede X. O canal “O Informante” foi priorizado por seu volume e engajamento. As publicações e interações foram coletadas, organizadas e analisadas no Atlas.ti. A análise seguiu os três níveis do método de Gioia et al. (2013), permitindo conectar as falas dos participantes a conceitos e dimensões mais amplas.
Análise dos Resultados
Nos canais analisados, conteúdos distorcidos circulam como elementos de troca simbólica que geram engajamento, reconhecimento e reforço de vínculos. O compartilhamento é valorizado quando envolve alertas, denúncias ou “provas ocultas”, o que legitima o participante perante o grupo. Comentários e reações revelam reciprocidade simbólica, confiança seletiva e reforço coletivo das crenças, dificultando a entrada de informações externas e sustentando a coesão interna.
Conclusão
As câmaras de eco antivacina operam como comunidades simbólicas nas quais o valor das informações compartilhadas ultrapassa sua veracidade. A teoria da dádiva permitiu compreender como os vínculos se constroem pela troca simbólica, o que ajuda a explicar a permanência dos indivíduos nesses grupos. A lógica relacional sustenta a circulação da desinformação e mostra que sua força está na coesão entre os membros, não apenas no conteúdo em si.
Contribuição / Impacto
O estudo oferece uma nova perspectiva teórica ao conectar a teoria da dádiva ao debate sobre câmaras de eco e desinformação. Ao evidenciar a dimensão relacional da circulação de conteúdos distorcidos, amplia-se a compreensão sobre os mecanismos que sustentam a adesão aos grupos antivacina. Essa abordagem pode subsidiar estratégias de enfrentamento que considerem os vínculos simbólicos e o valor atribuído à informação dentro desses ambientes.
Referências Bibliográficas
Bourdieu, P. (1989). O poder simbólico.
Caillé, A. (2002). Antropologia do dom.
Gioia, D. A., Corley, K. G., & Hamilton, A. L. (2013).
Godelier, M. (2001). L’énigme du don.
Kozinets, R. (2014). Netnography.
Mauss, M. (2003). Ensaio sobre a dádiva.
Nguyen, C. T. (2018). Echo chambers and epistemic bubbles.
Patton, M. Q. (2002). Qualitative research & evaluation methods.
Ruiz, D., & Nilsson, T. (2022).
Wardle, C., & Derakhshan, H. (2017). Information disorder.
Jamieson, K. H., & Cappella, J. N. (2008). Echo chamber.
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Ruiz, D., & Nilsson, T. (2022).
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Jamieson, K. H., & Cappella, J. N. (2008). Echo chamber.