Anais
Resumo do trabalho
Estudos Organizacionais · Diversidade, Diferença e Inclusão nas Organizações
Título
RESISTÊNCIA CULTURAL E EQUIDADE DE GÊNERO EM EMPRESAS INTERNACIONALIZADAS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA
Palavras-chave
Equidade de Gênero
Internacionalização
Barreira Cultural
Agradecimento:
Nossos agradecimentos à Capes e à Fapemig, pelo apoio financeiro e também à Universidade Federal de Lavras pelo suporte institucional e acadêmico.
Autores
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Rômula Keli MarinoUNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)
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José Ronaldo do NascimentoUNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)
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Larissa Xavier Lima CecotiUNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)
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Marco Túlio Dinali ViglioniUNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)
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Juciara Nunes de AlcântaraUNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)
Resumo
Introdução
A igualdade de gênero, estabelecida como o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 5 pela Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU, 2015), representa um compromisso global com a eliminação de todas as formas de discriminação e violência contra mulheres e meninas, além da promoção da participação plena e equitativa em todas as esferas da sociedade.No contexto organizacional, especialmente em empresas de atuação internacional, esse compromisso tem se traduzido em políticas institucionais voltadas à diversidade, equidade e inclusão, muitas vezes introduzidas
aos princípios de ESG.
aos princípios de ESG.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Apesar da relevância do tema, ainda são escassos os estudos que sistematizam de forma abrangente os impactos da resistência cultural local na implementação de políticas organizacionais de equidade de gênero em escala global. Diante dessa lacuna, este estudo busca responder à seguinte questão de pesquisa: como a resistência cultural influencia a efetividade das políticas de equidade de gênero em empresas internacionalizadas?
Fundamentação Teórica
A Teoria Neo-Institucional contribui para compreender como organizações adotam práticas de equidade de gênero em resposta a pressões normativas e globais, buscando legitimidade no campo organizacional (Meyer & Rowan, 1977; Scott, 2014; Rocha, 2015). No entanto, essas práticas enfrentam barreiras quando transpostas para contextos locais marcados por normas culturais conservadoras. O modelo de dimensões culturais de Hofstede (1980)
complementa essa análise ao evidenciar como fatores como alta masculinidade e grande distância de poder dificultam a efetiva implementação dessas políticas.
complementa essa análise ao evidenciar como fatores como alta masculinidade e grande distância de poder dificultam a efetiva implementação dessas políticas.
Discussão
A literatura tem apontado a existência de uma tensão entre a cultura organizacional das empresas internacionalizadas e a cultura nacional dos países anfitriões, especialmente no que se refere à promoção de políticas de equidade de gênero (Rocha, 2015). Essa tensão pode comprometer a efetividade das estratégias corporativas, resultar em ações simbólicas descoladas da realidade prática, como o chamado gender washing, ou até mesmo
levar à desistência da aplicação dessas políticas em determinadas filiais.
levar à desistência da aplicação dessas políticas em determinadas filiais.
Conclusão
A síntese crítica dos estudos analisados revela uma contradição estrutural entre os compromissos declarados pelas multinacionais e sua capacidade de produzir transformações reais nos contextos locais. Essa contradição aponta para o esgotamento de abordagens normativas centradas na conformidade formal e ressalta a necessidade de reconfiguração institucional profunda. A recorrência de práticas simbólicas indica que os mecanismos tradicionais de legitimação, baseados em padrões ocidentais, são insuficientes quando ignoram a centralidade das instituições informais e das desigualdades históricas.
Contribuição / Impacto
Este artigo contribui ao sistematizar evidências sobre como a resistência cultural afeta a efetividade de políticas de equidade de gênero em empresas multinacionais. Ao articular a Teoria Neo-Institucional com as dimensões culturais de Hofstede, revela como práticas simbólicas, como o gender washing, emergem em contextos adversos. O estudo impacta tanto a academia, ao preencher lacunas teóricas, quanto a prática, ao orientar estratégias organizacionais sensíveis ao contexto local. ODS 05.
Referências Bibliográficas
HOFSTEDE, Geert. Culture’s consequences: international differences in work-related values. Beverly Hills: Sage, 1984.
MEYER, John W.; ROWAN, Brian. Institutionalized organizations: formal structure as myth and ceremony. American Journal of Sociology, v. 83, n. 2, p. 340–363, 1977.
SCOTT, W. Richard. Institutions and organizations: ideas, interests, and identities. Thousand Oaks: Sage Publications, 2013.
WALTERS, Rosie. Variedades de lavagem de gênero: rumo a uma estrutura para criticar a responsabilidade social corporativa na EIP feminista. Revista de Economia Política Internacional, 2022.
MEYER, John W.; ROWAN, Brian. Institutionalized organizations: formal structure as myth and ceremony. American Journal of Sociology, v. 83, n. 2, p. 340–363, 1977.
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WALTERS, Rosie. Variedades de lavagem de gênero: rumo a uma estrutura para criticar a responsabilidade social corporativa na EIP feminista. Revista de Economia Política Internacional, 2022.