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Anais

Resumo do trabalho

Estudos Organizacionais · Diversidade, Diferença e Inclusão nas Organizações

Título

POR UM EMPREENDEDORISMO INTERSECCIONADO: UMA PROPOSTA DE DIÁLOGO NO BRASIL

Palavras-chave

Empreendedorismo crítico Interseccionalidade Mito do herói empreendedor
Agradecimento: Agradeço à Fapes pela bolsa de doutorado.

Autores

  • Mariana Marques de Lima
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO (UFES)
  • Juliana Cristina Teixeira
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO (UFES)

Resumo

Introdução

O artigo questiona a idealização do empreendedor como figura heroica, branca, masculina e meritocrática, amplamente divulgada pelo discurso neoliberal. Esse modelo ignora contextos sociais, históricos e estruturais que moldam trajetórias empreendedoras, sobretudo de grupos marginalizados. A interseccionalidade, originada no feminismo negro, é proposta como lente crítica para repensar o empreendedorismo de forma plural, situada e coletivamente enraizada.

Problema de Pesquisa e Objetivo

O artigo parte da constatação de que o campo do empreendedorismo ignora marcadores sociais como raça, gênero e classe, o que limita a compreensão das desigualdades estruturais. O objetivo é propor o conceito de “empreendedorismo interseccionado”, integrando as dimensões críticas da interseccionalidade ao campo do empreendedorismo, para desnaturalizar sua base epistemológica tradicional e promover um diálogo teórico que amplie a compreensão do fenômeno no contexto brasileiro.

Fundamentação Teórica

A base teórica articula estudos críticos do empreendedorismo, feminismo negro e interseccionalidade. Revisa a literatura sobre a construção do “mito do herói empreendedor” e a marginalização de sujeitos não alinhados a esse padrão. Traz autores como Crenshaw, Akotirene, bell hooks, Marlow e Lélia Gonzalez para argumentar que o empreendedorismo precisa ser analisado a partir da sobreposição de opressões estruturais — como racismo, sexismo e classismo — presentes nas práticas econômicas.

Discussão

Crítica epistemológica ao campo do empreendedorismo ao propor a interseccionalidade como eixo articulador para uma análise situada e relacional das trajetórias empreendedoras. O ensaio questiona a ontologia individualista do empreendedorismo neoliberal, defendendo que a atuação empreendedora está imersa em sistemas de opressão. A partir disso, propõe categorias de mediação — prática reflexiva, contextualização e coletividade — que possibilitam tensionar a produção do conhecimento, evidenciar desigualdades e descolonizar o campo.

Conclusão

O ensaio conclui que o empreendedorismo precisa ser compreendido como fenômeno social, histórico e político, atravessado por sistemas interdependentes de opressão e privilégio. Critica a noção do empreendedor autônomo e meritocrático, propondo o “empreendedorismo interseccionado” como lente crítica. O conceito valoriza saberes marginalizados e contextualiza trajetórias diversas, sendo uma alternativa às abordagens hegemônicas, especialmente nos países do Sul Global.

Contribuição / Impacto

Propomos o conceito de empreendedorismo interseccionado como uma lente teórico-analítica voltada à problematização das epistemologias hegemônicas no campo. A proposta não pretende instaurar um novo modelo explicativo, mas sim tensionar os pressupostos que invisibilizam desigualdades estruturais nas narrativas empreendedoras. Contribui ainda ao sugerir categorias mediadoras — prática reflexiva, contextualização e coletividade — que podem fomentar diálogos entre campos teóricos e abrir espaço para novas perguntas, olhares e investigações comprometidas com justiça social.

Referências Bibliográficas

• Kimberlé Crenshaw (1997)
• Carla Akotirene (2019)
• bell hooks (1984, 2018)
• Sueli Carneiro (2003)
• Lélia Gonzalez
• Ahl & Marlow (2012)
• Dy & MacNeil (2023)
• Marlow (2020)

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