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Anais

Resumo do trabalho

Estudos Organizacionais · Simbolismos, Culturas e Identidades

Título

AS RESSIGNIFICAÇÕES IDENTITÁRIAS DOS CORPOS VESTIDOS NO BAILE DA MELHOR IDADE DO PARQUE DA ÁGUA BRANCA

Palavras-chave

Baile da Melhor Idade Corpos vestidos Sociossemiótica

Autores

  • Sintya de Paula Jorge Motta
    PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO (PUCSP)

Resumo

Introdução

No coração da Zona Oeste de São Paulo, dezenas de “senhores e senhoras” se reúnem com seus looks caprichados e uma disposição admirável: o Baile da Melhor Idade do Parque da Água Branca possibilita e convida, com exclusividade, o encontro de um público mais maduro. Entre as diversas atividades oferecidas na programação do prestigiado parque da capital paulista, é a animada pista de dança com música ao vivo que atrai e se destaca aos olhos desses frequentadores, que se dirigem ao evento voluntariamente para confraternizar, dançar e interagir entre si.

Problema de Pesquisa e Objetivo

O problema que este estudo busca responder é: como a identidade dos idosos expressa-se por meio dos corpos vestidos e como as interações entre corpo e roupa com suas posturas — cinetismo — fazem ser esse sujeito que se liberta das amarras preconceituosas de uma aparência ditada pelo social? A partir da diversidade dos corpos vestidos identificados no baile, o objetivo é analisar, à luz da sociossemiótica e dos estudos da plasticidade, as reiterações que nos permitem chegar a uma tipologia das relações entre corpo e roupa.

Fundamentação Teórica

O principal aporte teórico-metodológico da investigação advém das contribuições da semiótica discursiva de Algirdas J. Greimas (2017), dos desdobramentos sociossemióticos de Eric Landowski (2012) sobre os modos de presença no social, os mecanismos de formação identitária a partir dos jogos de sua visibilidade e os regimes de interação, sentido e risco, assim como as contribuições sobre plasticidade por Ana Claudia de Oliveira (2004), além das pesquisas de Rachel Loiola (2021) sobre o vestir-se na velhice.

Metodologia

Foram observadas 20 edições do baile ao longo de 2023 e 2024, nas quais as principais impressões e as conversas com frequentadores e organizadores foram registradas em um diário de bordo da investigação. Para apoiar as análises, foi constituído um conjunto de fotografias registradas nessas visitas técnicas, além de vídeos gravados nos mesmos eventos. Em seguida, as fotografias passaram por um processo de curadoria (em que foram eliminadas fotos duplicadas ou desfocadas), assim como foram escolhidas as melhores fotos para contemplar as análises da pesquisa.

Análise dos Resultados

Durante a análise dos resultados, foi possível observar que os frequentadores, fora do baile segregados, podem, durante o evento, tornar-se destinadores de si e, com essa atuação, constroem sentidos na interação com os outros por meio da vestimenta e da sociabilização que o evento proporciona.

Conclusão

O artigo buscou demonstrar que o ambiente diverso e inclusivo do baile, com sua musicalidade e seu espaço de convivência, ao se estender aos modos de vestir, subverte lógicas segregadoras. A partir das visitações, observou-se que a dança, a música e os looks repletos de significado permitem que os idosos se tornem destinadores de si, expressando sua totalidade com sensibilidade e construindo sentidos e identidades por meio do corpo vestido.

Contribuição / Impacto

O estudo sugere que a música, a dança, a vestimenta e o estar participam da construção da identidade e do sentido das pessoas. Diante desse entendimento, a possibilidade de escolha da vestimenta presente no Baile da Melhor Idade é um exemplo que pode servir de inspiração e referência: se queremos entender e conviver de forma harmoniosa com esse público mais maduro, pesquisas para aproximá-los e integrá-los ao restante da população — e, assim, promover diálogos intergeracionais — são mais necessárias do que nunca.

Referências Bibliográficas

Greimas, A. J. (2017). Da imperfeição (2a. ed.). São Paulo: Estação das Letras e Cores: Editora do CPS.
Landowski, E. (2012). Presenças do Outro. Ensaios sociossemióticos II. São Paulo: Editora Perspectiva.
Loiola, R. F. (2021). Análise sociossemiótica dos modos de vestir na velhice. dObra[s], (31), 88–102.
Oliveira, A. C. (2004). As semioses pictóricas. In A. C. de Oliveira (org.), Semiótica plástica (pp. 115-158). São Paulo: Hacker.

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