Anais
Resumo do trabalho
Empreendedorismo · Redes de Empreendedores, Desenvolvimento Regional e Microempreendedorismo
Título
DA SUBSISTÊNCIA À ESCALA GLOBAL? Acordo Mercosul–UE, assimetrias da internacionalização e os dilemas da inclusão produtiva em mercados emergentes
Palavras-chave
Internacionalização
Microempreendedorismo
Redes de negócios
Autores
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Tatiana Dornelas de Oliveira MendesUNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA (UFJF)
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Camila Braga Soares PintoFACC/UFJF e PPGAd/UFF
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Cristina Sayuri Cortes Ouchi DusiUNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA (UFJF)
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Giovana Pedrette de OliveiraUNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA (UFJF)
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Giovani Peterson Alves MendesFaculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo - FEA
Resumo
Introdução
A abertura comercial não assegura, por si só, a integração de microempreendedores nos mercados internacionais. Este artigo parte da premissa de que acordos como o Mercosul-União Europeia, ao priorizarem grandes empresas, tendem a acentuar desigualdades. Argumenta-se que a inclusão produtiva requer estruturas de apoio, redes institucionais, capacitação técnica e inovação colaborativa. O estudo propõe um olhar crítico sobre os mecanismos previstos no acordo.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Como o Acordo Mercosul-União Europeia lida com a inclusão internacional e produtiva de microempreendedores do Sul Global? O objetivo é analisar criticamente as abordagens teóricas tradicionais da internacionalização frente às assimetrias estruturais enfrentadas por empreendedores de base local e propor alternativas baseadas em redes, políticas públicas e inovação aberta para uma inserção internacional mais equitativa.
Fundamentação Teórica
A pesquisa se ancora em três eixos: (i) a visão de mercados como sistemas sociotécnicos performativos (Araujo, 2007; Kjellberg & Helgesson, 2006); (ii) os limites das teorias tradicionais de internacionalização (Johanson & Vahlne, 1977; Rialp et al., 2005; Coviello & Munro, 1997); e (iii) abordagens críticas e periféricas sobre reconfiguração institucional e inclusão (Faria, 2023; Spohr & Alcadipani, 2013), com base em inovação colaborativa (OCDE, 2025).
Discussão
A análise revela riscos como barreiras regulatórias, ausência de redes de suporte, exigências técnicas desproporcionais e fragilidade institucional que dificultam a participação de microempreendedores no comércio exterior. Propõe-se um modelo baseado em ecossistemas locais de apoio, redes interorganizacionais e inovação aberta, articulado com políticas públicas territoriais. Destacam-se os APLs, universidades e certificações coletivas como estratégias de inserção equitativa e sustentável.
Conclusão
A ausência de estratégias voltadas à internacionalização de base local compromete a efetividade do acordo para os pequenos negócios. Sem políticas públicas estruturadas, redes colaborativas e apoio técnico, os microempreendedores seguem excluídos das cadeias globais de valor. Conclui-se que a promoção da equidade comercial depende da integração entre inovação social, arranjos produtivos territoriais e instrumentos de governança compartilhada.
Contribuição / Impacto
O artigo contribui ao debate sobre internacionalização ao tensionar os limites do Acordo Mercosul–União Europeia frente à inclusão produtiva de microempreendedores do Sul Global. Ao propor uma agenda alternativa, incorpora perspectivas críticas e periféricas que ampliam o escopo teórico dominante. Busca apresentar subsídios para o redesenho de políticas públicas e sugere diretrizes concretas para a construção de ecossistemas locais de apoio à inovação e à internacionalização com base territorial.
Referências Bibliográficas
ARAUJO, L. Markets, market-making and marketing. Marketing Theory, v. 7, n. 3, p. 211–226, 2007.
KJELLBERG, H.; HELGESSON, C. F. Multiple versions of markets: Multiplicity and performativity in market practice. Industrial Marketing Management, v. 35, n. 7, p. 839–855, 2006.
ORGANIZAÇÃO PARA A COOPERAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO – OCDE. Manual de Oslo 2018: diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre inovação. 4. ed. Brasília: FINEP, 2025.
SPOHR, N; ALCADIPANI, R. Estudos críticos em negócios internacionais: uma proposta de diálogo. Internext. v. 8, n. 3, p. 1–19, 2013.
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SPOHR, N; ALCADIPANI, R. Estudos críticos em negócios internacionais: uma proposta de diálogo. Internext. v. 8, n. 3, p. 1–19, 2013.