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Anais

Resumo do trabalho

Administração Pública · Governança, Ação Pública e Políticas Públicas

Título

Brasil – China: Relação Comercial, Pauta Exportadora e Dependência

Palavras-chave

Exportação Comércio Internacional Políticas públicas
Agradecimento: Agradeço à FAPEMIG pelo apoio concedido, fundamental para a realização desta pesquisa e para o fortalecimento da produção científica em Minas Gerais.

Autores

  • Lucas Fontes
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA (UFV)
  • Suely de Fátima Ramos Silveira
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA (UFV)

Resumo

Introdução

O Brasil mantém relações diplomáticas com a China Desde 1974, permaneceu uma relação limitada, até que se intensificaram em 1993, quando a China reconheceu o Brasil como um “parceiro estratégico”. Com o crescimento chinês, o Brasil aproveitou a alta demanda por commodities, o que impulsionou sua economia entre 2003 e 2008. A China tornou-se o principal parceiro comercial brasileiro em 2011. No entanto, o comércio bilateral é assimétrico: o Brasil exporta majoritariamente produtos primários e importa manufaturados.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Investigar se a pauta exportadora brasileira para a China entre 2016 e 2023 revela uma dependência estrutural baseada na exportação de commodities, em detrimento de produtos manufaturados, e avaliar os impactos dessa dinâmica sobre a economia nacional, com o objetivo de identificar a necessidade de políticas públicas que promovam a diversificação e agregação de valor às exportações brasileiras.

Fundamentação Teórica

A relação comercial entre Brasil e China cresceu de US$ 10 bilhões em 2000 para US$ 240 bilhões em 2015, marcando uma mudança no modelo clássico de trocas e revelando uma assimetria: a China exporta manufaturados e ocupa mercados antes latino-americanos. Há debate sobre se isso leva à desindustrialização do Brasil. Enquanto alguns apontam riscos, outros veem a relação como benéfica.

Metodologia

Levantou-se dados no COMEX STAT (2016–2023) para analisar a natureza das exportações brasileiras para a China. Foram comparados produtos primário-extrativos (soja, minério de ferro, carne bovina) com manufaturados (combustíveis, açúcar, papel). Os resultados mostram que, em média, 61,84% das exportações brasileiras para a China são commodities, contra apenas 20,26% de manufaturados. A análise estatística reforça a predominância de produtos primários, sugerindo uma pauta exportadora ainda fortemente primarizada, com implicações para a industrialização e dependência econômica do Brasil.

Análise dos Resultados

As commodities representam, em média, 61,84% das exportações brasileiras para a China, enquanto os manufaturados representam apenas 20,26%, o que evidencia uma pauta exportadora fortemente primarizada. A análise gráfica e estatística revelou maior volatilidade nos dados de commodities, especialmente influenciadas por fatores externos como o embargo chinês à carne bovina em 2021. A exclusão desses outliers não alterou significativamente a proporção das exportações, dado o menor peso da carne bovina frente à soja e ao minério.

Conclusão

Os dados sugerem uma dependência estrutural do Brasil em relação ao mercado chinês, ancorada em produtos de baixo valor agregado e sujeitos à volatilidade internacional. Tal padrão levanta preocupações quanto à vulnerabilidade da economia brasileira e à necessidade de políticas públicas que estimulem a agregação de valor, a reindustrialização e a diversificação da pauta exportadora.

Contribuição / Impacto

O estudo busca contribuir para o entendimento da dependência do Brasil em relação à China, evidenciando a primarização da pauta exportadora. Ao quantificar essa relação, oferece subsídios para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à reindustrialização, agregação de valor às commodities e maior competitividade dos produtos manufaturados, impactando diretamente o planejamento estratégico do comércio exterior brasileiro.

Referências Bibliográficas

Bonelli, Veiga, Brito, Freitas, Haibin, Hiratuka, Sarti, Jabbour, Gabriele, Jenkins, Katz, Lima, Carvalho, Rosa, Marini, Moreira, Santos, Oliveira, Pinto, Rodrigues, Villela, UNICA, Wallerstein, Leite, Martins, Lisboa, Wilkinson, Junior, Lopane.

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