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Anais

Resumo do trabalho

Estudos Organizacionais · Simbolismos, Culturas e Identidades

Título

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS, CAPITAL PSICOLÓGICO E CONTEXTO DE TRABALHO: UMA ANÁLISE DAS ATITUDES DOS POLICIAIS CIVIS DIANTE DO FEMINICÍDIO NA BAHIA

Palavras-chave

Feminicídio Representações sociais Atitudes

Autores

  • Ana Carla Teixeira de Carvalho Ladeia
    UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA (UFBA)
  • Lindomar Pinto da Silva
    UNIVERSIDADE SALVADOR (UNIFACS)
  • Diego da Silva Santos
    UNIVERSIDADE SALVADOR (UNIFACS)

Resumo

Introdução

A violência contra a mulher tem se intensificado em escala global, assumindo contornos alarmantes no Brasil. Por sua vez, entendemos que as atitudes e comportamento dos indivíduos são influenciados pelas representações sociais e seu estoque de capital psicológico. No âmbito da segurança pública, responsável por prevenir e combater esses crimes, esses fatores podem ser determinantes na forma como os agentes lidam com as mulheres vítimas da violência de gênero e as famílias em caso de feminicídio, uma vez que o comportamento do agente pode inibir ou incentivar a denúncia.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Diante deste contexto, formula-se a seguinte pergunta de pesquisa: Quais as inluências das representações sociais e capital psicológico no comportamento dos agentes da policia civil da Bahia no enfrentamento dos crimes de violência de gênero e do feminicídio? Esta pergunta leva ao seguinte objetivo: Investigar as influências das representações sociais e do capital psicológico no enfrentamento da violência de gênero e do feminicídio pelos agentes da policia civil da Bahia.

Fundamentação Teórica

Representações sociais são formas de interpretar, comunicar e agir sobre o mundo social que orientam comportamentos, definem identidades e estruturam práticas cotidianas (Moscovici, 2007; Jodelet, 2001). O capital psicológico refere-se a um estado psicológico positivo do indivíduo, composto por quatro dimensões centrais: autoeficácia, otimismo, esperança e resiliência. As atitudes são compreendidas como predisposições aprendidas que orientam pensamentos, sentimentos e comportamentos diante de objetos ou fenômenos sociais (Eagly; Chaiken, 1993).

Metodologia

É um estudo qualitativo cujos dados foram obtidos através de análise documental e entrevistas semiestruturadas com membros da organização objeto deste estudo. As entrevistas foram conduzidas mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). As entrevistas duraram em torno de 30 a 40 minutos. E foram obtidos representantes de várias unidades da Bahia na tentativa de ampliar a diversidade dos respondentes. Foram obtidas 32 entrevistas que foram analisadas através de análise de conteúdo buscando identificar temas comuns que pudessem representar os construtos da pesquisa.

Análise dos Resultados

Foram identificados cinco temas que representam as representações sociais: Feminicídio como expressão extrema da desigualdade de gênero, Naturalização histórica da violência contra a mulher, Feminicídio como crime qualificado e prioritário na atuação policial, Feminicídio como reflexo de falhas sistêmicas e culturais mais amplas, Empatia e humanização do atendimento como enfrentamento ao ciclo da violência. Além desses, emergiram outros fatores relevantes: atendimento às vítimas e às famílias, condições de trabalho e estrutura organizacional, formação e capacitação e capital psicológico.

Conclusão

Os resultados mostraram que do ponto de vista institucional, o foco mostra-se na repressão e punição do crime após o seu cometimento. Além disso, foi percebido, especialmente na análise documental, um silenciamento da instituição no que se refere ao problema da violência de gênero como um problema estrutural da sociedade que pode igualmente afetar os membros da organização. Os respondentes refletem uma ambiguidade mostrando reproduzir a estrutura social que vê a mulher como subalterna ao mesmo tempo que percebe mudanças importantes na organização.

Contribuição / Impacto

Do ponto de vista da organização policial, este estudo oferece a possibilidade de compreender como seus servidores representam o feminicídio e a violência contra a mulher, permitindo que ações sejam adotadas no sentido de potencializar as mudanças que a sociedade tem exigido no trato com a questão da violência de gênero. Diante disso, direcionar as ações para reconfigurar as representações sociais no contexto da polícia civil pode ser tão eficaz no combate a este crime quanto o aumento do aparato tecnológico e de armamentos

Referências Bibliográficas

EAGLY, Alice H.; CHAIKEN, Shelly. The psychology of attitudes. Harcourt brace Jovanovich college publishers, 1993.
LUTHANS, Fred; YOUSSEF, Carolyn M.; AVOLIO, Bruce J. Psychological capital: Developing the human competitive edge. 2006.
MOSCOVICI, S. Representações Sociais: Investigações em Psicologia Social. 5.ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 2007.
MOSCOVICI, Serge. La psychanalyse, son image et son public: 2e ed. Presses Universitaires de France, 1976.

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