Logo

Anais

Resumo do trabalho

Estudos Organizacionais · Simbolismos, Culturas e Identidades

Título

O PARADOXO QUASI-LOVECRAFTIANO DA NEUTRALIDADE ESTRATÉGICA EM CONTEXTOS FRÁGEIS

Palavras-chave

Neutralidade estratégica Legitimidade simbólica Rent-seeking

Autores

  • Thiago Henrique Moreira Goes
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ (UFPR)

Resumo

Introdução

Inspirado na obra de Lovecraft, este artigo propõe o paradoxo quasi-lovecraftiano: organizações, diante de eventos altamente polarizados, optam pelo silêncio estratégico como resposta racional. Baseado na teoria institucional, simbolismo organizacional e estudos sobre rent-seeking, desenvolve-se um modelo teórico-formal de utilidade simbólica para explicar por que e quando o silêncio maximiza a legitimidade em contextos frágeis e ambíguos.

Problema de Pesquisa e Objetivo

O artigo investiga por que organizações optam pelo silêncio diante de eventos polarizados, mesmo sob pressão por responsabilidade social. Busca-se desenvolver um modelo teórico-formal de utilidade simbólica que explique essa escolha estratégica, integrando variáveis como reputação, custo de posicionamento, visibilidade, alinhamento normativo e enforcement institucional em contextos frágeis.

Fundamentação Teórica

A fundamentação articula teoria institucional, simbolismo organizacional e literatura sobre rent-seeking. Explora como organizações buscam legitimidade por meio de linguagem simbólica, dissociando discurso e prática em contextos de baixo enforcement. Aborda o ESG como ferramenta de imunização reputacional e introduz o conceito de rent-seeking simbólico como estratégia racional de neutralidade diante de pressões normativas ambíguas.

Discussão

A discussão interpreta o modelo de utilidade simbólica como resposta estratégica ao caos institucional. A partir da metáfora quasi-lovecraftiana, o silêncio organizacional é tratado como racionalidade simbólica diante de riscos reputacionais incalculáveis. O modelo é operacionalizável por proxies e dialoga com a literatura sobre performatividade, decoupling e gestão simbólica, oferecendo novas lentes para compreender a omissão como estratégia de proteção institucional.

Conclusão

O artigo propõe um modelo formal de utilidade simbólica para explicar o silêncio estratégico de organizações diante de eventos controversos. A heurística apresentada articula reputação, custo de posicionamento e risco institucional. Embora teórico, o modelo é ilustrado com casos reais e permite operacionalização empírica. Conclui-se que a omissão não é ausência de ação, mas uma escolha racional diante de incertezas normativas e fragilidades institucionais.

Contribuição / Impacto

A principal contribuição está na modelagem de variáveis reputacionais, normativas e estratégicas que explicam o silêncio organizacional em ambientes ambíguos. A proposta amplia o repertório analítico da teoria institucional ao incorporar lógica econômica e simbolismo discursivo, com potencial de aplicação em pesquisas comparadas.

Referências Bibliográficas

Christensen, L. T., Morsing, M., & Thyssen, O. (2013). CSR as aspirational talk. Organization, 20(3), 372–393.
Meyer, J. W., & Rowan, B. (1977). Institutionalized organizations: Formal structure as myth and ceremony. American Journal of Sociology, 83(2), 340–363.
Suddaby, R., & Greenwood, R. (2005). Rhetorical strategies of legitimacy. Administrative Science Quarterly, 50(1), 35–67.
Shleifer, A., & Vishny, R. W. (1993). Corruption. Quarterly Journal of Economics, 108(3), 599–617.

Navegação

Anterior Próximo