Anais
Resumo do trabalho
Estudos Organizacionais · Simbolismos, Culturas e Identidades
Título
TECNORRITUAIS DE PRESENÇA: PERFORMATIVIDADE ALGORÍTMICA E A ESTÉTICA DO TRABALHO NAS CULTURAS ORGANIZACIONAIS DIGITAIS
Palavras-chave
Rituais Organizacionais
Cultura Digital
Performatividade
Autores
-
Ana Beatriz Pereira ReisUNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA (UFU)
Resumo
Introdução
A cultura organizacional digitalizada intensificou a exigência por presença performática e responsiva. Em vez de apenas estar, é preciso aparecer, responder e expressar-se com leveza e clareza. Este ensaio investiga os efeitos simbólicos da presença digital, interpretando práticas mediadas por plataformas como rituais organizacionais que codificam engajamento, moldam identidades e regulam a visibilidade institucional.\r\n\r\n
Problema de Pesquisa e Objetivo
O artigo busca analisar os efeitos simbólicos, performativos e normativos dos rituais de presença digital nas culturas organizacionais. Parte da seguinte pergunta: como os tecnorrituais de presença moldam, regulam e silenciam identidades nas organizações digitalizadas? O objetivo é compreender criticamente como práticas simbólicas mediadas por plataformas influenciam reconhecimento institucional e exclusão estética.
Fundamentação Teórica
A análise apoia-se em três eixos teóricos: (1) o ritual como dispositivo simbólico organizacional (Turner, Goffman, Czarniawska); (2) a estética performativa da presença digital (Butler, Hancock & Tyler, Zuboff); e (3) os limites e margens da subversão simbólica (De Certeau, Ahmed, Benjamin). A abordagem articula estudos organizacionais críticos com teoria pós-estruturalista e autores interseccionais.
Discussão
Identificam-se práticas como câmeras ligadas, emojis positivos e respostas imediatas como tecnorrituais que esteticizam a presença e padronizam afetos. Esses rituais reforçam desigualdades simbólicas e penalizam sujeitos dissidentes. Quadros analíticos ilustram os efeitos excludentes, enquanto contraperformances (silêncio, fundo real, demora) surgem como brechas de resistência estética e política.\r\n\r\n
Conclusão
Os tecnorrituais de presença operam como dispositivos de disciplinamento simbólico nas organizações digitais, tornando a subjetividade codificável e mensurável. O artigo defende que a identidade organizacional, antes construída, é agora renderizada. Sugere-se a valorização de presenças plurais, silenciosas ou não otimizadas, como caminho para uma cultura digital organizacional mais inclusiva e crítica.
Contribuição / Impacto
O artigo contribui ao introduzir uma leitura crítica da estética da presença organizacional digital como ferramenta de controle simbólico. Teoricamente, amplia o campo dos estudos organizacionais ao cruzar simbolismo, performatividade e cultura algorítmica. Gerencialmente, propõe reflexões sobre reconhecimento, engajamento e diversidade simbólica em contextos mediados por plataformas.
Referências Bibliográficas
Ahmed (2017); Alvesson & Willmott (2002); Benjamin (2019); Bucher (2018); Butler (1990, 1997, 2004); Cheney-Lippold (2017); Crenshaw (1991); Czarniawska (2008); De Certeau (1994); Fleming & Spicer (2003); Goffman (1959); Lemos (2013); Sørensen (2021); Zuboff (2019).\r\n\r\n