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Anais

Resumo do trabalho

Administração Pública · Governança, Ação Pública e Políticas Públicas

Título

PRÁTICAS GERENCIALISTAS NA EDUCAÇÃO BÁSICA: UMA ANÁLISE CRÍTICA À LUZ DE GUERREIRO RAMOS

Palavras-chave

Nova Gestão Pública Educação básica Guerreiro Ramos
Agradecimento: O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001.

Autores

  • Bárbara Maia Reis Souza
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA (UFV)
  • Rafaela Cátia de Souza
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA (UFV)
  • Diego Costa Mendes
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA (UFV)

Resumo

Introdução

A Nova Gestão Pública, inspirada no setor privado, busca eficiência e foco em resultados na administração pública. No Brasil, essa gestão impactou diretamente a educação ao unir o direito ao acesso e à diversidade, com a flexibilização administrativa e as avaliações centralizadas. Essa combinação incorporou lógicas mercadológicas à gestão educacional, e sua aplicação acrítica pode comprometer os valores essenciais da formação cidadã, priorizando fatores tecnocratas.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Com vista a compreender os efeitos das práticas gerencialistas no ensino básico brasileiro, a pesquisa investiga as implicações do gerencialismo na educação a partir da literatura acadêmica produzida de 2014 a 2024, e através desse resultado, discutir criticamente os achados com o arcabouço teórico de Guerreiro Ramos.

Fundamentação Teórica

Guerreiro Ramos propõe uma análise crítica do modelo gerencial importado e eurocêntrico, defendendo que paradigmas sociais devem estar relacionados aos problemas concretos locais. Ele critica a deturpação da razão, a hegemonia da racionalidade instrumental e o colonialismo organizacional, sugerindo a racionalidade substantiva para uma gestão ética e social-democrática que promova autonomia e criticidade.

Discussão

A Nova Gestão Pública se mostrou presente nas políticas educacionais brasileiras e nos modelos de gestão da educação básica, adotando princípios do mercado, como busca por resultados, parcerias público-privadas e desresponsabilização do Estado na oferta de serviços. Como resultado, a gestão, o ensino e o trabalho escolar sofreram tecnificação, enfraquecimento da autonomia, além de precarização docente, esvaziamento político e aumento das desigualdades. Os achados comunicam com Guerreiro Ramos, sua crítica à racionalidade instrumental e à necessidade de formação cidadã reflexiva e autônoma.

Conclusão

O enfrentamento dos limites do paradigma gerencialista exige mais que ajustes instrumentais, demandando uma reforma das políticas públicas educacionais baseada em direitos, participação democrática e valores éticos. Pesquisas futuras devem investigar as necessidades nacionais para superar a lógica gerencial, buscando um modelo híbrido que una eficiência, regionalidade e cidadania, e questionando o discurso que legitima o mercado como único gestor da educação pública.

Contribuição / Impacto

Este estudo contribui ao sistematizar evidências sobre os impactos das práticas gerencialistas na educação brasileira por meio de uma revisão integrativa, e ao aplicar o referencial crítico de Guerreiro Ramos. Isso fornece subsídios para a reflexão e formulação de políticas educacionais coerentes, ampliando o debate sobre a gestão pública e o papel do Estado na educação básica

Referências Bibliográficas

As referências incluem estudos seminais na área, como Bresser-Pereira (1996, 1998) e Ramos (1954, 1981, 1996), além de pesquisas recentes sobre a Nova Gestão Pública e práticas gerencialistas na educação brasileira (Almeida, 2020; Antônio de Oliveira et al., 2022; Aureliano; Dos Santos Garcia; De Queiroz ,2014; Barbosa et al. , 2022; Bertagna; Borghi, 2018; Bigarella; Alves, 2015; Botelho et al., 2022; Brazorotto; Sousa, 2023; Caetano, 2018; Campos; Madeira, 2020; Carneiro; Jacomini; Bello, 2023; Carvalho et al., 2018; Cavalcanti, 2018; Cóssio; Sherer; Lopes, 2020; Domiciano, 2020) e etc.

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