Anais
Resumo do trabalho
Estudos Organizacionais · Simbolismos, Culturas e Identidades
Título
FILHOS DO ESPETÁCULO: O fenômeno dos bebês reborn e a sociedade do espetáculo
Palavras-chave
Bebês Reborn
Mercantilização do afeto
Espetacularização
Agradecimento:
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG)
Autores
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Ana Julia Guimarães BertiUNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)
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Guilherme Lourenço Da Silva TescaroUNIVERSIDADE FEDERAL DE ALFENAS (UNIFAL-MG)
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Ian Guimarães Berti
Resumo
Introdução
O fenômeno dos bebês reborn, bonecos que simulam bebês humanos em detalhes anatômicos e estéticos, tem crescido significativamente, ocupando espaços diversos como o mercado de colecionismo, o uso terapêutico e até a reprodução simbólica de vínculos parentais. Produzidos artesanalmente ou em escala, esses bonecos são vendidos por valores até superiores a R$5mil, dependendo do nível de detalhamento e personalização. Embora sejam frequentemente associados à arte ou ao uso psicológico, os reborn também se tornaram objeto de debate público
Problema de Pesquisa e Objetivo
O caráter simbólico e espetacular dos bebês reborn torna-se ainda mais evidente diante das reações sociais que ele provoca: comoção, estranhamento, zombaria e, sobretudo, um julgamento moral. Assim, o artigo propõe analisar como o fenômeno dos bebês reborn é construído simbolicamente através de notícias, e de que forma essa construção está relacionada com o conceito da Sociedade do Espetáculo, conforme elaborado por Guy Debord (1997). Busca-se compreender como as mídias constroem sentidos sobre esse objeto e como essa construção reflete o mecanismo de mercantilização da vida cotidiana
Fundamentação Teórica
Debord (1997) define o espetáculo como um modo de organização social baseado na substituição da experiência direta pela representação. O espetáculo, mais do que um acúmulo de imagens, é uma relação social mediada por imagens, na qual o real é deslocado por sua encenação estética e mercantilizada. Essa lógica espetacular se expressa na forma como objetos ganham valor simbólico, como ocorre com os bebês reborn, cuja materialidade é menos relevante do que sua capacidade de gerar vínculos simbólicos, visibilidade e polêmica
Metodologia
O trabalho se constituí de uma pesquisa qualitativa, com o foco de compreender como as representações midiáticas dos bebês reborn podem ser interpretadas como manifestações contemporâneas da espetacularização da vida social. Para isso, utilizou-se a análise de conteúdo, conforme os pressupostos metodológicos propostos por Bardin (2011), como ferramenta analítica para a interpretação de 25 notícias selecionadas pela plataforma Google que possuem o termo “bebês reborn” em seu título e foram publicadas de 01/05/2025 a 30/06/2025
Análise dos Resultados
Identificou-se 5 categorias temáticas: Mercantilização dos afetos, sendo a transformação do vínculo emocional em consumo simbólico; Espetáculo e midiatização, como o fenômeno é amplificado pelas mídias e redes sociais; Simulacro e realidade, limites entre representação e realidade; Moralização e controle social, tentativa do Estado e da sociedade de controlar o uso dos reborn via legislação, normas ou discursos moralizantes e; Afetividade, identidade e subjetividade, modo como os reborn se inserem nas construções de afeto, subjetividade, gênero e pertencimento social
Conclusão
A análise evidencia como o fenômeno se consolida em objeto simbólico disputado que, ao serem representados, mobilizam significados relacionados à maternidade, ao afeto, à identidade e ao limite entre o real e o representado, sendo um fenômeno social atravessado por conflitos simbólicos e normativos. Pela sociedade do espetáculo observou-se que os bebês reborn funcionam como simulacros afetivos, cuja visibilidade é construída e reforçada pelas mídias. O espetáculo, ao mediar as relações humanas por meio de imagens, transforma os reborn em mercadorias que performam vínculos emocionais
Contribuição / Impacto
O trabalho contribui academicamente ao analisar, pela teoria de Debord, como os bebês reborn exemplificam a mercantilização do afeto, a espetacularização da vida e o limite entre o real e o representado. O estudo conecta uma teoria já consolidada com um fenômeno contemporâneo, a fim de se demonstrar a aplicação, e incentivar a replicação, dos estudos de autores já consolidados.
Referências Bibliográficas
BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. São Paulo: Edições, 2011.
DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Tradução de Estela dos Santos Abreu. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.
WOOD Jr., Thomaz. Organizações de simbolismo intensivo: entre o espetáculo e a performance. Revista de Administração de Empresas, v. 40, n. 2, p. 20–31, 2000.
MORRILL, Calvin. Culture and Organization Theory. The Annals of the American Academy of Political and Social Science, v. 619, n. 1, p. 15–40, 2008.
MARTIN, Joanne. Organizational culture: mapping the terrain. Thousand Oaks: Sage Publications, 2001.
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