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Anais

Resumo do trabalho

Estudos Organizacionais · Diversidade, Diferença e Inclusão nas Organizações

Título

REPENSANDO A COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL SOB A ÓTICA DA INTERSECCIONALIDADE

Palavras-chave

Comunicação Organizacional Interculturalidade Interseccionalidade

Autores

  • MILENE ROCHA LOURENÇO
  • Suzana Assis Bandeira de Melo
    Escola de Comunicações e Artes - USP

Resumo

Introdução

Em contextos marcados por disputas sociais por equidade, diversidade e justiça, as organizações são desafiadas a rever suas práticas comunicacionais. Este ensaio teórico propõe a interseccionalidade como lente de análise crítica da comunicação organizacional, ao considerar a interculturalidade como base estrutural dos processos interacionais. Busca-se compreender como marcadores sociais como raça, gênero, classe e outros atravessam os discursos institucionais, revelando estruturas de poder, exclusão simbólica e desigualdades nas relações entre sujeitos no ambiente organizacional.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Como compreender a comunicação organizacional em contextos atravessados por múltiplos marcadores sociais, como raça, gênero, classe, sexualidade e deficiência? Este ensaio propõe refletir sobre os limites das abordagens tradicionais da área e apresentar a interseccionalidade, articulada à interculturalidade, como chave analítica potente para repensar práticas comunicacionais. A proposta busca evidenciar como dinâmicas de poder estruturam desigualdades e silenciam determinadas vozes nos espaços institucionais.

Fundamentação Teórica

A fundamentação parte da crítica às abordagens tradicionais da comunicação organizacional, como a funcionalista, que ignora disputas simbólicas e relações de poder. Propõe-se uma articulação entre a interculturalidade — entendida como base das interações comunicacionais — e a interseccionalidade, que permite compreender como os discursos institucionais são atravessados por marcadores sociais. Referenciais como Collins, Rizo, Walsh, Spivak e Lugones sustentam a análise das estruturas de exclusão e a necessidade de reconhecer múltiplas vozes e saberes nos processos comunicacionais.

Discussão

A interseccionalidade, articulada à interculturalidade, amplia a compreensão da comunicação organizacional ao evidenciar como discursos institucionais refletem ou silenciam identidades diversas. Ao invés de espaços neutros, as organizações operam como arenas simbólicas em que diferentes sujeitos disputam sentidos e legitimidades. Essa abordagem permite identificar os efeitos de desigualdades estruturais sobre os processos comunicativos, revelando como relações de poder moldam narrativas, produzem exclusões e limitam a participação de grupos historicamente marginalizados.

Conclusão

A interseccionalidade, compreendida a partir da interculturalidade, permite repensar a comunicação organizacional como um campo atravessado por disputas simbólicas, relações de poder e marcadores sociais. Ao invés de tratá-la como processo técnico ou meramente estratégico, propõe-se um olhar crítico sobre como discursos hegemônicos silenciam vozes subalternizadas. Uma comunicação inclusiva exige escuta ativa, valorização da pluralidade e transformação das estruturas institucionais, promovendo práticas mais equitativas e democráticas no ambiente organizacional.

Contribuição / Impacto

Este ensaio contribui para o campo da comunicação organizacional ao propor a interseccionalidade, fundamentada na interculturalidade, como uma chave analítica capaz de revelar exclusões estruturais nos discursos institucionais. Ao deslocar o foco das abordagens instrumentais para uma perspectiva crítica, oferece subsídios teóricos para práticas comunicacionais mais inclusivas. O impacto se dá ao ampliar o debate acadêmico e propor estratégias que promovam justiça comunicacional, representatividade ativa e reestruturação dos espaços de fala nas organizações.

Referências Bibliográficas

COLLINS, Patricia Hill. Bem mais que ideias: a interseccionalidade como teoria social crítica. São Paulo: Boitempo, 2022.
COLLINS, Patricia Hill; BILGE, Sirma. Interseccionalidade. São Paulo: Boitempo, 2021.
RIZO, Marta García. Comunicación e interculturalidad. Global Media Journal, v. 10, n. 19, 2013.
WALSH, Catherine. Interculturalidade crítica e pedagogia decolonial. In: CANDAU, V. M. (Org.). Educação intercultural na América Latina. 2009.
SPIVAK, Gayatri Chakravorty. Pode o subalterno falar? BH: UFMG, 2014.
LUGONES, María. The coloniality of gender. Worlds e Knowledges Otherwise, v.2 2008.

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