Anais
Resumo do trabalho
Gestão de Pessoas · As faces da Diversidade
Título
NÃO BASTA SER MULHER: Gestão Feminina em Instituições de Ensino sob a ótica da Interseccionalidade
Palavras-chave
Desigualdade
Interseccionalidade
Mulheres
Autores
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Thais Araujo Mendes PereiraUNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ (UFPI)
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Luana de Oliveira AlvesUNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ (UFPI)
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LAÍSE DO NASCIMENTO SILVAUNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ (UESPI)
Resumo
Introdução
Historicamente, as mulheres eram restritas ao espaço doméstico, enquanto os homens dominavam o mercado de trabalho (Salvagni; Canabarro, 2015). A industrialização e os movimentos feministas permitiram maior participação feminina no mundo do trabalho (Siqueira; Bussinger, 2020). No entanto, em 2024, a ocupação masculina era de 68,3%, contra 48,1% das mulheres (IBGE, 2024). A interseccionalidade revela que as vivências das mulheres são marcadas por diversas formas de opressão, não podendo ser analisadas somente pelo gênero, mas considera raça, classe social e idade (Crenshaw 1989).
Problema de Pesquisa e Objetivo
O objetivo deste artigo é compreender como as interseccionalidades de gênero, raça, classe e idade influenciam a experiência de mulheres em cargos de gestão nas instituições de ensino, desde a trajetória de carreira até os desafios vivenciados no exercício da função.
Fundamentação Teórica
O referencial teórico desta pesquisa será estruturado em duas principais seções. A primeira seção (2.1) aborda a liderança feminina e sua inserção no Ensino Superior brasileiro, discutindo que embora o acesso das mulheres às universidades tenha se intensificado a partir da década de 1930, ainda persistem desigualdades na ocupação de cargos de alto escalão, como reitorias e vice-reitorias. Já a segunda seção (2.2) será dedicada à Teoria da Interseccionalidade, que permitirá uma análise mais aprofundada das múltiplas dimensões de opressão — como gênero, raça, classe e idade.
Metodologia
Este estudo utilizou a abordagem qualitativa. Utilizou-se como técnica de coleta de dados a entrevista narrativa, a partir das quais emergem histórias de vida das entrevistadas. Fundamentado na teoria da Interseccionalidade (Crenshaw, 1989), analisou as entrevistas de 10 gestoras de instituições de ensino do Piauí e Maranhão, realizadas por videoconferência (Google Meet), entre fevereiro e março de 2025, conforme a disponibilidade de cada entrevistada. Empregou-se a técnica de análise de conteúdo de Bardin (1977) a partir da análise de quatro categorias expostas nos resultados do trabalho.
Análise dos Resultados
Os resultados da pesquisa revelam que, mesmo ocupando posições de destaque em suas instituições, as gestoras entrevistadas ainda enfrentam diferentes tipos de desafios relacionados a questões de gênero, raça, classe social e idade. Quanto às estratégias de enfrentamento, observou-se aspectos como espiritualidade e fortalecimento emocional e redes de apoio (apoio entre pares, família, amigos). Também foi possível observar a gestão sob o olhar feminino que apresenta a forma como essas mulheres percebem e exercem a liderança a partir de suas vivências composta por sensibilidade e cuidados.
Conclusão
Concluiu-se que as gestoras ainda enfrentam desvalorização e falta de reconhecimento, além de desafios associados à idade e a raça. Contudo, desenvolveram estratégias para lidar com os problemas. Destacou-se a importância do relacionamento com suas equipes, evidenciando práticas de gestão baseadas no diálogo, na escuta e na mediação de conflitos. Os resultados reforçam a necessidade de pensar políticas de equidade de gênero a partir de uma perspectiva interseccional, considerando os diversos marcadores sociais que influenciam o percurso profissional das mulheres.
Contribuição / Impacto
Para o avanço de uma sociedade mais justa e equitativa, é fundamental que homens e mulheres tenham as mesmas oportunidades de qualificação e ocupem posições nos diversos setores. Como contribuição prática da pesquisa recomenda-se a criação de políticas que proporcione às profissionais mães conciliar a dupla jornada com as demandas do trabalho, e que sejam embasadas na questão de incluir e apoiar os grupos minoritários.
Referências Bibliográficas
CRENSHAW, K. Demarginalizing the intersection of race and sex: a black feminist critique of antidiscrimination doctrine, feminist theory and antiracist politics. University of Chicago Legal Forum, 1989. SALVAGNI, J.; CANABARRO, J. R. S. Mulheres líderes: as desigualdades de gênero, carreira e família nas organizações de trabalho. Revista de Gestão e Secretariado, 2015. SIQUEIRA, C. B.; BUSSINGUER, E. C. A. As ondas do feminismo e seu impacto no mercado de trabalho da mulher, 2020. MACHADO, L. A.; NEGREIROS, E. C. Teoria da interseccionalidade e feminismo contemporâneo, 2024.