Logo

Anais

Resumo do trabalho

Estratégia em Organizações · Processo Estratégico nas Organizações

Título

O AUDITOR INTERNO COMO PRATICANTE DA ESTRATÉGIA: UMA REFLEXÃO A PARTIR DAS PRÁTICAS DO MIDDLE MANAGER À LUZ DA SAP

Palavras-chave

Auditor Interno Middle Manager Estratégia como Prática (SAP)

Autores

  • Maria Carolina Santiago
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
  • Diêgo Alexandre Duarte
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)

Resumo

Introdução

O auditor interno tem ganhado destaque na gestão estratégica por atuar como elo entre a alta gestão e os pares, contribuindo para a execução da estratégia e a transparência. Suas práticas se aproximam das dos gerentes intermediários, pois ambos são considerados praticantes ativos da estratégia sob a ótica da Strategy-as-Practice (SAP), que entende a estratégia como um fluxo dinâmico de ações e interações entre múltiplos atores. Este estudo, portanto, amplia a análise da SAP para incluir os auditores internos, mesmo que a literatura majoritária se concentre nos gerentes internos.

Problema de Pesquisa e Objetivo

O objetivo do estudo é compreender como as práticas do auditor interno interferem no processo estratégico e em que medida se assemelham às dos Middle Managers, sob a ótica da Strategy-as-Practice (SAP). A análise se baseia no estudo de Rouleau (2005) sobre micropráticas estratégicas. A questão central que orienta esta reflexão é: Como a atuação do auditor interno, enquanto praticante, se assemelha à do Middle Manager na perspectiva da SAP?

Fundamentação Teórica

A literatura reconhece a relevância estratégica dos gerentes intermediários como mediadores entre alta gestão e operação (Floyd & Wooldridge, 2000; Mantere, 2008). Sob a ótica da Strategy-as-Practice, são praticantes ativos da estratégia (Jarzabkowski, Balogun & Seidl, 2007). Estudos destacam suas contribuições em mudanças organizacionais e na tradução e implementação de estratégias (Rouleau, 2005; Huy, 2001). Esta pesquisa investiga como auditores internos se aproximam dessas práticas.

Discussão

A Estratégia como Prática (SAP) analisa microatividades estratégicas e sua interação com temas como governança (Jarzabkowski et al., 2022). Diferente da visão tradicional, a SAP revela práticas informais e cotidianas de atores como gerentes intermediários e auditores internos. Com base em Floyd e Wooldridge (1992) e Rouleau (2005), destaca-se a convergência entre suas práticas na execução, adaptação e legitimação da estratégia, conectando níveis hierárquicos e promovendo sentido às mudanças.

Conclusão

O estudo evidenciou que auditores internos, assim como middle managers, exercem papel estratégico por meio de micropráticas cotidianas, influenciando diretamente a implementação e a sustentação da estratégia organizacional (Rouleau, 2005). Além de traduzirem e operacionalizarem diretrizes, os auditores monitoram gestores, promovendo transparência e conformidade. Ao reconhecer sua atuação como agente estratégico, amplia-se a compreensão dos sujeitos que efetivamente constroem a estratégia nas organizações.

Contribuição / Impacto

Este trabalho apresenta, assim, uma contribuição original ao ampliar a discussão sobre os atores-chave envolvidos nos processos estratégicos organizacionais. Diferentemente das abordagens tradicionais que focalizam exclusivamente a alta direção ou os planejadores formais, esta pesquisa enfatiza a relevância das camadas intermediárias — incluindo os auditores internos — como agentes estratégicos ativos.

Referências Bibliográficas

Floyd, S. W., & Wooldridge, B. (1992). Managing strategic consensus: The foundation of effective implementation. Academy of Management Executive, 6(4), 27–39.
Jarzabkowski, P., Balogun, J., & Seidl, D. (2007). Strategizing: The challenges of a practice perspective. Human Relations, 60(1), 5–27.
Rouleau, L. (2005). Micro‐practices of strategic sensemaking and sensegiving: How middle managers interpret and sell change every day. Journal of Management Studies, 42(7), 1413–1441.
Whittington, R. (2006). Completing the practice turn in strategy research. Organization Studies, 27(5), 613–634.

Navegação

Anterior Próximo