Anais
Resumo do trabalho
Gestão Socioambiental · Sustentabilidade, Sociedade, Tecnologia e Inovação
Título
Tecnologia, mercado e envelhecimento: os limites da Economia Prateada como solução global
Palavras-chave
Economia Prateada
Inovação Social
Empreendedorismo na Velhice
Autores
-
Caio César Dias PereiraUNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA (UFV)
Resumo
Introdução
A Economia Prateada (EP), enquanto campo emergente, tem ganhado destaque em organismos internacionais e políticas públicas como resposta estratégica ao envelhecimento populacional. Concebida como vetor de dinamização econômica, tecnológica e social, a EP articula envelhecimento à inovação e à reestruturação de mercados. No entanto, a expansão do conceito carece de sistematização crítica que diferencie suas dimensões produtivas, mercadológicas e políticas.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Diante da dispersão teórica e da predominância de leituras normativas, este artigo investiga: como a literatura científica internacional tem conceituado, operacionalizado e tensionado a Economia Prateada sob a ótica mercadológica? O objetivo geral é analisar criticamente os discursos e práticas que sustentam a EP em sua dimensão econômica, identificando quatro eixos centrais: disputas conceituais, setores estratégicos, inovação tecnológica e empreendedorismo prateado.
Fundamentação Teórica
A EP é compreendida como um campo discursivo e econômico atravessado por interesses diversos. Diálogos com autores como Klimczuk (2016, 2021), Oget (2021), Jorge Felix (2016) e Lipp & Peine (2022) permitem compreender a EP como estratégia de desenvolvimento, mas também como construção performativa. A distinção entre Economia Prateada e Silver Market torna-se fundamental para evitar sua redução a um nicho de consumo elitizado e descolado da realidade da maioria da população idosa.
Discussão
A revisão de 17 estudos publicados entre 2009 e 2024 revela a coexistência de visões complementares e conflitantes sobre a EP. Setores como saúde, turismo, finanças e habitação são recorrentes, mas frequentemente voltados a públicos elitizados. A inovação tecnológica é destacada como solução, mas sem considerar barreiras de acesso e participação. O empreendedorismo prateado desponta como alternativa de protagonismo, ainda que inserido em contexto de fragilidade previdenciária e ausência de políticas públicas específicas.
Conclusão
A EP, enquanto categoria emergente, precisa ser compreendida como campo estratégico, mas também disputado. Os objetivos do estudo foram plenamente atingidos ao identificar as tensões entre consumo, inovação e inclusão, apontando para a urgência de diretrizes públicas que ampliem seu alcance social. No Brasil, urge uma estratégia nacional de Economia da Longevidade que articule políticas públicas, inclusão digital e participação cidadã.
Contribuição / Impacto
Este artigo oferece contribuições teóricas ao diferenciar a EP de seu viés mercadológico, e metodológicas ao propor uma análise crítica de conteúdo em revisão sistemática. No plano prático, fornece subsídios à formulação de políticas e projetos mais equitativos, alinhados aos ODS 10 e 11, e valoriza o papel das universidades na consolidação do campo, na formação intergeracional e na produção de conhecimento territorializado.
Referências Bibliográficas
Caridà et al. (2022); Colurcio et al. (2022); Gschwendtner (2020); Stephens (2023); Griva et al. (2024); Klimczuk (2016, 2021, 2022); Lipp & Peine (2022); Roszko-Wójtowicz et al. (2024); Urrutia Serrano (2018); Barković Bojanić et al. (2024); Álvarez Diez et al. (2022); Jorge Felix (2016); Söylemez & Ay (2022); Heffner et al. (2019); Bieszk-Stolorz et al. (2024); Oget (2021); Camarano (2014); Galiza (2022); Ramos et al. (2021); Santos (2020); REAA (2023); ONU (2022, 2024); Plataforma Longeviver (2024); IBGE (2024); CONFIPAR (2023); UFV (2022).