Anais
Resumo do trabalho
Gestão de Pessoas · Relações de Trabalho
Título
VIVÊNCIAS NA TRANSIÇÃO: EXPERIÊNCIAS, EXPECTATIVAS E DESAFIOS DOS TRABALHADORES RUMO À APOSENTADORIA
Palavras-chave
Aposentadoria
Transição
Moçambique
Autores
-
Linda ManuelUNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)
-
Diogo Henrique HelalFundação Joaquim Nabuco - FUNDAJ
Resumo
Introdução
O envelhecimento populacional e as recentes reformas previdenciárias tornaram a aposentadoria um tema urgente em Moçambique. Este estudo analisa como trabalhadores de uma universidade pública percebem essa transição, considerando seus impactos na identidade, qualidade de vida e relações sociais. A pesquisa busca compreender a aposentadoria como um processo multidimensional que envolve fatores individuais, organizacionais e estruturais.
Problema de Pesquisa e Objetivo
A escassez de estudos sobre aposentadoria em Moçambique, aliada às reformas legislativas recentes, motivou esta pesquisa. O objetivo é compreender as percepções, expectativas e desafios de trabalhadores de uma universidade pública moçambicana prestes a se aposentar, considerando os fatores que influenciam essa decisão e suas implicações no bem-estar e na organização do trabalho.
Fundamentação Teórica
A aposentadoria é concebida como um processo complexo, influenciado por fatores micro (saúde, finanças), meso (dinâmica familiar e organizacional) e macro (políticas públicas). A teoria da continuidade, do curso de vida e das escolhas racionais embasam a análise, assim como estudos sobre envelhecimento, identidade profissional e suporte social na transição ao pós-trabalho.
Metodologia
O estudo adota abordagem qualitativa, com base em entrevistas semiestruturadas e análise documental. Foram entrevistados seis trabalhadores com idades entre 50 e 60 anos de um instituto superior público moçambicano. Os dados foram tratados com análise de conteúdo, gerando três grandes dimensões: preparação, transição e suporte. O estudo seguiu os princípios éticos da pesquisa social.
Análise dos Resultados
Os resultados revelaram ambivalência nas percepções sobre a aposentadoria: alívio e liberdade coexistem com insegurança e perda de identidade. Três dimensões se destacaram: (1) preparação financeira e emocional; (2) impacto na saúde, rotina e propósito; (3) papel do suporte familiar e institucional. A ausência de políticas internas agrava os desafios vivenciados pelos trabalhadores.
Conclusão
A aposentadoria é vivida como transição carregada de significados e desafios, não se limitando ao fim da atividade profissional. O estudo evidencia a necessidade de políticas e programas institucionais que considerem os diferentes níveis de influência. A ausência de suporte organizacional e a insegurança financeira destacam-se como barreiras para uma transição mais digna e planejada.
Contribuição / Impacto
A pesquisa contribui para suprir lacuna na literatura moçambicana sobre aposentadoria e oferece subsídios para políticas públicas e institucionais. Ao integrar aspectos subjetivos e contextuais, propõe a criação de programas preparatórios e ações intersetoriais nas universidades. Os achados reforçam o papel estratégico da gestão de pessoas na valorização do envelhecimento ativo.
Referências Bibliográficas
Cardoso, E., Dietrich, T. P., & Souza, A. P. (2021). Envelhecimento da população e desigualdade. Brazilian Journal of Political Economy, 41(1), 23-43.
Haddad, E. G. M. (2017). A ideologia da velhice. Cortez Editora.
Helal, D. H.; Nóbrega, C. V.; & Lima, T. A. P. (2021). Retirement and organizations: perspectives and challenges for both workers and human resource management. Working with Older People, v. 25, n. 2, p. 141-152.
Haddad, E. G. M. (2017). A ideologia da velhice. Cortez Editora.
Helal, D. H.; Nóbrega, C. V.; & Lima, T. A. P. (2021). Retirement and organizations: perspectives and challenges for both workers and human resource management. Working with Older People, v. 25, n. 2, p. 141-152.