Anais
Resumo do trabalho
Gestão de Pessoas · Relações de Trabalho
Título
Trabalhadores transplantados: novos desafios para as Relações de Trabalho contemporâneas
Palavras-chave
Transplante
Relações de Trabalho
Desamparo
Autores
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Claudia Piccolotto ConcolattoUNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL (UFRGS)
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Andrea Poleto OltramariUNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL (UFRGS)
Resumo
Introdução
Os avanços médicos ampliaram os transplantes de órgãos no Brasil, gerando uma nova realidade que diz respeito às Relações de Trabalho: trabalhadores transplantados, que, apesar de aptos ao trabalho, enfrentam desafios específicos e carecem de garantias legais. Este estudo analisa interdisciplinarmente as possibilidades e as dificuldades de trabalho desses indivíduos diante dos desafios da contemporaneidade, refletindo sobre a inclusão de trabalhadores com fragilidades de saúde, considerando aspectos da subjetividade deste processo.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O problema de pesquisa que orienta este estudo é: quais são as possibilidades e os desafios enfrentados pelos trabalhadores transplantados no contexto das relações de trabalho contemporâneas? O objetivo geral deste artigo teórico é compreender a importância do trabalho para os indivíduos transplantados, a partir de uma análise interdisciplinar que articule os campos da Administração, das Relações de Trabalho e da Psicanálise, com foco na inclusão, na subjetividade e na construção de políticas organizacionais mais sensíveis às singularidades desses trabalhadores.
Fundamentação Teórica
O transplante de órgãos melhora a qualidade de vida, mas impõe desafios, especialmente no retorno ao trabalho. Apesar da relevância do tema, há escassez de estudos nacionais sobre a reinserção laboral de transplantados. A literatura internacional contribui mais, abordando políticas públicas, reabilitação e impactos econômicos. Este estudo reflete sobre essas questões, destacando a importância do trabalho na vida de pessoas com doenças crônicas e transplantadas frente as dificuldades adicionais causadas pela fragilidade das Relações de Trabalho na atualidade.
Discussão
Afastar-se do trabalho por motivo de doença não significa deixar de ser trabalhador. O retorno ao trabalho é uma estratégia de suporte à vida, pois vida e trabalho estão profundamente entrelaçados. O mundo do trabalho, no entanto, tende a rejeitar aqueles que se afastam, mesmo que temporariamente. A sociedade atual, marcada pela desubjetivação e pela indiferença, precisa ser desafiada a reconhecer o valor do trabalhador adoecido.
Conclusão
O estudo discute as dificuldades que transplantados podem enfrentar frente a precarização e a fragilidade das Relações de Trabalho. bem como defendeu o papel do trabalho na reinserção social e subjetiva de transplantados, destacando sua importância para além do sustento financeiro. Apesar dos desafios enfrentados, como preconceito e insegurança, o trabalho pode amenizar o desamparo e promover saúde psíquica. O artigo propõe reflexões que podem orientar políticas públicas e práticas organizacionais mais inclusivas para garantir o direito ao trabalho após o transplante.
Contribuição / Impacto
O artigo apresenta reflexões e aporta informações que podem auxiliar tanto as organizações privadas, quanto entidades governamentais na formulação de políticas que protejam trabalhadores transplantados, garantindo a manutenção de seus empregos ou a reinserção no trabalho depois do transplante. A relevância social do tema também se evidencia, a partir de estudos como o de Colombo et al. (2022), que confirmam, através de relatos de transplantados, as dificuldades de reinserção profissional, preconceito e falta de apoio institucional.
Referências Bibliográficas
ANTUNES, Ricardo. Os sentidos do Trabalho: ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho. São Paulo: Boitempo, 2003.
CONCOLATTO, Claudia Piccolotto. Violência Urbana no trabalho: desamparo nas Relações de Trabalho e marcas na saúde mental do trabalhador. 2018. 132f. Dissertação (Mestrado em Administração) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2018.
FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. In: Edição standard brasileira das obras completas psicológicas de Sigmund Freud. V. XXI. Rio de Janeiro: Imago, 1976 [1930].
CONCOLATTO, Claudia Piccolotto. Violência Urbana no trabalho: desamparo nas Relações de Trabalho e marcas na saúde mental do trabalhador. 2018. 132f. Dissertação (Mestrado em Administração) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2018.
FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. In: Edição standard brasileira das obras completas psicológicas de Sigmund Freud. V. XXI. Rio de Janeiro: Imago, 1976 [1930].