Anais
Resumo do trabalho
Estratégia em Organizações · Abordagens sociais, cognitivas e comportamentais em Estratégia
Título
CULTURA DE SEGURANÇA DO PACIENTE NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: PERCEPÇÕES PROFISSIONAIS A PARTIR DO MOSPSC
Palavras-chave
Segurança do Paciente
Atenção Primária à Saúde
Cultura Organizacional
Autores
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Priscila Isolani de OliveiraUNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO (UNIFESP)
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Joanna Torqui Vitorelo
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Marcel KawauchiFUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC (UFABC)
Resumo
Introdução
A Atenção Primária à Saúde (APS) é a porta de entrada do sistema, oferecendo cuidado integral e centrado na comunidade, capaz de atender até 90% das necessidades ao longo da vida. A segurança do paciente (SP) é fundamental para a qualidade do cuidado, envolvendo ações coordenadas que promovem uma cultura segura, suportada por tecnologias e processos que minimizem riscos e preparam o sistema para responder a falhas (OPAS/OMS, 2023; OMS, 2021).
Problema de Pesquisa e Objetivo
A APS, como coordenadora do cuidado no SUS e porta de entrada preferencial, enfrenta o desafio da segurança do paciente. Apesar dos avanços na qualidade do cuidado, a cultura de segurança na APS é pouco explorada (BARRETO, 2025). Este estudo teve como objetivo analisar a percepção dos profissionais sobre essa cultura em unidades de APS, identificando áreas críticas para orientar melhorias e fortalecer práticas seguras no atendimento.
Fundamentação Teórica
O Plano de Ação Global para a Segurança do Paciente (OMS, 2021) propõe integrar a segurança ao planejamento dos sistemas de saúde, priorizando sua aplicação na atenção primária. A avaliação da cultura de segurança, exigida por organismos internacionais de acreditação, permite identificar e gerir, de forma prospectiva, questões relevantes nas rotinas e condições de trabalho. Tem como finalidades diagnosticar o cenário atual, sensibilizar profissionais, avaliar intervenções e acompanhar seus efeitos ao longo do tempo (SOUSA, 2019).
Metodologia
Estudo com abordagem quantitativa e qualitativa, transversal, do tipo survey, realizado em unidades de APS do município de São Paulo. Utilizou-se o instrumento MOSPSC, traduzido e validado para o português (TIMM, 2016), que considera respostas positivas acima de 50%. A coleta ocorreu em outubro de 2024, com 7.036 participantes das áreas assistencial, administrativa, de apoio e prestadores. Foram analisadas cinco seções: Segurança do Paciente, Troca de Informações, Comunicação e Acompanhamento, Avaliação Geral e Prática Profissional.
Análise dos Resultados
A maioria da amostra foi composta por profissionais da área assistencial (81,5%), com destaque para técnicos de enfermagem e agentes comunitários. O escore global de 76,1% indica percepção positiva sobre a cultura de segurança. Contudo, o domínio “Segurança do Paciente e Qualidade” apresentou o menor resultado (67%), apontando fragilidades, seguido de “Troca de Informações” (71,5%) e “Comunicação e Acompanhamento” (78,5%). Já “Avaliação Global” obteve 84,3%. O alfa de Cronbach foi 0,89, com todos os domínios acima de 0,70, evidenciando alta consistência interna.
Conclusão
Os resultados evidenciam percepção predominantemente positiva sobre a cultura de segurança na APS, mas revelam fragilidades importantes no domínio “Segurança do Paciente e Qualidade”. O estudo reforça a necessidade de fortalecer práticas e rotinas seguras no cotidiano das equipes, com foco na melhoria contínua. A avaliação da cultura de segurança mostrou-se útil para identificar áreas críticas e subsidiar estratégias institucionais voltadas à consolidação de um ambiente de cuidado mais seguro.
Contribuição / Impacto
Este estudo contribui para o avanço do conhecimento sobre a cultura de segurança do paciente na APS, campo ainda pouco explorado. Ao permitir a comparação com dados de referência internos e externos, subsidia análises críticas e estratégias de melhoria contínua. Os resultados reforçam a importância da APS na promoção de ambientes seguros, orientando intervenções mais eficazes e com potencial de impacto positivo na qualidade do cuidado prestado no âmbito do SUS.
Referências Bibliográficas
BARRETO, R. S.; SERVO, M. L. S. Segurança do paciente na Atenção Primária à Saúde: estudo bibliométrico. Physis, v. 35, n. 1, e350102, 2025.
OMS. Plano de Ação Global para a Segurança do Paciente 2021–2030. Genebra: OMS, 2021.
OPAS/OMS. 30 anos de SUS – Que SUS para 2030? Brasília: OPAS/OMS, 2023.
SOUSA, P. (Org.). Segurança do paciente: criando organizações de saúde seguras. 2. ed. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2019.
TIMM, M.; RODRIGUES, M. C. S. Adaptação transcultural de instrumento de cultura de segurança para a Atenção Primária. Acta paul. enferm., 2016.
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TIMM, M.; RODRIGUES, M. C. S. Adaptação transcultural de instrumento de cultura de segurança para a Atenção Primária. Acta paul. enferm., 2016.