Anais
Resumo do trabalho
Gestão Socioambiental · Sustentabilidade e Desempenho das Organizações
Título
A INFLUÊNCIA DA GESTÃO E PROPRIEDADE FAMILIAR NA PERFORMANCE ESG: EVIDÊNCIAS NO MERCADO ACIONÁRIO BRASILEIRO
Palavras-chave
Empresas Familiares
Desempenho ESG
Governança Corporativa
Autores
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Matheus Juan Silva RibeiroUNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO (UFERSA)
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Yuri Gomes Paiva AzevedoUNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO (UFERSA)
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Kléber Formiga MirandaUNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO (UFERSA)
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Alexsandro Gonçalves da Silva PradoUNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO (UFERSA)
Resumo
Introdução
As práticas Environmental, Social and Governance (ESG) têm ganhado cada vez mais visibilidade de gestores, investidores, analistas e da academia, que buscam investigar os impactos causados pelas organizações ao meio ambiente e ao bem-estar social (Gillan et al., 2021). Diante disso, estudos na área tem demandado a realização de estudos na área que investiguem os fatores associados à performance ESG das companhias, como por exemplo, a influência das empresas familiares (Gillan et al., 2021; Waldau, 2024).
Problema de Pesquisa e Objetivo
A literatura que investiga os efeitos da gestão e/ou da propriedade familiar na performance ESG é recente e limitada, com foco principal em mercados de capitais internacionais (El Ghoul et al., 2016; Sun et al, 2024; Waldau, 2024). Nesse sentindo, considerando a ausência de estudos que explorem essa relação no contexto brasileiro, este estudo preenche uma lacuna na literatura ao analisar se a gestão familiar e a propriedade familiar exercem influência na performance ESG das companhias abertas brasileiras.
Fundamentação Teórica
Sob a ótica da Teoria da Riqueza Socioemocional (Gómez-Mejía et al., 2007), as empresas familiares não buscam apenas retornos financeiros, mas também a preservação da riqueza socioemocional, incluindo a identidade familiar e a continuidade da empresa para as futuras gerações. Assim, essa Teoria desempenha um papel crucial para explicar decisões estratégicas tomadas em empresas familiares, uma vez que o desejo de proteger a reputação da empresa e, consequentemente, da família, pode levar à adoção de práticas ESG, visando evitar escândalos ambientais ou sociais (Sun et al., 2024).
Metodologia
Os dados foram coletados da Economatica, Refinitiv Eikon, bem como da Comissão de Valores Mobiliários. A amostra final do estudo contemplou 105 companhias abertas brasileiras listadas na B3 no período 2010-2024, sendo os dados analisados por meio de regressões com dados em painel. O modelo principal possui a performance ESG como variável dependente, a gestão familiar e a propriedade familiar como variáveis independentes, além de um vetor de variáveis de controle. Análises adicionais foram estimadas, tendo como variáveis dependentes os pilares individuais ambiental, social e de governança.
Análise dos Resultados
Os principais resultados indicam que empresas com gestão familiar, apresentam melhor performance ESG. No entanto, foi verificado que a propriedade familiar não exerce influência significativa sobre essa performance. Análises adicionais também evidenciam que os mecanismos pelos quais a família influencia a atuação da empresa são distintos entre os pilares ESG, uma vez que a gestão familiar se associa positivamente aos scores ambiental e social, enquanto a propriedade familiar se relaciona positivamente com o score de governança.
Conclusão
Os achados deste estudo podem ser explicados pela distinção entre gestão e propriedade familiar. Embora ambas estejam relacionadas à presença da família na empresa, implicam diferentes formas de atuação e controle. Enquanto a gestão familiar tende a refletir preocupações reputacionais e sociais mais imediatas, alinhadas à agenda de responsabilidade ambiental e social, a propriedade familiar tende a demonstrar maior preocupação com o monitoramento e a preservação dos mecanismos de governança corporativa, a fim de proteger os interesses de longo prazo dos acionistas familiares.
Contribuição / Impacto
Além de contribuir para a literatura na área ao ser o primeiro estudo a investigar, até onde se sabe, a influência da gestão e da propriedade na performance ESG das companhias abertas brasileiras, atendendo a recomendação de estudos na área, este estudo também apresenta contribuições práticas. Como a temática ESG está em destaque no contexto atual e pode exercer influência na tomada de decisão, considera-se que este estudo pode servir como orientador para investidores, analistas e credores identificarem possíveis conflitos de interesse em empresas familiares no tocante à performance ESG.
Referências Bibliográficas
Gillan, S. L., Koch, A., & Starks, L. T. (2021). Firms and social responsibility: A review of ESG and CSR research in corporate finance. Journal of Corporate Finance, 66, 101889.
Sun, J., Pellegrini, M. M., Dabić, M., Wang, K., & Wang, C. (2024). Family ownership and control as drivers for environmental, social, and governance in family firms. Review of Managerial Science, 18(4), 1015–1046.
Waldau, R. (2024). A systematic literature review on determinants and outcomes of ESG performance in family firms. Management Review Quarterly, 1-59.
Sun, J., Pellegrini, M. M., Dabić, M., Wang, K., & Wang, C. (2024). Family ownership and control as drivers for environmental, social, and governance in family firms. Review of Managerial Science, 18(4), 1015–1046.
Waldau, R. (2024). A systematic literature review on determinants and outcomes of ESG performance in family firms. Management Review Quarterly, 1-59.